Semana On

Terça-Feira 03.ago.2021

Ano IX - Nº 454

Mato Grosso do Sul

DEM faz teste para 2022 e tenta nacionalizar Mandetta

Ex-ministro esteve em conflito com seu partido por conta dos acenos do presidente da legenda, ACM Neto, à candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro

Postado em 03 de Março de 2021 - Lauriberto Pompeu - Congresso em Foco

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O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta tenta conquistar apoio nacional para ser uma das alternativas nas eleições presidenciais de 2022. Ele esteve há poucas semanas em conflito com o DEM, seu próprio partido, por conta dos acenos do presidente da legenda, ACM Neto, à candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro.

Mandetta foi ministro de Bolsonaro e, por conta das atitudes do presidente na pandemia, deixou a pasta e virou rival do ex-chefe.

Na semana passada, o ex-ministro e o ex-prefeito de Salvador (BA) se reuniram na casa do secretário-geral do DEM, Pauderney Avelino, em Brasília (DF). A conversa foi pacificadora e que não foi mencionada a possibilidade de saída de Mandetta do DEM, algo cogitado por ele recentemente.

"O Mandetta é um dos quadros mais importantes do Democratas. É um quadro que tem dimensão nacional, é uma referência no assunto saúde pública e a experiência pode neste momento trazer importantes contribuições nessa reflexão dos caminhos para superação da pandemia. É natural que o partido dê todo espaço e relevância para que com a experiência dele, ele possa trazer sua contribuição para o país", disse Neto.

ACM Neto tem dito que o DEM não começou as discussões sobre 2022 e que isso não deveria ser feito durante o momento de agravamento da pandemia do coronavírus.

A mobilização do DEM por Mandetta neste momento não significa necessariamente que o partido vai optar por lançá-lo no pleito do ano que vem. Além de Mandetta e Bolsonaro, há integrantes do partido que apoiam Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB).

Mandetta disse ao jornal Folha de São Paulo no dia 4 de fevereiro que ACM Neto é "maria-mole" e cobrou uma definição do partido sobre a disputa. Em entrevista ao site Congresso em Foco no início de fevereiro, ACM Neto afirmou que Mandetta dava a impressão de querer levar o partido para a oposição a Jair Bolsonaro, algo que o presidente do partido descartou fazer.

"O Mandetta tem um pensamento, que não é o pensamento do partido. O Mandetta desejaria neste momento, imagino que ele desejaria ser oposição, o partido não é oposição. O pensamento dele não reflete o pensamento majoritário do Democratas", afirmou na época.

Para selar as pazes, o presidente do partido e o ex-ministro da Saúde participaram no último dika 2 de uma live para falar sobre sobre um balanço de um ano da crise do coronavírus. Na ocasião, tanto Neto quanto Mandetta criticaram a gestão de Bolsonaro na pandemia. O ex-prefeito baiano perguntou a Mandetta como o país estaria caso "a liderança do governo federal fosse diferente".

“Chega de apostar no caos. Eu não preciso de um líder  para decidir se meninas vestem rosa e meninos vestem azul, mas sim de um que decide sobre o que interessa. Como esse vírus. A covid não quer saber se você é de esquerda ou direita. A doença quer saber se você vai dar carona para ela”, declarou o ex-ministro da Saúde.

"Temos aproximadamente 3% da população vacinada. É muito pouco. E falta perspectiva. O Brasil parou no tempo na questão da vacina e fez apostas erradas”, disse ACM Neto.

Em relação ao ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), ele ainda não enviou à direção nacional da legenda o pedido de desfiliação. Maia e Neto não se falam desde o primeiro dia de fevereiro, data da eleição de Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara.

A aliados, o dirigente do DEM tem afirmado que não descarta uma reconciliação com Maia, mas isso só aconteceria com um gesto público do deputado do Rio de Janeiro de retirar as críticas que fez. Nas redes sociais, Maia classificou ACM Neto como "mau caráter".

O ex-presidente da Câmara entrou em atrito com o DEM por conta do apoio que deputados do partido deram a Lira em detrimento de Baleia Rossi (MDB-SP), candidato apoiado pelo deputado do Rio como seu sucessor no comando da Casa. Ele criticou ACM Neto por não conter o movimento dos deputados em direção ao apoio ao político do PP.

Além dos conflitos com Maia, ACM Neto rompeu com João Roma, deputado do Republicanos da Bahia que foi escolhido para ser ministro da Cidadania há duas semanas. Roma e Neto se conhecem há mais de 30 anos e o ministro já foi chefe de gabinete da prefeitura de Salvador durante a gestão do presidente do DEM.

A nomeação dele para a Esplanada de Bolsonaro provocou insatisfação em Neto por reforçar o discurso que ele estaria se aliando com o chefe do Poder Executivo, algo que ele quer evitar. O ex-prefeito não fala com o ministro desde quando ele assumiu o cargo no governo.


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