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Segunda-Feira 06.dez.2021

Ano X - Nº 470

Coluna

Competência

Todo indivíduo é inteligente o suficiente para qualquer tarefa?

Postado em 30 de Janeiro de 2015 - Jorge Ostemberg

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“O gênio é 1% inspiração e 99% transpiração” - Thomas Edison

 

Em termos empresariais, ao se fazer ilações sobre domínios dos indivíduos no cumprimento de tarefas, pode-se cair em ciladas de raciocínios com perigo de preconceitos.

Há pessoas que só conseguem realizar tarefas básicas, ou poucas operações?

A variação em operações pode comprometer qualidade de atendimento?

A generalidade de atuação em funções pode prejudicar o rendimento empresarial, seja o empreendimento grande ou pequeno?

A competência é definida pela quantidade de inteligência de um indivíduo?

Ao iniciar um empreendimento qualquer na área de serviços ou de fornecimento de determinados produtos, dificilmente, ao pensar em contratar, não se pensará nessa questão, de o indivíduo ser um especialista no que faz; ou seja, acima do potencial que tenha, se infere sobre a experiência, sobre os prontos domínios, o às vezes errôneo conceito “que tenha experiência”, em detrimento, talvez, de um potencial que poderia ser muito maior e melhor, caso viesse uma chance.

E por que isso é importante em termos de empreendimentos? Entende-se, primariamente, que se você pretende, por exemplo, abrir uma borracharia, não poderá contratar, porém, de imediato, um indivíduo que não domine operações necessárias para a identificação adequada de um problema, conforme o tipo de pneu e todas as outras possibilidades de dano; e a partir disso, operar atos de tratamento à questão identificada. Ou seja, terá que ter sua especialidade. Assim, encontramos um problema, afinal, ligado à contratação: “alguém com experiência ou com potencial de aprendizado, evolução e capacidade de inovação e agregação de valores".

E de onde vem a especialidade? Os domínios? Do aprendizado via instruções e prática. E como sabemos se estamos sendo atendidos por um indivíduo competente ou não?

Inicialmente, se você vai a um profissional que já conhece, ou que foi indicado por alguém que já é atendido há certo tempo por ele, com bons resultados, isso poderá fornecer a resposta; mas, no exemplo do borracheiro, se você se vê em apuros em um lugar desconhecido, fará a mesma pergunta que qualquer um faria, para um desconhecido na rua: “Você sabe onde tem uma borracharia mais próxima?”; e muito provavelmente não perguntará “E ele remenda bem, pneus?”.

O que faz a diferença entre um borracheiro e um profissional de uma linha de montagem de automóveis, principalmente? Talvez a resposta seja óbvia; o número de operações; enquanto um borracheiro, desde a prosa inicial com o cliente, até o “Volte sempre, patrão!”, atende um cliente com no mínimo uma dezena de movimentos variados, um profissional de linha de montagem repetirá movimentos semelhantes, durante sua rotina, em que jamais poderá sequer imaginar quem será que receberá em mãos o resultado de seu trabalho. No entanto, é preciso pensar que pode haver exceções, conforme a complexidade exigida.

E o que separa e ao mesmo tempo une esses dois, na questão de domínios? Faremos, quanto a essa pergunta, uma espécie de jogo, aqui na coluna, dando uma pista para inferência de cada um, e respondendo no próximo artigo. Eis a pista, nas palavras do renomado teórico e crítico sobre empreendimentos e empresas, Peter Drucker:

“Durante a Segunda Guerra Mundial, eram mulheres negras sem especialização e quase analfabetas que fabricavam as mais complicadas peças de motores para aviões. O serviço exigia a realização de mais de oitenta operações diferentes. Porém, ao invés de cada operação ser executada por uma trabalhadora, o serviço todo, por motivos metalúrgicos, precisava ser feito por uma mesma operadora. Normalmente, isto significaria confiar o trabalho a operadores de máquinas altamente especializados. Todavia, durante a guerra, estes não estavam disponíveis. E as quantidades necessárias eram grandes demais e urgentes demais para que fosse possível uma organização com base nas habilidades.

Elas não estavam operando construção de brinquedos, não estavam remendando pneus ou apertando parafusos, somente, elas estavam no núcleo de construção de aviões, essas maravilhas tecnológicas que até hoje evocam a necessidade de grande competência em suas fabricações.

Dada a pista, no próximo artigo responderemos a pergunta aqui suscitada, em favor do benefício da sempre presente fagulha para raciocínios colaborativos em construção e resposta de questões para crescimento do conhecimento. Aguardando.

Sigamos!


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