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Sexta-Feira 30.jul.2021

Ano IX - Nº 454

Coluna

Setores da elite brasileira apostam em impeachment de Bolsonaro para derrotar Lula em 2022

Com o ex-presidente crescendo nas pesquisas de intenções de votos, a elite brasileira elege Lula o político a ser abatido

Postado em 30 de Junho de 2021 - Rafael Paredes

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Analista já previam que, se as pesquisas eleitorais mostrassem o ex-presidente Lula com mais de 40% de intenções de voto, o governo Jair Bolsonaro apenas seria um intervalo agônico de tempo até a política suplantar essa experiência de extrema-direita. O problema é que o petista foi além, apareceu com mais de 50% dos votos válidos, com a menor rejeição entre os presidenciáveis (36%), ganhando em todas as regiões, classes, escolaridades e gêneros, segundo pesquisa do IPEC, divulgada no dia 25 de junho.

Como o potencial do petista foi muito além do esperado, a elite brasileira passou a identificar uma nova chance de derrotar Lula, já que Bolsonaro derrete a ponto de talvez nem proporcionar um segundo turno. A pesquisa citada é ainda anterior aos últimos escândalos sobre um suposto esquema de corrupção para compra de vacinas. Em uma próxima pesquisa, o presidente pode estar ainda menor.

A candidatura de Lula parecia ser interessante para derrotar Bolsonaro. O governo de Lula seria mais tolerável que mais quatro anos do capitão. Porém, como o presidente Bolsonaro se derrota sozinho, o PIB brasileiro vê a chance de apeá-lo do poder por meio de um impeachment e construir uma terceira via, que no caso seria a via de sempre para impedir agora o novo inimigo: Lula.

O projeto é arriscado, pois, caso o presidente da República seja afastado, quem terminaria seu governo seria o vice-presidente, Hamilton Mourão, quase que igualmente indesejado. Também seria uma incógnita saber como o Exército Brasileiro se comportaria ainda mais pertinho do poder. Os militares hoje fazem parte do consórcio de interesses que administra o Brasil. Neste consórcio ainda tem o Centrão.

Outro ponto obscuro seria encontrar um nome para derrotar Lula. Até agora, os atuais pré-candidatos ou ameaçam desistir ou não apresentam musculatura eleitoral. Densidade essa que Lula aumenta até mesmo jogando parado.

Construir um candidato não se faz de uma hora para a outra, mas, na política brasileira, um ano é equivalente a uma era geológica.

Com Bolsonaro fora do páreo, outra hipótese assanha a elite brasileira: a possibilidade de tornar Lula inelegível novamente. Essa ideia já foi aventada pelo presidente do Supremo, Luiz Fux, a interlocutores. Para Lula seria mais interessante não estar tão bem nas pesquisas. Para Bolsonaro também, obviamente.


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