Semana On

Segunda-Feira 21.jun.2021

Ano IX - Nº 448

Poder

Lula lidera com folga a corrida presidencial de 2022, com 41% da preferência no 1º turno

No segundo turno, o ex-presidente levaria a presidência com 55% dos votos, contra 32% de Bolsonaro

Postado em 14 de Maio de 2021 - Felipe Betim (El País), Ivan Longo (Fórum), Leonardo Sakamoto (UOL) – Edição Semana On

Foto: Ricardo Stuckert Foto: Ricardo Stuckert

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Faltando mais de um ano para as eleições presidenciais de 2022, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com folga as intenções de voto já no primeiro turno e venceria o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no segundo com ampla diferença de apoio, segundo a pesquisa Datafolha divulgada no último dia 12. O petista aparece com 41% das intenções de voto na primeira etapa contra 23% do atual mandatário. No segundo turno, o ex-presidente levaria a presidência com 55% dos votos, contra 32% de Bolsonaro.

A pesquisa foi feita de forma presencial com 2.071 pessoas, em 146 municípios, nos dias 11 e 12 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Trata-se do primeiro levantamento do Datafolha feita após o ex-presidente Lula recuperar seus direitos políticos. Dois meses antes, em 8 de março, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, anulou as condenações judiciais do petista sob a justificativa de que a 13ª Vara de Curitiba não era competente para julgá-lo. A decisão foi posteriormente confirmada pelo colegiado do Supremo.

Além disso, a pesquisa ocorre em meio a uma CPI no Senado para apurar as irregularidades e negligências do Governo Bolsonaro durante a pandemia de coronavírus, que já matou quase 430.000 pessoas, segundo os dados do Ministério da Saúde. Paralelamente, Lula já se movimenta no mundo político. Na última semana ele esteve em Brasília e se encontrou com líderes partidários do centrão com o intuito de articular uma frente contra Bolsonaro em 2022.

No levantamento, o Datafolha também diz que os adversários de Lula e de Bolsonaro na corrida presidencial aparecem distantes e não alcançam 10% da preferência. Nesse grupo estão o ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro (sem partido), com 7% dos votos; o ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes (PDT), com 6%; o apresentador Luciano Huck (sem partido), com 4%; o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), com 3%; e, empatados com 2%, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) e o empresário João Amoêdo (Novo).

Juntos, eles somam 24% da preferência do eleitorado e aparecem praticamente empatados com Bolsonaro. Além disso, a soma de todos os adversários de Lula, incluindo Bolsonaro, aparecem com 47% dos votos no primeiro turno, apenas seis pontos a mais que o petista. Ainda de acordo com a pesquisa, 9% disseram que pretendem votar em branco, nulo ou em nenhum candidato. Outros 4% se disseram indecisos.

Num eventual segundo turno contra Bolsonaro, Lula herdaria a maioria dos votos de Doria, Ciro e Huck, marcando 53%. Já Bolsonaro herdaria a maior parte dos votos de Moro e marcaria 32%. O ex-presidente também venceria Moro (53% a 33%) e Doria (57% a 21%) com ampla margem no segundo turno.

Por sua vez, Bolsonaro empataria tecnicamente com Doria num eventual segundo turno, com 39% para o mandatário de ultradireita e 40% para o tucano. Mas perderia de Ciro, que marcaria 48% contra 36% do atual presidente.

Poderdata

Poucas horas após pesquisa Datafolha mostrar que o ex-presidente Lula venceria Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2022 com ampla vantagem, o site Poder 360 divulgou um levantamento que aponta a mesma tendência.

No estudo PoderData, o petista soma 50% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 35% do atual presidente – uma diferença de 15 pontos percentuais.

Segundo a nova pesquisa, Lula é o virtual candidato com mais chances de derrotar Bolsonaro no segundo turno, visto que o único que também poderia vencer o presidente, mas com uma diferença menor, é Luciano Huck: o apresentador de TV soma 46% das intenções de voto, contra 38% do ex-militar.

Todos os outros possíveis postulantes ao Planalto, de acordo com o PoderData, perderiam ou empatariam com Bolsonaro. Em uma disputa com Ciro Gomes (PDT), o presidente tem 41%, contra 38% do pedetista. Já se o segundo turno fosse entre Bolsonaro e João Doria (PSDB), o ultradireitista venceria com 42%, enquanto o tucano soma 32%.

Confira, abaixo, todas as simulações de segundo turno feitas pela pesquisa.

Bolsonaro (35%) x Lula (50%)

Bolsonaro (38%) x Huck (46%)

Bolsonaro (41%) x Ciro (38%)

Bolsonaro (42%) x Doria (32%)

Bolsonaro (38%) x Moro (37%)

Bolsonaro (40%) x Mandetta (37%)

Lula (37%) x Huck (33%)

A pesquisa PoderData contou com 2.500 entrevistas feitas em todo o país entre os dias 10 e 12 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Bolsonaro melhora popularidade, mostra Atlas

Os números apresentados pelo Datafolha surgem dias após pesquisa Atlas Político, divulgada na última pelo EL PAÍS. Nela, Bolsonaro lidera numericamente a corrida no primeiro turno, quer com a presença de Lula ou não. Com o petista, aparece em empate técnico. Ambos tiveram melhor desempenho em maio em relação a março. Bolsonaro foi de 32,7% de intenção de votos há dois meses para 37%. Já Lula foi de 27,4% em março para 33,2% em maio na simulação de intenções de voto no primeiro turno.

Apesar das diferenças, Lula também aparece na Atlas como o único que continua vencendo o atual ocupante do Planalto em 2022 em um eventual segundo turno, fora da margem de erro da pesquisa, feita pela internet com questionários aleatórios. O ex-presidente aparece com 45,7% contra 41% de Jair Bolsonaro, uma diferença de quase cinco pontos percentuais, quando a margem de erro da pesquisa é de dois pontos.

A pesquisa Atlas também mostrou que Bolsonaro obteve uma melhora em seu nível de popularidade neste mês de maio em relação a março. De acordo com os números, 40% da população aprova o desempenho do ultradireitista, contra 35% em março. A desaprovação também teve leve queda e foi de 60%, há dois meses, para 57% agora. Na terça, pesquisa XP/Ipespe, mostrou que a aprovação do presidente oscilou positivamente maio (de 27% para 29%, dentro da margem de erro, de 3,2 pontos percentuais). Quanto aos cenários eleitorais, o levantamento da XP mistra Lula e Bolsonaro empatados com 29% no primeiro turno e também em empate no segundo.

Sem salto alto

O resultado da pesquisa Datafolha teria confirmado, segundo interlocutores, a percepção do ex-presidente de que um levantamento realizado de forma presencial, como esta pesquisa, mostraria que ele está bem colocado na disputa pelo Palácio do Planalto. Mas Lula quis afastar a seus interlocutores a precipitação do "salto alto". O que, claro, foi devidamente narrado através de uma metáfora futebolística.

"É melhor estar na frente do que atrás na tabela. Mas há muitas rodadas até o final do campeonato ainda. Há muitos times que estão contundidos ou ainda não se encontraram, mas que podem surpreender lá na frente. Acreditar que esse resultado vai continuar até o final é subir no salto só para depois cair de cara no chão." A explicação foi repassada à coluna por uma pessoa próxima ao petista.

Isso não deixa de ser um lugar comum na política, mas as fontes ouvidas pela coluna disseram que Lula não está falando isso da boca para fora. E citam como o exemplo o DEM, que saiu das eleições municipais sendo considerado peça-chave para 2022.

"Daí, veio a eleição da Câmara dos Deputados, que beneficiou Bolsonaro, e a decisão do STF, que garantiu os direitos políticos de Lula, e tudo mudou para o partido", afirmou um dos ouvidos.

Outro interlocutor lembra que pesquisas internas do PT apontavam que Lula poderia ganhar no primeiro turno em 2018, porém ele foi preso após condenação em segunda instância no âmbito da operação Lava Jato. "Se há alguém que sabe que as coisas mudam de uma hora para outra, esse alguém é ele", afirmou.

Com o resultado do Datafolha debaixo do braço, contudo, Lula reconhece que é mais fácil negociar com forças políticas nos estados. Ela reforçaria um cenário político que já estava se moldando após anulação de suas condenações por parte do Supremo Tribunal Federal e a declaração, pela Segunda Turma da corte, de que o ex-juiz Sergio Moro não havia sido imparcial ao julgá-lo.

Parte de políticos do centrão das regiões Norte e Nordeste, que está ao lado de Bolsonaro, por exemplo, não teria problemas em se voltar para Lula na eleição, caso ele se mostre bem colocado junto às suas bases. Isso racharia o grupo que, hoje, dá sustentação ao presidente.

Outros resultados do Datafolha alegraram o círculo próximo do ex-presidente.

"Houve uma degradação da imagem de Bolsonaro junto às classes mais populares. Ele ainda pode melhorar caso o emprego reaja de agora em diante", afirmou outro interlocutor próximo ao ex-presidente. "Contudo, não tem muito para onde correr. Ele fica batendo na tecla de que o país sofre com as quarentenas, mas nos lugares mais pobres, a vida já voltou praticamente ao normal em termos de isolamento. E nada melhora", conclui.

Datafolha apontou que a aprovação de Bolsonaro caiu de 30% em março para 24% agora, a pior marca de seu mandato. O retorno do auxílio emergencial em um patamar mais baixo do que no ano passado (R$ 150, R$ 250 ou R$ 375 mensais, sendo que o piso compra apenas 23% da cesta básica em São Paulo, segundo o Dieese) não ajudou o presidente, deixando parte dos trabalhadores informais insatisfeita.

"Bolsonaro está pegando a pecha de presidente incompetente e confuso. Pode mudar essa percepção até a eleição, mas vai ter que se esforçar", afirmou outro dos ouvidos.


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