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Domingo 25.jul.2021

Ano IX - Nº 453

Cultura e Entretenimento

10 livros para ler em maio e valorizar a ciência

Textos inéditos de Dostoiévski, livro sobre grandes cientistas brasileiros e nova ficção do autor da saga 'Eragon' estão entre os destaques do mês

Postado em 18 de Maio de 2021 - Larissa Lopes – Galileu

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No mês de maio, as estantes das livrarias estão repletas de novos títulos que nos fazem refletir sobre nossas relações — seja com o planeta, com a nossa alimentação, com novas pautas trabalhistas, com parceiros abusivos, com a educação ou com nós mesmos. Tudo isso com uma boa dose de ciência.

Entre os destaques estão o livro ilustrado Super-heróis da Ciência: 52 brasileiros e suas pesquisas transformadoras, que apresenta grandes nomes da ciência nacional às novas gerações, e obras sobre o meio ambiente, como Sob um céu branco: a natureza no futuroA planta do mundo.

Confira a seguir nossa seleção de livros completa:

1. Super-heróis da Ciência: 52 brasileiros e suas pesquisas transformadoras, de Ana Bonassa, Laura de Freita e Renan de Araújo (HarperKids, 160 páginas, R$ 54,90)

Quando o assunto é ciência brasileira, qual é o primeiro nome que vem à sua cabeça? Segundo uma pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT), apenas 5% dos brasileiros sabem citar algum pesquisador nacional. Dos que se lembram de ao menos um estudioso, 21% mencionam Marcos Pontes, astronauta e atual ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, e 3% citam o biólogo Atila Iamarino.

Para aumentar o conhecimento dos jovens sobre a ciência brasileira, as apresentadoras do canal Nunca Vi 1 Cientista e o cofundador do podcast ViaCast escreveram este livro que celebra as contribuições dos nossos pesquisadores para o avanço científico. Na obra, os autores apresentam as descobertas e trajetórias de cientistas como Adolfo Lutz, Vital Brazil, Carlos Chagas, César Lattes, Bertha Lutz, Nise da Silveira, Helena Nader, entre muitos outros. A edição é ilustrada por Bianca Nazari.

2. Dormir em um mar de estrelas, de Christopher Paolini (Rocco, 832 páginas, R$ 99,90)

Após o sucesso da saga Eragon, o autor norte-americano Christopher Paolini retorna às livrarias com uma space opera. Dormir em um mar de estrelas narra a história de Kira Naváres, uma cientista que investiga planetas não colonizados e descobre uma relíquia alienígena durante missões em busca de uma nova Terra. Em sua nave exploratória, Kira fica sabendo que algo vive dentro dela — o que a faz questionar sua condição humana. Em meio a um cenário apocalíptico, a cientista terá que enfrentar seus medos e levar esperança para as colônias de terráqueos que estão à beira da aniquilação.

A fim de construir esse novo universo ficcional, chamado de Fractalverse, Paolini consultou físicos e outros especialistas para entender como seriam as guerras sob a gravidade zero, como funcionam as naves espaciais, entre outras curiosidades.

3. Sob um céu branco: a natureza no futuro, de Elizabeth Kolbert (Intrínseca, 224 páginas, R$ 49,90)

Com um olhar mais otimista, a jornalista vencedora do Prêmio Pulitzer de Não Ficção de 2015 aborda em seu mais novo livro as soluções criadas por cientistas para minimizar o impacto da ação humana sobre o planeta. Em nova investigação, biólogos, engenheiros genéticos e especialistas em atmosfera respondem se é possível (e como) salvar o meio ambiente, mesmo depois de tantos danos causados a ele.

4. A planta do mundo, de Stefano Mancuso (Ubu Editora, 192 páginas, R$ 59,90)

“As plantas estão por toda a parte e suas aventuras se entrelaçam às nossas de maneira inevitável”, observa o botânico Stefano Mancuso, ganhador do prêmio Galileo de escrita literária de divulgação científica de 2018 pelo best-seller A revolução das plantas. Em sua nova obra, o fundador da neurobiologia vegetal reúne curiosidades históricas sobre o reino Plantae, como as árvores da liberdade plantadas na Revolução Francesa, as sementes enviadas até a Lua e os troncos especiais usados para fabricar os melhores violinos do mundo.

5. Transfeminismo, de Letícia Nascimento (Jandaíra, 191 páginas, R$24,90)

Escrito por Letícia Nascimento, travesti, negra e professora do curso Pedagogia da Universidade Federal do Piauí, o livro explica de forma didática conceitos como gênero, transgeneridade, mulheridade, feminilidade e feminismo. A obra faz um convite para que mulheres transexuais e travestis apresentem suas vivências e propõe que as pessoas se abram às existências que estejam fora do padrão binário e cisgênero.

“Neste livro, apresento o transfeminismo como parte do feminismo, como uma possibilidade de repensar as relações entre sexo-gênero-desejo e pluralizar as sujeitas do feminismo, de modo a superar universalidades e essencialismos limitantes à liberdade de performance de gêneros”, diz Nascimento na introdução da obra.

6. Na casa dos sonhos, de Carmen Maria Machado (Companhia das Letras, 360 páginas, R$ 59,90)

A contista, romancista e crítica norte-americana Carmen Maria Machado relata um relacionamento abusivo vivido com uma ex-namorada em seu primeiro livro de não ficção. Em Na Casa dos Sonhos, uma relação aparentemente encantadora se torna traumática sob as ações voláteis, explosivas e paranoicas da ex-parceira, cuja identidade não é revelada na obra. Para a autora, o livro é uma oportunidade para que a comunidade LGBTQA+ converse honestamente sobre violência doméstica.

7. A (des)educação do negro, da Carter G. Woodson (Editora Edipro, 128 páginas, R$ 31,90)

Com prefácio do rapper Emicida, esta clássica obra da luta antirracista é relançada no Brasil e convoca o leitor a refletir sobre como a educação por ser usada como instrumento de transformação para pessoas negras.

Considerado o “pai da história negra dos Estados Unidos”, Carter G. Woodson foi filho de escravos e trabalhou em minas de carvão no estado da Virgínia antes de se tornar um historiador e escritor formado pela Universidade de Chicago. Em 1912, tornou-se o segundo afro-americano a obter um PhD pela Universidade de Harvard — o primeiro foi o sociólogo e também historiador W. E. B. Du Bois.

O livro A (des)educação do negro foi escrito após mais de quatro décadas atuando como professor, inclusive em Harvard, e levanta críticas à educação formal e eurocentrada, que despreza a história e a cultura africanas e vê saberes de outras culturas como algo inferior.

8. Delivery Fight! - A luta contra os patrões sem rosto, de Callum Cant (Editora Veneta, 232 páginas, R$44,90)

Ao longo de oito meses, o escritor e pesquisador londrino Callum Cant trabalhou como entregador da maior empresa de delivery do Reino Unido, a Deliveroo. Nesse meio-tempo, ele participou da organização de greves e acompanhou as tentativas de sindicalizar tal trabalho. Em seu livro de estreia, ele relata dificuldades como o risco de acidentes e a pressão das empresas por pagar cada vez menos aos entregadores, além de vantagens como não ter chefe e a criação de redes de resistência entre os trabalhadores.

"Aqui temos uma discussão oportuna e perspicaz sobre as condições enfrentadas pelos trabalhadores da nova economia”, considera Helen Hester, professora da Universidade de West London, instituição onde o escritor obteve doutorado e se especializou na auto-organização de trabalhadores de pubs, call centers e aplicativos no Reino Unido. “Poderosamente escrito e politicamente urgente, Delivery Fight! deveria ser uma leitura essencial para qualquer um que busque compreender — e desafiar — a precariedade na era do capitalismo de aplicativo."

9. Crônicas de Petersburgo, de Fiódor Dostoiévski (Editora 34, 96 páginas, R$ 42)

Outra forma de conhecer a dinâmica das cidades é através da ficção. Em Crônicas de Petersburgo, Fiódor Dostoiévski apresenta ao leitor a antiga capital imperial da Rússia, grande protagonista da obra. Publicados em folhetins durante a juventude do autor, em 1847, os textos já revelavam algumas características marcantes do autor, como sua escrita ágil, ironia afiada e lirismo comovente. Inédito no Brasil, Crônicas de Petersburgo é um trabalho traduzido por Fátima Bianchi, professora de língua e literatura russa da Universidade de São Paulo.

10. Nutricionismo: a ciência e a política do aconselhamento nutricional (Editora Elefante, 468 páginas, R$ 59,90)

Nesta obra, o professor e pesquisador australiano Gyorgy Scrinis fala sobre os riscos de tentar explicar todos os problemas alimentares em termos de nutrientes, criticando visões reducionistas da nutrição.

“Não importa se você é estudante de nutrição ou não, se gosta de cozinhar ou se prefere só comer, se é leigo ou profissional: esse livro é para todos que se interessam em saber mais sobre a trajetória desse campo do conhecimento, e queiram viajar pela era do nutricionismo bom vs. ruim, passar pelo nutricionismo funcional e chegar na constatação de que comer é de fato um ato político e que os alimentos são muito mais completos e sabidos do que a soma dos seus nutrientes individuais”, avalia Paula Johns, socióloga e fundadora da organização não governamental ACT - Promoção da Saúde.

Para marcar o lançamento do livro no Brasil, a editora Elefante irá promover um bate-papo com o autor Gyorgy Scrinis e a chefe de cozinha Rita Lobo. O evento virtual será realizado em parceria com a ACT e o projeto jornalístico O Joio e O Trigo. A transmissão está marcada para o dia 17 de maio, às 18h, no canal da ACT no Youtube.


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