Semana On

Domingo 22.mai.2022

Ano X - Nº 488

Poder

Cidades em que Bolsonaro gerou aglomerações veem piora e até colapso

Charlatão que empurra vermífugo é corresponsável pelos recordes da covid

Postado em 19 de Março de 2021 - Carlos Madeiro, Leonardo Sakamoto, Jamil Chade e Josias de Souza (UOL) - Edição Semana On

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Cidades que registraram aglomerações causadas por visitas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em fevereiro e março enfrentam hoje aumento no número de casos e mortes e, em alguns casos, colapso em suas redes de saúde.

O UOL buscou informações relativas à covid-19 nas cidades em que o presidente foi fotografado ou filmado sem máscara cumprimentando apoiadores aglomerados. Todas tiveram piora em seus quadros. Em pelo menos dois estados, os MPs (Ministérios Público) pediram investigação ao presidente pelos atos considerados irregulares por contrariarem restrições impostas na localidade.

No Acre, os MPs estadual e federal fizeram uma representação de Bolsonaro à PGR (Procuradoria-Geral da República). O documento, protocolado no último dia 17, traz fotos do presidente sem máscara e cercado por diversos apoiadores (a maioria também sem a proteção facial). A visita ocorreu no dia 24 de fevereiro, quando estavam proibidos quaisquer eventos que aglomerassem —o que foi descumprido. Na ocasião, quatro dias após a visita, o governador Gladson Cameli (PP) —que participou de atos com o presidente— anunciou estar com covid-19.

Depois da visita, diz a representação, a ocupação de leitos saltou de 88,7% para 96,2% —dado registrado no dia 8 de março.

“O cenário de superlotação de leitos (acima de 80%) foi verificado na primeira semana de março --poucos dias após a visita da comitiva presidencial. Não é necessário qualquer tipo de raciocínio avançado para perceber que a ação dos representados ignorou totalmente as medidas destinadas a mitigar a pandemia”, afirmaram os procuradores do Acre em representação contra Bolsonaro.

No mesmo dia, em Brasília, Bolsonaro ainda aglomerou de novo durante posse dos ministros João Roma, da Cidadania; e Onyx Lorenzoni, da Secretaria-Geral da Presidência.

Ceará também teve problema

Situação semelhante ocorreu no Ceará, onde Bolsonaro aglomerou em Tianguá, em 26 de fevereiro. No dia em que foi, 80% dos dez leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) estavam ocupados.

Quinze dias depois, não havia mais vagas e pessoas internadas estavam sendo transferidas para Sobral —que agora está com lotação máxima. Pacientes da cidade hoje precisam esperar uma vaga para internação.

A visita também levou o MPF a pedir investigação contra Bolsonaro por contrariar norma sanitária.

"Aquele momento era uma fase crucial da transmissão do vírus aqui no Ceará e havia um decreto. Houve uma aglomeração importantíssima. A UPA [Unidade de Pronto Atendimento] da cidade teve um crescimento de atendimentos, e hoje toda a região norte do estado —incluindo Tianguá— tem ocupação máxima, com gente aguardando transferência", explica o epidemiologista Antônio Lima Neto, professor e pesquisador da Unifor (Universidade de Fortaleza).

"Foi um grave desrespeito às autoridades locais e que trouxe consequências: o estado teve de entrar em lockdown por conta do aumento de casos."

Outras visitas

Outra cidade visitada por Bolsonaro que também teve piora no cenário foi Cascavel (PR). No dia 4 de fevereiro, quando Bolsonaro visitou a cidade e causou aglomeração, a ocupação de leitos de UTI para covid-19 estava com 76,5%. Quinze dias depois, esse percentual subiu para 90,6%. Hoje, praticamente todos esses leitos estão ocupados. A cidade, inclusive, baixou portaria para que, entre os dias 21 e 28 de março, supermercados, mercados e lojas de conveniência fechem até o meio-dia.

A pequena e paradisíaca São Francisco do Sul (SC) também foi vítima de aglomerações no dia 13 de fevereiro. Como sempre sem máscara, Bolsonaro cumprimentou dezenas de apoiadores nas ruas.

No dia em que Bolsonaro postou um vídeo da aglomeração, no sábado de Carnaval, a cidade tinha em média 12,4 novos casos registrados por dia de covid-19. Depois de duas semanas, essa média saltou para 24,5.

O número de internados também explodiu. Na véspera de Bolsonaro chegar, havia apenas três, saltando para 23, em 26 de fevereiro. Nesse mesmo dia, um decreto municipal suspendeu as aulas presenciais e adotou medidas mais restritivas.

A situação hoje é de colapso no estado, e o governo do Estado anunciou parceria com a prefeitura para a abertura de dez leitos de UTI no Hospital Nossa Senhora da Graça.

Em Boqueirão (PB), visitada por Bolsonaro em 19 de fevereiro, a média de casos diários saltou de 2,4, naquela data, para 3,5, no dia 5 de março. Na cidade não há leitos para tratamento covid-19 e os pacientes precisam ser levados para Campina Grande. O secretário de Saúde da Paraíba classificou a aglomeração do presidente como "descompromisso com a vida".

No caso de Uberlândia (MG), a visita do presidente ocorreu no dia 4 de março. Na data, a cidade já enfrentava um colapso na saúde —anunciado três dias antes pela prefeitura, afirmando que já tinha 100% dos leitos de UTI ocupados e 184 na fila de espera por uma vaga de UTI. Mesmo assim, Bolsonaro foi, aglomerou e os números só pioraram. No dia da visita, a cidade tinha uma média de 15,1 mortes. Quinze dias depois, essa média saltou para 23,6.

Charlatão que empurra vermífugo é corresponsável pelos recordes da covid

Com a ajuda de Jair Bolsonaro, remédios sem eficácia comprovada contra covid-19 têm sido empurrados para "tratamento precoce". E médicos, que recitaram o juramento de Hipócrates, prometendo não causar mal, agem como charlatães ao prescrever produtos enganosos, ajudando a construir o caos que temos hoje.

Médicos charlatães que empurram vermífugo também são responsáveis pelo recorde de mortes e os outros que estamos quebrando dia após dia. Pois sentindo-se protegidos pela existência de um (falso) "elixir mágico" que promete resolver a pereba logo no início e que, ainda por cima, tem como garoto-propaganda o próprio presidente da República, cidadãos rompem o isolamento social, se contaminam e contaminam os outros.

Afinal, acreditam que se pegar é só tomar o remédio e correr para o abraço.

O jornalista Leonardo Sakamoto conversou com dois médicos que estão na linha de frente, um de um hospital público do interior de São Paulo e outro de um hospital particular na capital paulista. Ambos, que pediram para não serem identificados, falaram de pacientes que chegaram ao pronto-socorro com baixa oxigenação e pulmões parcialmente comprometidos após terem se automedicado por dias.

Em comum nas histórias, o fato de que chegavam dizendo que não sabiam a razão de terem ficado tão doentes. "Fiz tudo direitinho, tomei o kit covid desde cedo", ouviu um deles.

O conteúdo desse pacote de remédios varia de local para local, mas normalmente contém hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, zinco, vitaminas, analgésicos, entre outros.

Alguns dos pacientes desses dois médicos sobreviveram para ter a chance de reclamar com os médicos e os governos que fizeram eles acreditarem em uma mentira. Outros, infelizmente, não tiveram tanta sorte.

Pessoas estão morrendo por causa de remédios sem eficácia

O repórter Hygino Vasconcellos trouxe, no último dia 16, no UOL, a história dos irmãos gêmeos Genilton e Jailson Rodrigues, de 47 anos, que morreram de covid-19 com uma diferença de dois dias em Ponta Grossa (PR). Quando procuraram atendimento médico, receberam um kit covid e voltaram para casa. A situação deles piorou e tiveram que ser internados. Mas já era tarde.

Outra reportagem do UOL, de Leonardo Martins, traz relato de médicos e enfermeiros com pacientes internados em leitos de UTI que confessaram terem tomado vermífugo (ivermectina) de forma preventiva ou diante dos primeiros sintomas. O próprio fabricante desse produto diz que não encontrou resultados que comprovassem a eficácia dele contra a doença.

"Quando vou intubar a pessoa, ela reclama: 'doutor, eu tomei ivermectina em casa, não é possível'. Eu tento explicar que ele não tem verme, mas não ajuda em nada na covid", afirmou um dos enfermeiros ouvidos por Martins.

A infectologista Marise Reis, membro do comitê científico do Rio Grande do Norte, afirmou, em entrevista à TV Globo, que mais de 90% dos pacientes internados nas UTIs com covid-19 no estado tomaram remédio sem eficácia comprovada para a doença.

"Não adianta as pessoas se esconderem por trás de um comprimido de ivermectina, achando que ele vai te proteger. Não vai", afirmou.

Isso sem contar as tristes ironias que vão ficando pelo caminho. No último sábado (13), o deputado estadual mato-grossense Silvio Antônio Fávero (PSL) morreu por complicações da covid-19 após nove dias internado. Ele havia defendido na Assembleia Legislativa a distribuição do kit covid por parte do poder público. E em fevereiro deste ano, apresentou projeto de lei "para assegurar o direito de o cidadão escolher ou não pela vacinação".

Em um dos lances mais bizarros desde que começou a pandemia, terraplanistas biológicos do Ministério da Saúde, sob o comando de Eduardo Pazuello, pressionaram a Prefeitura de Manaus a distribuir hidroxicloroquina e ivermectina como tratamento precoce para a covid em janeiro. Enquanto isso, manauaras com covid morriam sufocados nos hospitais por falta de fornecimento de oxigênio.

Remédios, como a ivermectina, são uma ilusão contra a covid

Na esmagadora maioria dos casos, nosso sistema imunológico é capaz de dar conta da doença, produzindo anticorpos e eliminando o coronavírus de forma eficaz. Ao apontar um remédio ineficaz como solução para casos leves, políticos e médicos estão, na verdade, tentando roubar o mérito por algo que o organismo já faria por conta própria.

E isso cola em uma parte da população. Afinal, o que tem mais a cara de ser responsável por vencer uma guerra contra uma doença mortal: estruturas microscópicas que cada um tem dentro de si, os glóbulos brancos, ou um produto milagroso distribuído com pompa e circunstância e que é alvo de elogios semanais do presidente em suas lives?

E nos casos em que a doença evolui para a morte? Daí é a estratégia discursiva adotada por Bolsonaro tem sido a do "eu lamento todos os mortos, mas é o destino de todo mundo", como afirmou em 2 de junho.

Sem rodeios, o médico sanitarista e fundador da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Gonzalo Vecina, afirmou à TV Cultura: "na minha área tem muito médico burro, que ainda dá cloroquina".

Deveríamos estar distribuindo auxílio emergencial no valor suficiente para as famílias sobreviverem com dignidade e não a miséria que o governo Bolsonaro vai começar a pagar. E fechando o que for possível no país para garantir que o vírus pare sua escalada, garantindo o máximo de proteção possível para os trabalhadores que tiverem que continuar usando transporte público, por exemplo. Distribuindo máscaras PFF2/N95, por exemplo.

Há médicos guiados pela ciência que salvam vidas. E há aqueles guiados por Bolsonaro, que as colocam em risco.

Dez razões por que o Brasil de Bolsonaro lidera o mundo em mortes diárias

"A gente pergunta aí, qual país do mundo que está tratando bem a questão do covid? Aponte um. Todo local está morrendo gente", afirmou Jair Bolsonaro a um rebanho de seus seguidores, na quinta (18). Fácil: Nova Zelândia, Austrália, China, Coreia do Sul. Em muitos lugares está morrendo gente, mas não tanto quanto aqui.

Foram 2.659 mortes registradas em 24 horas, com uma média móvel de 2.096 por dia na última semana, um novo recorde, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa. No total, 287.795 perderam a vida.

O presidente finalmente lidera o mundo - mas em número de óbitos por dia por covid-19. Numa contagem da Organização Mundial de Saúde (OMS), que mostrava o Brasil com 2841 mortes em 24 horas, os demais "competidores" estavam bem longe de nós: Estados Unidos (993), Rússia (460), Itália (431), Polônia (356), Ucrânia (267), França (236), Alemanha (227), República Tcheca (215), Hungria (207), Argentina (200) e México (175).

Bolsonaro quer fazer crer que a avalanche de críticas contra ele é injusta, uma vez que ninguém poderia ser culpado de tanta coisa ruim. É modesto. Graças às decisões que tomou e às que deixou de tomar, somos a principal ameaça sanitária global neste momento. Vejamos o porquê:

1) Hospitais estão em colapso. Vai morrer muito mais gente porque não há vagas suficiente nas UTIs, nem remédios para intubação e sedação, fornecimento de oxigênio ou profissionais de saúde. Nem adianta ter dinheiro para pagar: não há vagas.

2) Especialistas apontam que é hora de fechar tudo. Governadores e prefeitos retardam o lockdown, pois temem pedrada de empresários, mas também mandar o povo para casa sem auxílio emergencial. O que pode flopar o bloqueio ou provocar convulsão social por fome.

3) Bolsonaro não renovou o auxílio na virada do ano. Depois, Paulo Guedes gastou tempo tentando trocar a aprovação do benefício pela possibilidade de reduzir a grana de saúde e educação, o que atinge os pobres. O auxílio será uma merreca entre R$ 150 e R$ 375, que não dá para a cesta básica.

4) O governo demorou também para renovar o programa que permite empresas cortarem jornada ou suspenderem contratos, garantindo aos trabalhadores com carteira assinada um benefício emergencial. Sem isso, muitos continuam indo ao trabalho com medo de perder o emprego.

5) O Ministério da Saúde não renovou os repasses para garantir leitos de UTI extras. Com isso, Estados não conseguiram reativar hospitais de campanha ou se preparar para a avalanche de doentes. Repasses só começaram a ser autorizados quando mortes batiam recordes.

6) Trens e ônibus lotados continuam funcionando como um caldeirão de sopa de variantes de covid. É urgente aumentar a frota para reduzir a ocupação e obrigar o poder público e empresários a darem máscaras N95/PFF2 para reduzir o contágio.

7) Abundam em unidades de saúde quem confiou na balela do "tratamento precoce". Muitos ignoraram o isolamento social, acreditando em charlatães que dizem que tomar vermífugo resolve. Agora, ocupam leitos de quem não fez a mesma bobagem.

8) O SUS consegue vacinar 2 milhões por dia, mas não faz isso porque o governo não comprou vacina o suficiente em 2020. Em maio, os EUA estarão vacinados. A gente, em 2022. Até lá mais mortes e mais perdas econômicas.

9) O presidente estimula pessoas a voltarem à normalidade, defendendo que a melhor vacina é pegar o vírus e diz que quarentenas não funcionam. Mas elas foram imperfeitas porque o governo depôs contra. Mesmo assim, são preferíveis quarentenas e lockdowns ruins do que isolamento nenhum, pois salvam vidas.

10) Parte da população, obrigada a trabalhar, cansada da longa pandemia ou acreditando que são invencíveis, afrouxou as medidas de isolamento nesta segunda onda. O problema é que, circulando por mais tempo, o vírus evolui para variantes mais infecciosas. E a tendência é que evolua ainda mais.

Bolsonaro faz da saída de Pazuello processo de desmoralização de Queiroga

O Brasil não é mais um país. Virou zona de guerra. Nela, prevalece o vírus. O inimigo conta com um aliado estratégico: Bolsonaro. Cada live do capitão é um morteiro que atinge os brasileiros.

Na sua mais recente transmissão ao vivo pelas redes sociais, o presidente conseguiu uma façanha. Converteu a saída do Eduardo Pazuello do comando do Ministério da Saúde num processo de desmoralização do substituto, o cardiologista Marcelo Queiroga.

Desde que foi pendurado por Bolsonaro nas manchetes como novo administrador da crise sanitária, Queiroga vinha defendendo "uma união nacional para o enfrentamento da pandemia."

Ficou entendido que, tomando posse, o doutor cuidaria de estreitar a inimizade do governo federal com governadores e prefeitos. Não deu tempo.

Bolsonaro encostou a Advocacia-Geral da União no pescoço de uma trinca de governadores. Mandou ajuizar ações no Supremo Tribunal Federal contra decretos que restringiram a mobilidade urbana. Absteve-se de mencionar os nomes dos seus alvos.

Ao reiterar sua aversão a qualquer coisa que se pareça com isolamento social, Bolsonaro quebrou as pernas de Queiroga antes do início da caminhada. Com a contagem dos mortos se aproximando da casa dos 300 mil, o doutor dissera o seguinte:

"Esse impacto dos óbitos vamos reduzir com dois pontos principais: primeiro com políticas de distanciamento social próprias, que permitam diminuir circulação do vírus e, segundo, com melhora na capacidade assistencial dos nossos serviços hospitalares."

A Bolsonaro interessa intensificar a circulação do vírus. Além das ações no Supremo, anunciou outra novidade legislativa: "Vou apresentar amanhã um projeto com pedido de urgência para o Congresso, definindo o que é atividade essencial. Para mim, atividade essencial é toda aquela necessária para levar o pão para casa."

Subiu no telhado a pretensão de Queiroga de fazer algo diferente na pasta da Saúde, seguindo "as recomendações da ciência". Quem vive de esperanças de que Bolsonaro mude condena-se a morrer de fome.

Horas antes da live de Bolsonaro, Queiroga destilara otimismo: "O presidente escolheu um médico para o ministério, um médico que é oriundo de uma sociedade científica, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, que sempre protagonizou a medicina baseada em evidência."

O doutor levara sua ilusão às fronteiras do paroxismo: "O presidente me deu autonomia para montar minha equipe. Eu peço a vocês um pouco de paciência para que, num curto prazo, nós consigamos trazer medidas adicionais às que têm sido colocadas em prática..."

Tomado pelas palavras, Bolsonaro não parece estar interessado em "medidas adicionais". Ele soou como se desejasse mais do mesmo. Preocupou-se em "cumprimentar o Pazuello [...], que fez um brilhante trabalho no Ministério da Saúde."

Bolsonaro esticou os elogios: "Quando Pazuello assumiu, lá tinha um problema seríssimo de gestão, muitos ralos, muita coisa esquisita, quase nada informatizado. Ele teve de dar uma ordem unida, teve que fazer uma assepsia no Ministério da Saúde. E fez um trabalho excepcional".

O presidente tratou como um estrepitoso sucesso até mesmo o fiasco na aquisição de vacinas. Pazuello "não deixou, desde o ano passado, de fazer contratos para compra de vacina", mentiu Bolsonaro. "O Brasil está fazendo o seu papel. É um dos países que melhor faz o seu papel no tocante à vacina". Hã, hã...

No regime presidencialista, o presidente preside e o ministro obedece. Se o projeto do ministro não coincide com os desejos do chefe, ele é mandado embora. Se o ministro recebe ordens para executar o que não estava combinado, é ele quem pede pra sair.

No caso de Pazuello, o capitão deu, por assim dizer, cartão vermelho ao general "extraordinário" da Saúde. É como se Bolsonaro enviasse a "perfeição" para o olho da rua.

Se Queiroga falou sério quando prometeu uma gestão escorada na ciência, logo terá de verificar se os parafusos de sua poltrona não estão frouxos. O doutor cruzará a porta giratória que Bolsonaro instalou na pasta da Saúde como quarto ministro da pandemia. Chega ao cargo já bem tostado.


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