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Sábado 21.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

CovidAmérica

Idelber Avelar fala da Copa, de memórias da barbárie e de policismo

Postado em 30 de Junho de 2021 - Idelber Avelar

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A Copa CovidAmérica realizou 20 partidas entre 10 seleções para classificar 8, ou seja, eliminar apenas as 2 piores.

Depois de detectar quase 200 contaminados de Covid apenas entre os envolvidos no torneio e de infectar mais sabe-se lá quantos trabalhadores brasileiros e visitantes hispano-americanos, agora começam os jogos para valer. O torneio até agora só serviu para descobrir que as 2 piores seleções são Bolívia e Venezuela.

Como disse um amigo por aí, era só me deixar uma gorjeta de 10 reais e eu mesmo descobria isso sem precisar dessa infinidade de jogos inúteis, soporíferos e sanitariamente criminosos.

Bolsonarismo + Conmebol + Casa Bandida do Futebol, tudo a ver.

MEMÓRIA

Sabemos que o golpe militar concretizou-se no dia 1˚ de abril mas, temerosos de que o dia da mentira se tornasse simbólico do golpe, os militares já começaram mentindo sobre a data e oficializaram o 31 de março. Sempre me divertiu esse oxímoro genuinamente nacional: os militares já começaram mentindo para tentar escapar da fama de mentirosos.

O Brasil nunca acertou as contas com essas mentiras. Não realizamos qualquer trabalho mnemônico, não nos lembramos de nada, repetimos, amnésicos, as mesmas catástrofes das gerações anteriores. Em "Eles em nós", há uma seção sobre isso, intitulada "A retórica da amnésia".

Neste 31 de março, focalizo-me em desmentir mais uma vez duas grandes mistificações nas quais se apoiaram os militares e continua se apoiando o bolsonarismo. Essas mistificações são que 1964 aconteceu para "livrar o Brasil do comunismo" e de que "a sociedade brasileira" já não queria João Goulart.

Repita comigo:

1. Não existia guerrilha de esquerda em 1964. Mais uma vez: não existia esquerda armada em 1964. Terceira repetição: não havia forças de esquerda "preparando revolução armada" em 1964.

2. A outra é importante repetir porque não é muita gente que sabe: Jango tinha 70% de aprovação segundo pesquisas em 1964. Confira comigo no replay: João Goulart tinha estratosféricos 70% de apoio no momento do golpe. Terceira, para firmar: mais de 2 entre cada 3 brasileiros apoiavam Jango quando ele foi deposto.

Mentiram, mataram, torturaram, destruíram a democracia, forçaram a barra até que Reinaldo foi colocado no banco na Copa de 1978, arrebentaram famílias, encurralaram e acossaram até que Reinaldo nem foi chamado para a Copa de 1982, deixaram a hiperinflação e ainda por cima plantaram a sementinha da desgraça que nos governa.

Nada de bom fizeram e a turma da esquerda que andou elogiando essa ditadura em anos recentes deveria se envergonhar. Mas não vão, porque somos mesmo o país da amnésia.

POLICIAMENTO

Interessante pesquisa sobre 'policialismo' realizada pelo Instituto Sou da Paz e publicada pelo Nexo. Seguem um trecho, o link e uma reveladora ilustração sobre a origem partidária dos candidatos policialistas nos três últimos ciclos eleitorais:

"O Sou da Paz se refere à crescente mistura entre forças de segurança do Estado e política-partidária como 'policialismo'. Para o instituto, o fenômeno se materializa de diferentes formas, entre elas:

Crescimento do número de candidaturas de policiais e militares em eleições.

Popularização de perfis policiais em plataformas como o YouTube, que usam a atividade e os equipamentos públicos para ganharem visibilidade (e potencial eleitoral).

Episódios de indisciplina militar, como o motim que ocorreu na PM do Ceará, em 2020, e deu visibilidade para agentes que foram candidatos nas eleições de outubro daquele ano.

Diferentes episódios de repressão policial a opositores do governo Bolsonaro, algo que coloca em evidência a ruptura da neutralidade esperada dos agentes de segurança."


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