Semana On

Domingo 28.nov.2021

Ano X - Nº 469

Coluna

A urgência do amor pelos outros

No meio da emergência, pratiquemos o bem

Postado em 21 de Abril de 2021 - Theresa Hilcar

Ilustração: SAÚDE/SAÚDE é Vital Ilustração: SAÚDE/SAÚDE é Vital

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Estou em frente ao computador tentando escrever a crônica semanal. Tentando porque ainda estou atônita. Acabei de fazer matéria sobre o Boletim da Covid 19, tarefa que desempenho três vezes por semana com dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde.

Os números sempre me assustam. Não obstante ostentar o primeiro lugar na lista de vacinação no País, a situação no Estado continua caótica. E o MS não está sozinho. Com raríssimas exceções, a maioria das cidades brasileiras vivem o colapso na saúde. Difícil ter inspiração numa hora dessas.

Adivinhando a minha aflição para enfileiras as palavras, recebo do querido amigo e sociólogo Paulo Cabral, um texto que cai como luva.  Percebo logo de cara uma incrível sintonia com o autor. A cada frase percebo   as semelhanças de pensamentos, presentes também nas minhas crônicas de Pandemia.  

Há quem diga que não existem coincidências. O que existe é o chamado “Efeito borboleta”, cujo bater de asas em um determinado local pode causar um tornado em outro diferente e distante. Talvez seja por isto eu tenha recebido e lido o texto. De acordo com esta trajetória, decido compartilhá-lo na íntegra. 

Quem escreve é Kaguta Museveni presidente de Uganda que, logo no início, coloca o dedo na ferida:  "Deus tem muito trabalho, ele tem o mundo inteiro para cuidar. Ele não pode simplesmente estar aqui no Uganda, a cuidar de idiotas ...”. E segue com estocadas no mesmo tom: 

“Numa situação de guerra, ninguém pede a ninguém para ficar dentro de casa. Você fica dentro de casa por opção. De fato, se você tiver um porão, fica escondido lá enquanto as hostilidades persistirem.

 Durante uma guerra, você não insiste na sua liberdade. Você voluntariamente desiste dela em troca da sua sobrevivência. Durante uma guerra, você não se queixa de fome. Você sente fome e reza para que viva de novo para comer.

Durante uma guerra, você não discute sobre abrir as portas do seu negócio. Você fecha a sua loja (se tiver tempo) e corre pela sua vida.

Você reza para sobreviver à guerra para poder voltar ao seu negócio (isto, se não tiver sido saqueado ou destruído por um morteiro). Durante uma guerra, você fica grato por estar mais outro dia na terra dos vivos.

Durante uma guerra, você não se preocupa com o fato dos seus filhos não irem à escola. Você reza para que o governo não os aliste à força como soldados para serem treinados nas dependências da escola, agora transformadas em depósito militar. 

O mundo está atualmente em estado de guerra.  Uma guerra sem armas e balas. Uma guerra sem soldados humanos. Uma guerra sem fronteiras. Uma guerra sem acordos de cessar-fogo. Uma guerra sem um teatro de guerra. Uma guerra sem zonas sagradas. 

O exército nesta guerra não tem piedade. Ataca indiscriminadamente - não respeita crianças, mulheres ou locais de culto. Este exército não está interessado em espólios de guerra. Não tem intenção de mudança de regime. Não está preocupado com os ricos recursos minerais.

Nem sequer se interessa por hegemonia religiosa, étnica ou ideológica. A sua ambição não tem nada a ver com superioridade racial. É um exército invisível, sem bases e impiedosamente eficaz.

A sua única agenda é uma colheita de morte. Só ficará saciado depois de transformar o mundo num grande campo de morte. A sua capacidade de atingir o seu objetivo não está em dúvida.

Sem máquinas terrestres, anfíbias ou aéreas, possui bases em quase todos os países do mundo. O seu movimento não é governado por nenhuma convenção ou protocolo de guerra. Em suma, é uma lei em si mesma. É o coronavírus. Também conhecido como COVID-19. 

Felizmente, este exército tem uma fraqueza e pode ser derrotado. Requer apenas a nossa ação coletiva, disciplina e tolerância. O COVID-19 não pode sobreviver ao distanciamento social e físico. Ele só prospera quando você o confronta. Adora ser confrontado. Capitula diante do distanciamento social e físico coletivo. Ele curva-se diante de uma boa higiene pessoal. 

Fica desamparado quando você toma o seu destino com as suas próprias mãos, mantendo-as higienizadas o máximo tempo possível. 

Não é hora de chorar por pão com manteiga como crianças mimadas. Temos de achatar a curva do COVID-19. Vamos exercitar a paciência. Sejamos guardadores dos nossos irmãos.

Se assim fizermos, em pouco tempo, recuperaremos a nossa liberdade, empresas e a socialização.  No meio da EMERGÊNCIA, pratiquemos a urgência do serviço e a urgência do amor pelos outros”, termina.

Uganda, país do continente africano com população estimada em 46,7 milhões de pessoas, tem o total de 41,174 casos da doença e 337 óbitos registrados até o momento. Em todo o país 21 pessoas são infectadas por dia.

Convenhamos, uma nação que já foi governado pelo tirano Idi Amim, responsável direto pelo assassinato de 300 mil pessoas durante seu governo que foi de 1971 até 1979, que já foi vítima de vários golpes de Estado, está se comportando como modelo de civilidade.

Dá até vontade de gritar em alto e bom som: copia, Brasil! As quase 400 mil famílias enlutadas penhoradamente agradecem.


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