Semana On

Quarta-Feira 29.set.2021

Ano X - Nº 461

Poder

Candidato de centro a presidente ainda não deu o ar de sua graça

Datafolha escancara a debilidade da 'terceira via'

Postado em 14 de Maio de 2021 - Ricardo Noblat (Metrópoles), Josias de Souza (UOL) - Edição Semana On

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Por ora, a eleição presidencial daqui a 20 meses será travada por apenas dois nomes com chances de vencer, segundo a pesquisa de intenções de voto do Datafolha, a primeira aplicada presencialmente: Lula e Bolsonaro. Não tem para mais ninguém.

Ciro Gomes, do PDT, que será pela quarta vez candidato? Foi rebaixado pela entrada de Lula no páreo. Antes, apostava em atrair boa parte dos votos da esquerda. Agora, ambiciona os votos do centro direita para tirar Bolsonaro do primeiro turno.

João Doria, do PSDB, governador de São Paulo e pai da vacina? Reúne míseros 3% das intenções de voto e enfrenta forte resistência dos seus governados. Eles o rejeitam até quando reconhecem que, se não fosse Doria, não se vacinariam tão cedo.

Sergio Moro, o ex-juiz? É carta fora do baralho. Não só porque anunciou que não se candidatará, mas porque os políticos em geral não o suportam. Moro criminalizou a política, e os políticos querem vê-lo morto e enterrado. Não há acordo possível entre eles.

Luciano Huck, o apresentador do programa das tardes de sábado na Rede Globo de Televisão? Seu destino é trocar de dia, sucedendo Faustão nos fins de tarde do domingo. É jovem, pode esperar que a fila ande e trocar de palco mais adiante.

Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde? Esse até quer ser candidato e deixa boa impressão por onde passa. Mas seu partido, o DEM, está em liquidação e sem cacife para alçar voo. Mandetta admite disputar o governo do Rio ou uma vaga no Senado.

Faltou algum nome na lista dos pretendentes a candidato do centro? O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e o governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSDB) foram lançados só para atrapalhar a vida de Doria, e estão atrapalhando.

O deputado Aécio Neves (PSDB-MG) encabeça um movimento para que seu partido não tenha candidato próprio a presidente. Ele e boa parte dos seus pares estão interessados na grana do Fundo Partidário para se reeleger. Sobrará mais grana para eles.

Em resumo: quem souber do paradeiro de um viável candidato de centro a presidente da República será regiamente gratificado.

Com que roupa?

O Datafolha traduziu em números a superpolarização em que está metida a política brasileira. Ressuscitado pelo Supremo, Lula prevaleceria com folgas sobre o rival Bolsonaro se o brasileiro tivesse que ir às urnas hoje. No primeiro turno, o placar seria de 41% a 23%. No segundo, 55% a 32%. Além de acentuar o peso dos extremos, a pesquisa escancara a debilidade da chamada "terceira via". Fala-se muito no centro. Falta informar como se chega ao centro.

Abaixo de Lula e Bolsonaro há um bololô de presidenciáveis ou pretensos candidatos. Alguns desses personagens, embora já jurados de morte pela conjuntura, percorrem os bastidores como se estivessem cheios de vida. Estão colados nos fundões do palco Sergio Moro (7%), Ciro Gomes (6%), Luciano Huck (4%) e João Doria (3%) que, mesmo brandindo a CoronaVac, só não é o lanterninha porque abaixo dele estão Henrique Mandetta e João Amoêdo, empatados em 2%.

Quem busca uma alternativa qualquer à Bolsonaro e Lula está em apuros.

Se o Datafolha serviu para alguma coisa foi para realçar o seguinte: Unido, o centro talvez se credencie para desafiar a polarização. Separados, os candidatos alternativos chegarão a 2022 entoando Noel Rosa: "Com que roupa eu vou..." Nessa hipótese, o eleitor será convidado para um samba no qual terá de optar entre Bolsonaro, um candidato sem futuro, e Lula, um oponente com um enorme passado pela frente.


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