Semana On

Domingo 28.nov.2021

Ano X - Nº 469

Coluna

Encontro da quarentena

Um poema de Régis Moreira

Postado em 14 de Abril de 2021 - Régis Moreira

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Quando cai a noite

Ela aparece pro nosso encontro

Tira-me do isolamento

Coloca-me em órbita

Dimensionando minha pequenez

Diante da sua grandeza

Meus breus

Perto de sua luz prateada

Meus vazios

Se comparado à sua fase cheia

E me enche de novos possíveis

Outros esperançares

Na renovação que me ensina

Quieta

Iluminada

Ocupa meu confinamento

No movimento fugaz vivo

De que tudo gira

E outras voltas hão de surgir

Enquanto olho pra minhas mãos peludas

E vejo outros pelos crescerem

Mutação bicho

Lobisomem enjaulado

O uivo engolido me consome por dentro

Enquanto as ruas perplexas

Clamam por nosso retorno

Mato adentro

No clarão pandêmico

Respiro tentando controlar

Os desesperos dos lutos

Não há trégua

Na necropolítica instaurada

Diante do horror dos dias

Somente sua beleza

É capaz de aplacar o dragão

Dominado por Ogum

Na miragem de minha contemplação   

Vacina já

Pra todes!

Plena alta inteira

Envolve-me todo

Dela, o guerreiro valente

Protege e abre os caminhos

Faço preces

Queimo incensos

Dia 23 é dia de Jorge

E no clarão do instante já

Do presente agora

Faço sua oração:

Eu andarei vestido e armado com as armas de Jorge

Para que meus inimigos,

Tendo pés não me alcancem,

Tendo mãos não me peguem,

Tendo olhos não me vejam,

E nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo, 

Meu corpo não alcançarão

Facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar,

Cordas e correntes se arrebentem

Sem o meu corpo amarrar

Salve Jorge

Ogunhê, Patacuri Ogun”

 

Régis Moreira


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