Semana On

Segunda-Feira 16.mai.2022

Ano X - Nº 487

Poder

Bolsonaro não tem provas de fraude nas eleições de 2018

Tribunal deu um prazo de 15 dias para que ele as apresente. O prazo será ignorado pelo presidente

Postado em 25 de Junho de 2021 - Ricardo Noblat (Metrópoles), Josias de Souza (UOL) – Edição Semana On

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Luís Felipe Salomão, deu 15 dias para que o presidente Jair Bolsonaro apresente as provas que diz ter sobre uma suposta fraude no sistema eletrônico de votação nas eleições de 2018.

Bolsonaro não apresentará provas. Simplesmente porque não as tem. O que ele diz ser prova não passa de um estudo sobre os números das eleições de 2018 escrito por um informante dele em grupo de WhatsApp.

De resto, nada lhe acontecerá se ignorar o pedido de Salomão. Apenas reforçará a convicção dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral de que ele mentiu mais uma vez. Nenhuma novidade.

Xeque Mate

Bolsonaro, quando não tem o que dizer, mente um pouco. Na sua lorota mais reincidente, o capitão jura que tem "provas materiais" de que houve fraude nas urnas de 2018, que consagraram a sua vitória. Sustenta que, sem mutreta, teria sido eleito no primeiro turno. O ministro Luís Felipe Salomão aplicou em Bolsonaro algo muito parecido com um xeque-mate.

A providência chega com um ano e três meses de atraso. A primeira vez que Bolsonaro falou em público sobre fraude eleitoral foi em 9 de março de 2020, num encontro com empresários, nos Estados Unidos. "Nós temos não apenas palavras, nós temos comprovado. Brevemente eu quero mostrar", disse ele nesse dia. Nunca prova nenhuma. Com o tempo, enganchou na lorota a exigência de aprovação do voto impresso, sem o qual o resultado de 2022 seria inconfiável.

Bolsonaro é o primeiro político da história que considera fraudulentas a eleição que já venceu e a disputa que ainda não travou. Mal comparando, Bolsonaro se parece com um cano furado. Um esbanja água num esguicho perdulário. Outro esbanja inverdades.

Decorridos os 15 dias fixados pelo corregedor do TSE, se as provas de fraude não forem levadas à vitrine, será necessário estipular um castigo para o mentiroso. Na hipótese mais benevolente, Bolsonaro comete crime de denunciação caluniosa. No pior dos mundos, o presidente incorre em crime de responsabilidade.


Voltar


Comente sobre essa publicação...