Semana On

Domingo 17.out.2021

Ano X - Nº 463

Coluna

Solidariedade a Sônia Guajajara, Almír Suruí, Davi Kopenawa

O Movimento Indígena está em defesa da vida de todos nós

Postado em 13 de Maio de 2021 - Ricardo Moebus

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Notícias chegam da guerra civil entre garimpeiros atirando contra os indígenas Yanomami dentro do próprio território Yanomami.

Denúncias que se repetem e se avolumam com o passar destes primeiros meses de 2021.

Anteriormente a Justiça Federal já havia determinado uma multa diária de um milhão de reais à União por não retirar garimpeiros da Terra Indígena Yanomami, exigindo apresentação de um plano emergencial e determinando 10 dias de prazo para  o início da desintrusão. O prazo caducou, os invasores aumentaram e ameaçam cada vez mais os indígenas.

A novidade é que a relação entre o garimpo ilegal e o crime organizado vai se tornando cada vez mais clara e evidente. Nos últimos conflitos contra os indígenas, homens chegaram fortemente armados, atirando contra os indígenas, e declarando seu vínculo com a organização criminosa PCC.

Os indígenas não estão enfrentando “garimpeiros” em seu território, é preciso ultrapassar este eufemismo, os indígenas estão enfrentando, dentro de seus próprios territórios, as piores e maiores forças do crime organizado, do Estado paralelo. Enquanto enfrentam, simultaneamente, o ataque do Estado oficial.

Lideranças indígenas estão, ao mesmo tempo, ameaçadas de morte pelo Estado paralelo e acusadas de crime pelo Estado oficial.

Os indígenas resistem de todas as maneiras possíveis, como declarou recentemente a liderança Davi Kopenawa, em reportagem do “Amazônia Real”: “Essa é a nossa luta e vamos continuar denunciando. Vamos lutar sem medo, estamos defendendo nosso direito, a nossa Terra Mãe. Eles não podem roubar a nossa Terra. Essa é a minha luta junto com os novos guerreiros.”

Enquanto milhares de “garimpeiros” armados invadem insolentemente inúmeros territórios indígenas, seja no Pará, seja no Amazonas, seja em Roraima, a FUNAI – Fundação Nacional do Índio, que deveria ser o órgão de defesa dos povos indígenas, apresenta denúncias crime contra as lideranças indígenas. Primeiro Sônia Guajajara, coordenadora da APIB - Articulação dos Povos indígenas do Brasil, depois Almir Suruí, liderança histórica do povo indígena Suruí em Rondônia.

Segundo decisão do próprio juiz federal Frederico Botelho de Barros, que determinou o arquivamento do inquérito que investiga a liderança indígena Sônia Guajajara, as denúncias da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) “não trazem quaisquer indícios, mínimos que fossem, de existência de abuso de exercício de direito ou de cometimento de qualquer espécie de crime, seja contra terceiros, seja contra a União”.

Também a Polícia Federal pediu o arquivamento do inquérito contra a histórica e internacionalmente reconhecida liderança indígena de Rondônia Almír Suruí.

O inquérito foi instaurado na delegacia de Polícia Federal de Ji-Paraná, Rondônia, após representação da FUNAI.

As acusações feitas pela FUNAI, que deveria defender os povos indígenas, que estão sendo negadas pela justiça e polícia federal,  demonstram uma nítida tentativa de intimidação e criminalização do movimento indígena, das lideranças indígenas, em última instância, criminalização da existência – Re-existência indígena no Brasil.

Este é o movimento de toda a fração da sociedade brasileira que seja comprometida com a democracia e a defesa da vida, declarar sua solidariedade aos povos indígenas, seu apoio ao emergente movimento indígena, sua aliança com as importantes lideranças indígenas ameaçadas, que a cada dia nos dão uma aula de re-existir na diferença.


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