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Domingo 17.out.2021

Ano X - Nº 463

Mato Grosso do Sul

Sem vacina e com fila para UTI, MS tenta conter casos de 'fungo negro'

A mucormicose é oportunista e aproveita de alterações imunológicas no organismo

Postado em 08 de Junho de 2021 - Bruna Barbosa – UOL

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A circulação da variante P1, rebatizada de gamma pela OMS (Organização Mundial da Saúde), em Mato Grosso do Sul, criou um cenário preocupante no sistema de saúde do estado. A luta por vagas em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) está acirrada no Estado. Com a vacinação suspensa por falta de doses e duas suspeitas de mucormicose (doença conhecida por "fungo negro"), se enfrentam os piores dias de pandemia de covid na região.

Um dos pacientes suspeitos morreu. Outro está em tratamento e sob investigação. A Secretaria da Saúde aguarda resultado de análises.

A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, ressaltou que a infecção já é registrada no Brasil antes da chegada do novo coronavírus.

"É uma doença que não é de hoje, agora tem se dado em pacientes imunodeprimidos, principalmente diabéticos. O que precisamos fazer é notificar os hospitais para que se possa fazer o manejo clínico da melhor forma", disse.

O infectologista Paulo Lotufo reforçou que os casos são raros e que não representam risco de pânico. Ele ressaltou que a mucormicose é oportunista e aproveita de alterações imunológicas no organismo.

"O Hospital das Clínicas de São Paulo, que reúne muitos casos de doenças graves, não tem dez casos dessas infecções por ano. A covid-19 altera o epitélio nasal e o fungo pode se aproveitar disso. Aqui no Brasil e no restante do mundo, com exceção da Índia, continua sendo raro", disse.

Algumas características agravam a situação na Índia. "Eles usaram doses de corticoide muito altas, quase todos são diabéticos, mascam muito fumo e também tiveram os banhos com esterco de vaca contra a covid-19", afirmou Lotufo.

Recorde de casos

Em 3 de junho, Mato Grosso do Sul teve o pior dia da pandemia desde o ano passado em relação ao número de pessoas contaminadas. Foram 2.003 casos novos.

"Estávamos com 298.091 pacientes até 5 de junho, dos quais 133.761 foram decorrentes de todo o ano de 2020. Então, praticamente os seis meses deste ano já superaram o ano passado inteiro", comparou.

Entre os mortos, dos 7.072 óbitos registrados até sábado (5), 4.687 aconteceram em 2021.

Por conta do aumento de pacientes com covid-19 em estado grave, alguns pacientes já começaram a ser transferidos para outros estados do Brasil, como São Paulo e Rondônia.

A secretária-adjunta ressaltou que a sociedade também tem participação no descontrole da pandemia.

Para ela, seria necessário "espírito mais coletivo" para enfrentar o problema.

"É o comportamento que vemos no país todo, de continuar fazendo aglomerações, não usar máscara, não fazer distanciamento e não higienizar as mãos. Ou seja, ainda está muito difícil de a sociedade compreender o momento pandêmico", afirmou.

Ela se preocupa com o Dia dos Namorados, que deve provocar novas aglomerações.

Vacinação suspensa

O ritmo de aplicação do imunizante contra a covid-19, que é o mais acelerado no país, precisou ser suspenso no último dia 6, em Mato Grosso do Sul, por conta da falta de novas doses. No entanto, de acordo com a secretária-adjunta, a situação deve ser normalizada amanhã com a chegada de um novo lote da Pfizer, com 30.420 doses.

Até o momento, 378.054 já receberam a segunda dose da vacina, representando 13,46% da população, segundo o consórcio.


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