Semana On

Quinta-Feira 05.ago.2021

Ano IX - Nº 454

Coluna

Colocar a atenção no simples ato de respirar é estar presente aqui e agora

Com meditação diária, tento aceitar o presente e não temer o futuro

Postado em 30 de Junho de 2021 - Theresa Hilcar

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Teste. Desde criança tenho pavor de testes. Principalmente daqueles que eram anunciados logo no início da aula, nos pegavam de surpresa e davam frio na barriga. Mesmo sabendo a matéria, tínhamos receio de errar porque tudo o que nos surpreende, tudo aquilo que não podemos controlar, nos deixa inseguros. Comigo é assim.

A psicanálise explica os motivos do medo daquilo que não conhecemos. Mas a questão é que, mesmo sabendo os motivos, continuamos a temer o que vem pela frente. E o fato, é que não temos certeza de absolutamente nada. Pela ótica da física quântica, nem o conceito tempo espaço existe. 

Será que estamos realmente aqui e agora? Ou tudo não passa de uma grande ilusão? Essas dúvidas me assolam há tempos. A bem da verdade, venho há anos buscando respostas para perguntas que não cessam. Difícil crer que a vida, tal como a conhecemos, seja apenas um nascer, crescer, trabalhar, procriar e partir. Estou certa que algo nos escapa. 

Foi durante esta jornada interminável que descobri o processo meditativo. Todos os mestres ensinam que só existe um momento em que a mente acalma seus temores: quando sentamos com a coluna ereta e focamos na respiração por alguns minutos. Ou seja, quando meditamos.

Existem inúmeras técnicas para meditar. Muitas vezes este leque de opções, ao invés de facilitar o trabalho, pode nos confundir. O melhor método é o que você consegue fazer. O mais simples é sempre o melhor. Pena saber que a maioria das pessoas desconhece este pequeno milagre.

Alguns dizem que não conseguem simplesmente parar. Que não têm tempo para ficar observando nada. Outros dizem que meditam em oração. Certo é que boa parte dos seres humanos nunca parou um minuto para prestar atenção ao momento em que o ar entra e sai das nossas narinas. Não observamos aquilo que nos faz viver. Se o fizéssemos, talvez pudéssemos mudar o mundo.

O universo só quer uma coisa de nós: a nossa atenção plena. O nosso foco no aqui e agora. Porque tudo o que precisamos não está fora, mas dentro. Independentemente de quem você seja. No entanto, compreender que tudo está em nós não é tarefa fácil. É preciso treino, dedicação e, sobretudo, fé. Não aquela que cega, mas a que nos mantém de olhos abertos para o mundo.

Escrever é algo surpreendente. Iniciei a crônica falando de testes e enveredei pelos caminhos do autoconhecimento. É sempre assim, você sabe como começa o texto, mas não sabe como termina. Escrever também é uma espécie de meditação que pode nos levar para lugares especiais. E eu sou grata por isto.

O teste em questão é aquele que ninguém gosta, mas é necessário fazer. Depois de um ano e três meses em isolamento social, voltar ao convívio social é sempre um risco, mesmo com vacina no braço. Principalmente quando vivemos em meio a uma sociedade que se recusa a aceitar que estamos em perigo. Principalmente quando nem todos se cuidam e por isto, infelizmente, se descuidam do resto de nós.

Por isto hoje farei o teste de Covid 19. Já o fiz duas vezes, mas nunca por necessidade ou recomendação médica. Não sei o que me espera. Mas enquanto isto eu escrevo, porque assim acalmo minha mente. Desta forma, somada a meditação diária, tento aceitar o presente e não temer o futuro.

Espero que o teste seja de Língua portuguesa, história ou conhecimentos gerais. São as matérias que sempre me saí melhor, desde sempre. Se vier um teste de química ou matemática, vou respirar bem fundo e soltar devagar. Isto sempre ajuda!


Voltar


Comente sobre essa publicação...