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Segunda-Feira 29.nov.2021

Ano X - Nº 469

Coluna

UE reabrirá para turista vacinado, mas Brasil ainda enfrentará obstáculo

Uma das previsões é de que a lei possa já entrar em vigor antes do final de maio

Postado em 19 de Maio de 2021 - Jamil Chade – UOL

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Os 27 países da UE chegaram a um acordo para reabrir suas fronteiras para qualquer turista que esteja vacinado, com as duas doses já aplicadas. A decisão foi tomada no último dia 19 e ocorre às vésperas da temporada de verão no continente europeu, decisivo para a sobrevivência das economias de Portugal, Espanha, Itália ou Grécia.

Uma das previsões é de que a lei possa já entrar em vigor antes do final de maio. Por enquanto, porém, apenas as vacinas autorizadas na UE serão reconhecidas nesse acordo, além de doses chanceladas pela OMS.

Ainda no mês passado, a Comissão Europeia apresentou oficialmente sua proposta de criação de um passaporte de vacinas na UE que incluiria apenas as doses das quatro fabricantes já certificadas pelo bloco - AstraZeneca, Pfizer, Moderna e Janssen. Isso permitirá a entrada de turistas americanos, um fluxo central para retomar atividades em hotéis e atrações em cidades como Roma ou Paris.

A vacina da Sinopharma também será aceita, por já ter sido aprovada pela OMS. Quando a dose da Sinovac for chancelada pela agência internacional, ela também fará parte da lista. A esperança da empresa é de que isso possa ocorrer em poucas semanas.

Negociações já ocorrem para permitir que imunizantes como a CoronaVac entrem na lista de doses consideradas como válidas para um turista, numa decisão que dependeria de cada um dos 27 países do bloco. Essa decisão, porém, também terá de esperar até que a empresa chinesa ganhe a chancela da OMS.

Hoje, no Brasil, mais de 80% das vacinas aplicadas são da empresa chinesa Sinovac.

A UE negocia a criação de um documento que irá permitir que todas as pessoas vacinadas possam cruzar fronteiras internas no bloco, com a esperança de salvar a temporada de verão e milhões de empregos.

Segundo a UE, o passaporte seria válido para todas as pessoas vacinadas com doses de produtos que tivessem sido aprovados pela Agência de Medicamentos da UE. Na lista dos europeus, porém, não estão as vacinas chinesas e nem russa.

O temor que se criou era de que, para brasileiros e milhões de pessoas que tomaram a vacina de empresas de Pequim, as portas da UE fossem fechadas. Mas a UE deixa uma brecha no futuro próximo para as vacinas de outras origens. Segundo ela, a autorização "poderia ser estendida às vacinas que tenham completado o processo de listagem de uso de emergência da OMS". A agência mundial deve aprovar a Sinovac até o final de maio.

A proposta estabelece que os países da UE devem permitir a viagem das pessoas que receberam, pelo menos 14 dias antes da chegada, a última dose recomendada de uma vacina que tenha recebido autorização de comercialização na UE. "Os Estados-membros também poderiam estender isto àqueles vacinados com uma vacina que tenham completado o processo de listagem de uso de emergência da OMS", recomenda.

Maior flexibilidade, mas Brasil não cumpre critérios

A UE também anunciou que está ampliando a lista de países que podem voltar a manter fluxo de turistas com o bloco europeu. Mas as taxas exigidas de contaminação ainda são mais rígidas do que é a situação brasileira, o que ainda impede que uma pessoa no país que não esteja vacinada possa viajar como turista para destinos europeus.

A flexibilidade, porém, permitirá que outras nacionalidades não vacinadas possam engrossar a massa de turistas na UE em meses considerados como críticos para a recuperação.

Até agora, um país precisava ter menos de 25 pessoas contaminadas para cada 100 mil habitantes para entrar na lista verde da UE. Com a proposta, a taxa sobe para 75 pessoas contaminadas para cada 100 mil.

Mas a UE também aponta que quer estabelecer um novo mecanismo de "freio de emergência" para suspender a entrada de nacionais de país caso variantes sejam identificadas.

Inclusão da CoronaVac dependerá da decisão de cada país da UE

Num longo debate na semana passada, os deputados europeus cobraram da Comissão Europeia que o novo documento não signifique a criação de novos obstáculos ou discriminações. As negociações vão se prolongar até junho, quando um texto final deve ser adotado.

Em um voto, o Parlamento aprovou sua posição negociadora que deixaria para que "cada um dos 27 estados do bloco decidir se também aceitariam certificados de vacinação dados por outros estados membros para vacinas listadas pela OMS".

Negociadores revelam à coluna que um dos obstáculos é como justificar que as praias gregas ou as lojas de Paris estarão fechadas aos cobiçados turistas chineses, justamente quando esses setores mais precisam de capital estrangeiro.


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