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Terça-Feira 26.out.2021

Ano X - Nº 464

Saúde

Entenda ponto a ponto a vacina contra a Covid-19 que será produzida pelo Butantan

Vacina vai usar tecnologia semelhante à da CoronaVac e de vacinas contra a gripe. Expectativa é de produção a partir de maio

Postado em 26 de Março de 2021 - G1

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O Instituto Butantan, em São Paulo, anunciou, nesta sexta-feira (26), que está desenvolvendo a Butanvac, nova candidata a vacina contra a Covid-19. A vacina é a primeira, contra qualquer doença, a ser desenvolvida completamente no Brasil.

1. Como será a vacina? Qual tecnologia ela vai usar?

A Butanvac será feita com as tecnologias de vírus inativado e de vetor viral. O modo de produção é semelhante ao da vacina da gripe que é produzida pelo Butantan – usando ovos no processo.

Entenda cada parte, explicada pelo diretor Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri:

- A plataforma de vírus inativado é a usada nas vacinas da gripe, que tomamos todos os anos, e na CoronaVac, desenvolvida pela chinesa Sinovac e que está sendo envasada no próprio Butantan. Nesse tipo de vacina, o vírus é colocado inteiro dentro da vacina (veja infográfico), mas não é capaz de causar a doença.

- Já a tecnologia de vetor viral é usada na vacina de Oxford – que, assim como a CoronaVac, está sendo aplicada no Brasil. Nesse tipo de vacina, um outro vírus, o vírus vetor, é modificado geneticamente para "carregar" uma parte do código genético do coronavírus dentro dele (veja infográfico).

- Nas vacinas de vetor viral, nenhum dos dois vírus tem o poder de causar doença. Nenhuma vacina contra o coronavírus pode causar a Covid-19.

- A Butanvac vai usar as duas plataformas. Um outro vírus – o da doença de Newcastle, da família do sarampo, neste caso – vai ser modificado geneticamente para "carregar" um pedaço do coronavírus dentro dele. Esse vírus será o vetor.

- O pedaço do coronavírus que o vetor vai carregar é o código genético que dá as instruções de como fazer a proteína S. A proteína S é a que o vírus usa para infectar as nossas células.

- Esse vírus (da doença de Newcastle + pedaço do coronavírus) será colocado em ovos de galinha. No ovo, as células que estão ali vão "ler as instruções" para fabricar a proteína S e replicar o vírus: ou seja, vão produzi-lo em maior quantidade.

- O vírus precisa ser colocado no ovo porque ele não consegue se replicar sozinho, ele precisa das células.

- Quando houver vírus em grande quantidade dentro do ovo, esses vírus serão retirados dali, inativados e fragmentados.

- Esse vírus inativado e fragmentado é o que vai para a vacina. Esse é o chamado ingrediente farmacêutico ativo (IFA).

- Os vírus não poderão causar doença – nem a Covid, nem a doença de Newcastle.

A vacina contra a gripe é feita de forma semelhante a esse processo. A diferença é que, no caso da gripe, o vírus que é colocado dentro do ovo não tem vetor. Esse tipo de produção é seguro e de baixo custo.

2. Quantas doses a vacina terá?

Os pesquisadores ainda não sabem. Existe a chance de que ela seja aplicada em apenas uma dose, mas isso ainda precisa ser testado.

Segundo o diretor do Butantan, Dimas Covas, a vacina é mais imunogênica do que as anteriores. Isso significa que ela tem capacidade de fazer o sistema de defesa do corpo criar defesas de forma mais eficiente contra o coronavírus. Por causa disso, é possível que seja dada em apenas uma dose, mas isso ainda não está determinado.

3. A vacina será segura?

Segundo o anúncio do Butantan, sim. O diretor do instituto, Dimas Covas, disse que o perfil de segurança da vacina é "excelente". "É seguro e é uma tecnologia tradicional", completou o diretor.

4. A vacina vai funcionar contra as novas variantes?

Também de acordo com o anúncio do Butantan, vai. A Butanvac já foi desenvolvida levando em consideração as novas variantes – inclusive a P.1, que foi detectada pela primeira vez em Manaus.

5. Quando começarão os testes? Quem vai poder se candidatar?

Os testes podem começar em abril se a Anvisa autorizar. Ainda não está claro quem vai poder se candidatar.


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