Semana On

Segunda-Feira 27.set.2021

Ano X - Nº 461

Brasil

Com 14,8 milhões de brasileiros sem trabalho, desemprego bate recorde histórico, diz IBGE

Avanço da informalidade é obstáculo para o futuro da economia, alerta Dieese

Postado em 27 de Maio de 2021 - Plinio Teodoro (Forum), RBA - Edição Semana On

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Em meio às mais de 450 mil mortes pela Covid-19, a inação do governo Jair Bolsonaro (Sem partido) bateu mais um recorde de desocupação no Brasil.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD) Contínua, divulgados na quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela um aumento de 0,8 pontos porcentuais na taxa de desemprego, que bateu 14,7%, recorde da série histórica, iniciada em 2012.

No total, a política de Bolsonaro e Paulo Guedes, Ministério da Economia, soma 14,8 milhões de brasileiros desempregados, o maior nível da série histórica. Em relação ao trimestre anterior, mais 880 mil trabalhadores perderam seus empregos – 6,3% de aumento. No comparativo com o ano passado, a taxa cresceu 15,2%, com 1,956 milhão de pessoas desocupadas.

Outros 33,2 milhões de brasileiros – 29,7% da população economicamente ativa – têm mão de obra subutilizada, trabalhando menos do que poderiam. A população fora da força de trabalho forma um contingente de 76,5 milhões de trabalhadores.

Informalidade

Em função da pandemia, a renda do trabalho teve redução global de US$ 3,7 bilhões. A queda registrada no último ano e meio equivale a 4,4% do PIB mundial. Os dados foram lembrados na 109ª edição da Conferência Internacional do Trabalho, inaugurada no último dia 20. No Brasil, a situação é agravada por conta do aumento da informalidade. O setor de serviços, por exemplo, o mais atingido pela crise, registrou redução de 20% das vagas informais, segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).

Além do avanço do desemprego, o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior, aponta como principais consequências a redução de renda e o aumento da pobreza. Com a capacidade de consumo reduzida, uma eventual retomada da economia fica ainda mais prejudicada.

“Temos hoje uma somatória de duas grandes crises. Uma que advém da própria pandemia. Do outro lado, uma crise do ponto de vista da seguridade do trabalho”, disse Fausto, em entrevista a Glauco Faria no Jornal Brasil Atual. Segundo ele, as promessas de que a precarização dos direitos trabalhistas resultaria em redução da informalidade não se confirmaram.

De volta ao passado

Essa agenda começou a ser implementada com a “reforma” trabalhista do governo Temer. E vem sendo aprofundada no governo Bolsonaro. Como resultado, desde 2016 as desigualdades sociais vêm se ampliando no Brasil. E as principais vítimas desse processo são os jovens. De acordo com o IBGE, um terço das pessoas com idade entre 18 e 24 anos estão desempregadas.

“Quando há uma quantidade grande de jovens que nem sequer conseguem ocupação, temos um desperdício de talento e de potencial que cobra muito caro. Além de estar desempregado, o tempo médio fora do mercado é muito longo, de mais de dois anos”, avaliou o diretor do Dieese. Nesse sentido, é necessário pensar novamente em políticas de qualificação que melhorem a inserção dos jovens no mercado, além de reverter o quadro de precarização dos direitos trabalhistas.


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