Semana On

Quarta-Feira 25.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

Bolsonaro sem tempo, sem cabeça, atropelado. Lula fazendo tudo direitinho

Presidente acha que não precisa de alianças estaduais para vencer as eleições do ano que vem, mas 2022 não é 2018

Postado em 25 de Junho de 2021 - Rafael Paredes

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A estratégia do presidente Jair Bolsonaro de não priorizar alianças com pré-candidatos aos governos estaduais está certa se a lógica for do passado, mas está errada se a lógica for do futuro. Ao retardar a filiação a um partido, não tratar de alianças partidárias e dinamitar pontes com governadores antigos aliados, Bolsonaro se alicerça na memória de que não precisou de nada disso para se eleger em 2018, mas 2022 é bem diferente.

Alianças regionais são importante porque é a estrutura dos candidatos estaduais que leva o santinho com a foto, imagem, número e nome do candidato a presidente até à casa da dona  Maria. A aposentada é moradora de uma cidadezinha de 5 mil habitantes, que está cansada de redes sociais e, em 2020, votou de forma bem tradicional e sem ousadia nas eleições municipais.

Mesmo se quisesse se dedicar estrategicamente a montar palanques estaduais para a sua reeleição, hoje Bolsonaro está sem cabeça para isso. A descoberta de possíveis irregularidades na intenção de compra da vacina indiana Covaxin macula o já claudicante discurso de combate à corrupção do Governo Federal.

O caso está sendo amplamente explorado pela mídia e por setores da oposição, que veem na Covaxim o Fiat Elba ou as pedalas fiscais de Bolsonaro. Oposição e imprensa não escondem que estão ávidos pelo impeachment do presidente. Aqui não se faz juízo de valor das intenções de ninguém.

Colaborando com o objetivo da oposição existe a sempre desastrada gestão de crise do Governo. No dia em que a imprensa publica que um servidor do Ministério da Saúde havia levado as suspeitas de irregularidades ao presidente da República, o ministro da Secretaria de Governo, Onyx Lorenzoni, é escalado para anunciar a investigação do servidor e não da denúncia. Tudo errado. Joga a crise no colo do presidente.

Enquanto isso, o ex-presidente Lula nada de braçada, come por dentro o PSB filiando o deputado Marcelo Freixo (ex-PSOL/RJ) e o governador Flávio Dino (ex-PC do B/MA) no partido. Freixo lidera as pesquisas para o governo do Rio de Janeiro e tenta atrair o PSD de Gilberto Kassab para seu espectro. Flávio Dino é forte candidato ao senado pelo Maranhão e ambos são fiéis escudeiros do projeto do petista.

O PSB, ao tentar amarrar o apoio do PSD ao seu candidato no Rio, oferece em troca apoiar o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, do PSD, ao governo de Minas Gerais. Dessa forma, os Socialistas estruturam palanques para Lula no segundo (MG) e no terceiro (RJ) colégios eleitorais do país. Os dois no Sudeste. No Nordeste, Lula está fortemente consolidado…

A figura de Lula é densa e atrai a mídia naturalmente. Na semana passada, o ex-presidente teve um simples almoço com o bispo da igreja Assembleia de Deus, Manoel Ferreira. Pronto, já rendeu holofotes em todos os jornais. Na definição de seu eterno rival e hoje próximo FHC, “Lula é um animal político”. Bolsonaro hoje é um animal enjaulado em um cercadinho radical.


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