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Sexta-Feira 03.dez.2021

Ano X - Nº 470

Ecologia

Por desmatamento, cidades da Amazônia lideram emissões de carbono

Levantamento inédito do Observatório do Clima mapeou os 5.570 municípios brasileiros: entre os 10 maiores emissores de gases de efeito estufa, sete estão na Amazônia

Postado em 09 de Março de 2021 - Galileu

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Sete municípios da Amazônia estão entre os dez maiores emissores de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil. Em 2018, essas cidades lançaram, juntas, 172 milhões de toneladas brutas de gás carbônico equivalente (CO2e), o que representa uma emissão maior do que a de países como Peru e Bélgica. É o que revela o primeiro mapeamento municipal de GEE do Brasil, lançado no último dia 4 pelo Observatório do Clima.

O Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) Municípios compilou dados de emissões de gases de efeito estufa entre 2010 e 2018, associando-os aos setores de energia, transporte, indústria, agropecuária, tratamento de resíduos e mudanças de uso da terra e florestas.

No top 10 municípios emissores, sete estão ligados a ações de desmatamento na Amazônia. O campeão é São Félix do Xingu, no Pará, cuja emissão — 29,7 milhões de toneladas de CO2e — ultrapassa os níveis de nações inteiras como Uruguai, Noruega, Chile, Croácia, Costa Rica e Panamá.

Se divididas por habitantes, a média de emissões per capita do município paraense assusta. Cada morador de São Félix do Xingu emite 225 toneladas de CO2e por ano, número quase 22 vezes mais do que a média per capita do Brasil e 12 vezes mais do que a dos Estados Unidos. O Catar, país com maior emissão per capita no mundo, tem uma taxa seis vezes menor que a de São Félix.

São Paulo e Rio de Janeiro posicionam-se em 4º e 9º lugar, respectivamente, e as principais fontes de emissões são o tratamento de resíduos (efluentes líquidos ou disposição final em aterros sanitários, controlados ou lixões) e o setor de energia, com foco para os transportes.

O terceiro município do top 10 que não fica na Amazônia é Serra, lno Espírito Santo. Embora o levantamento informe que os dados de processos industriais sejam escassos, o setor emite 10,4 milhões de toneladas de CO2e em Serra, devido principalmente à atividade de uma siderúrgica sediada no município capixaba.

Apesar do desmatamento figurar como protagonista dentre os maiores emissores do país, uma análise nacional ampla do SEEG Municípios mostra que o setor dominante nas cidades é a agropecuária. Em 65,8% dos municípios do Brasil, as atividades ligadas ao gado lideram as emissões de gases de efeito estufa. 

Sobre a iniciativa, o coordenador-geral do SEEG, Tasso Azevedo, conta que menos de 5% dos municípios brasileiros tinham alguma compilação de números sobre emissões de GEE até hoje. “Agora, todos terão os dados para uma série de 20 anos e esperamos que isso sirva de estímulo para promover o desenvolvimento local com redução das emissões e enfrentamento das mudanças climáticas", compartilha Azevedo. Ele também defende que a disponibilização aberta e gratuita do levantamento significa uma importante economia de recursos públicos, que podem ser redirecionados para as ações de redução de emissões.

O outro lado da moeda

Além das emissões mapeadas, o SEEG Municípios também catalogou as remoções de gases de efeito estufa, que reduzem as emissões líquidas. Municípios amazônicos também estão entre os líderes de remoções. São Félix do Xingu é o 4º maior removedor de CO2e, com 10 milhões de toneladas a menos. A segunda cidade que mais emite o gás é, ao mesmo tempo, a primeira que mais o remove: Altamira, também no Pará, com mais de 22 milhões de toneladas de CO2e retirados da atmosfera.

Lançado na manhã desta quinta-feira via transmissão no YouTube, o SEEG Municípios teve seus processos e metodologias explicados por Azevedo e foi introduzido por Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. “Este trabalho é muito importante para gerar engajamento nos municípios. Qualquer solução de clima que queiramos ter no Brasil ou ao redor do mundo vai precisar de envolvimento local das cidades”, defendeu Astrini no evento.


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