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Quarta-Feira 23.jun.2021

Ano IX - Nº 448

Mato Grosso do Sul

'Rei da fronteira', Fahd Jamil agora responde também por morte de policial civil e servidor pistoleiro

Defesa diz que o réu "continua a inteira disposição da Justiça sul-mato-grossense, a qual sempre confiou". Ele está preso em Campo Grande

Postado em 20 de Maio de 2021 - G1 MS

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Conhecido como 'rei da fronteira', o empresário Fahd Jamil agora é réu pela morte do policial civil Anderson Celin Gonçalves da Silva e do servidor estadual apontado como pistoleiro, Alberto Aparecido Roberto Nogueira, o Betão, em 21 de abril de 2016, em Bela Vista.

A denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) que acusa Fhad de ser o mandante das mortes foi aceita pela comarca de Bela Vista, mas o pedido de prisão preventiva foi negado. Ele está preso desde 19 de abril, em Campo Grande, onde se entregou, por outros crimes.

O advogado de Fahd, André Borges, explicou que "não era mesmo caso de nova prisão" e que o réu "continua a inteira disposição da Justiça sul-mato-grossense, a sempre qual confiou". Ele disse ainda que confia na inocência do cliente. "No final, será obtida sua absolvição".

Além de Fahd, outras duas pessoas são acusadas pela morte de Betão e do policial, que foram encontrados carbonizados em uma caminhonete. Um suposto quarto envolvido já morreu.

Para a acusação, Fahd mandou matar Betão e o policial para vingar a morte do filho Daniel Georges.

Outras acusações

O empresário Fhad Jamil e seu filho, Flávio Correia Jamil Georges, são acusados pelo Ministério Público Estadual (MP-MS) de integrarem organização criminosa que atuava em Ponta Porã e tinha parceria com o grupo criminoso que seria comandado pelos também empresários Jamil Name e Jamil Name Filho, em Campo Grande.

A ligação entre as duas organizações foi apontada nas investigações da 3ª fase da operação Omertà. De acordo com denúncia apresentada em julho de 2020 e aceita pela Justiça, havia uma grande proximidade entre as duas supostas organizações criminosas.

Os grupos, teriam atuado conjuntamente, em pelo menos dois homicídios, o do pistoleiro Alberto Aparecido Roberto Nogueira, o Betão, e o do ex-chefe da segurança da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Ilson Martins Figueiredo, o Figueiredo.

O MP-MS destaca na denúncia, que o grupo liderado por Fahd Jamil, não era o alvo inicial da investigação, mas sua atuação acabou sendo apurada também em razão dos crimes que ligam essa organização a chefiada por Jamil Name, mas precisamente na aquisição e transporte de armas de fogo de grosso calibre (fuzis) e na preparação e execução de homicídios, como o de Figueiredo.

A denúncia aponta que os dois chefes dos supostos grupos criminosos, Jamil Name e Fahd Jamil eram compadres. Destaca que a ligação entre as organizações ficou bem clara logo após a quebra do sigilo bancário de Jamil Name durante outras fases da operação Omertà, quando se constatou que ele pessoalmente ou por meio de sua esposa, fez oito transferências bancárias entre maio de 2016 e junho de 2019 para o filho de Fahd, Flávio Correia Jamil Georges, no montante de R$ 130 mil.

Fahd Jamil, que na denúncia do MP-MS chegou a ser chamado de “Rei da Fronteira” pelo suposto poder que tinha na região, sendo comparado pelos promotores do Ministério Público a um “padrinho da máfia representado nos filmes de gangster” está sendo acusado de integrar organização criminosa armada, corrupção ativa e tráfico de armas de fogo.

Seu filho, Flávio Correia Jamil Georges, o Flavinho, foi denunciado pelos mesmos crimes e ainda por violação de sigilo funcional. Ele é acusado de ter obtido de policial federal, também denunciado neste processo, informações sigilosas para o grupo.


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