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Quinta-Feira 24.jun.2021

Ano IX - Nº 448

Coluna

Teólogos criticam posição do Vaticano contra união gay

Em declaração conjunta, mais de 230 estudiosos de língua alemã dizem que postura da Igreja Católica de se recusar a abençoar uniões do mesmo sexo é discriminatória e ‘marcada por um ar paternalista de superioridade’

Postado em 23 de Março de 2021 - DW

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Mais de 230 professores de Teologia de língua alemã publicaram uma declaração criticando a posição do Vaticano de que padres não podem abençoar uniões de pessoas do mesmo sexo.

Essa postura é "marcada por um ar paternalista de superioridade e discrimina os homossexuais e seus planos de vida", disseram.

Os acadêmicos da Alemanha, Áustria, Suíça e Holanda se distanciaram da posição do Vaticano: "Acreditamos que a vida e o amor de casais do mesmo sexo não valem menos para Deus do que a vida e o amor de qualquer outro casal."

Os signatários apontaram para a discrepância entre abençoar a pessoa, mas não a união, o que consideraram ter falta de "profundidade teológica" e "rigor argumentativo".

A Igreja Católica afirmou na semana passada sua política de receber homossexuais na Igreja, mas declarou que os padres "não podem abençoar o pecado".

O documento, que contém uma explicação de duas páginas, em sete idiomas, foi aprovado pelo papa Francisco. Ele distingue entre a Igreja continuar aceitando e abençoando os gays e lésbicas, e dar o reconhecimento sacramental a tais suas uniões, que poderiam ser confundidas com o matrimônio. O Vaticano defende que os homossexuais sejam tratados com dignidade e respeito, mas o sexo gay seria "intrinsecamente não ordenado".

O anúncio da Congregação para a Doutrina da Fé da Igreja irritou muitos católicos de língua alemã, ansiosos para ver o Vaticano abraçar o que veem como uma abordagem mais progressiva à homossexualidade e às parcerias do mesmo sexo.


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