25/04/2024 - Edição 540

Brasil

Após esnobar consórcio de vacinas, Brasil terá acesso dificultado em 2022

Publicado em 25/06/2021 12:00 -

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A partir de 2022, o Brasil terá de enfrentar maiores dificuldades se quiser ampliar suas compras de doses de vacinas do consórcio Covax, criado pela OMS.

Numa reunião nesta semana, o mecanismo com sede em Genebra decidiu que modificará suas leis para ampliar a distribuição de vacinas nos países mais pobres do mundo no ano que vem. Mas, para isso, irá desincentivar economias emergentes como o Brasil a ampliar suas compras de vacinas.

A meta é de atender com prioridade os mais vulneráveis e criar leis que acabem reduzindo o número de participantes nas compras de vacinas. A projeção é de que, dos atuais 190 países, um terço desista de fazer novas encomendas.

Em abril de 2020, a OMS lançou o projeto para tentar impedir um apartheid de vacinas no mundo. O fundo foi criado com a meta de acumular doses e garantir a distribuição de doses aos países mais pobres. O Brasil inicialmente não aderiu.

Quando decidiu fazer parte do projeto, recebeu da Covax uma oferta para adquirir 86 milhões de doses, suficientes para 20% de sua população. Mesmo com a possibilidade de devolver o dinheiro ou desistir no meio do processo, o Brasil hesitou. A decisão final do Palácio do Planalto seria de uma compra de apenas 43 milhões de doses, o mínimo estipulado pelos organizadores.

Desde que a escassez de doses ficou evidente no Brasil, o governo passou a dialogar com a OMS para avaliar a possibilidade de ampliar as compras da Covax.

Mas, numa decisão nesta semana, ficou estabelecido pelo mecanismo que governos que queiram fazer novas compras terão de fazer um pagamento integral de toda a encomenda, antes de qualquer entrega.

Ou seja: para países como Brasil, África do Sul, México ou Argentina, uma nova encomenda de vacinas terá de ser bancada integralmente já no ato da reserva, o que poderá criar obstáculos para governos.

Hoje, os pagamentos são feitos à medida que as doses são liberadas. Para a Covax, porém, isso significa que o risco financeiro recai sobre a agência. Além disso, a situação ainda impede uma maior ação do consórcio para garantir vacinas aos 92 países mais pobres do mundo.

Hoje, os países africanos receberam apenas 1,5% das vacinas distribuídas no mundo. Para a OMS, trata-se de um "fracasso moral" e uma nova dimensão da desigualdade.


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