Semana On

Segunda-Feira 27.set.2021

Ano X - Nº 461

Coluna

Portugal suspende voos do Brasil, USA restringe acesso de passageiros procedentes do país e Alemanha deve fazer o mesmo

Brasil também volta a impor restrições à entrada de estrangeiros

Postado em 28 de Janeiro de 2021 - DW, Congresso em Foco - Edição Semana On

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O governo de Portugal anunciou que decidiu suspender os voos entre o país e o Brasil, a partir de 0h desta sexta-feira (29), devido à evolução da pandemia nos dois países e à detecção de novas variantes do coronavírus. A medida deve durar pelo menos duas semanas.

"Até ao dia 14 de fevereiro, estão suspensos todos os voos, comerciais ou privados, de todas as companhias aéreas, de e para o Brasil. As regras agora estabelecidas são igualmente aplicáveis aos voos de e para o Reino Unido", declarou o Ministério da Administração Interna de Portugal, em comunicado. 

O governo português justificou a suspensão dos voos citando a evolução da situação epidemiológica no mundo, o aumento dos casos de infeção por SARS-CoV-2 em Portugal e a detecção de novas cepas do vírus.

Em 15 de janeiro, o Reino Unido havia proibido voos entre o país e Portugal. Na ocasião, os britânicos citaram, entre outros motivos, que o país lusitano ainda mantinha rotas abertas com o Brasil. A decisão provocou reclamações do governo português.

A medida anunciada por Portugal nesta quarta-feira prevê exceções para voos de natureza humanitária de repatriamento de cidadãos portugueses e membros das respectivas famílias, bem como de titulares de autorização de residência em Portugal.

Nesses voos de caráter humanitário poderão também embarcar cidadãos de países da União Europeia, cidadãos de Estados associados ao Espaço Schengen e às respectivas famílias, além de cidadãos de países terceiros com residência legal num Estado-membro da União Europeia.

O ministério ainda aponta que todos cidadãos têm de apresentar, no momento da partida, um teste com resultado negativo para coronavírus realizado nas 72 horas anteriores à hora do embarque. 

Além disso, após a chegada, os viajantes precisam cumprir uma quarentena obrigatória de 14 dias em seu domicilio ou em local indicado pelas autoridades de saúde.

Portugal registou nesta quarta 293 mortes relacionados com a covid-19, um novo recorde diário desde o início da pandemia. Ao todo, o país, que tem 10 milhões de habitantes, já registou 669 mil casos positivos da doença. Desses, quase 173 mil estão ativos. A covid-19 causou ainda 11 mil mortes em Portugal.

Estados Unidos reimpõe restrições para passageiros procedentes do Brasil

Também nesta semana, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, restabeleceu a proibição da entrada no país de pessoas procedentes da União Europeia, Reino Unido e Brasil para conter a pandemia de covid-19. A nova ordem também passou a incluir a África do Sul.

A medida de Biden reverte uma decisão tomada pelo seu antecessor, Donald Trump, em 18 de janeiro, que havia determinado o fim da suspensão da entrada de passageiros desses países a partir de 26 de janeiro, mantendo apenas restrições que atingiam a China e o Irã.

"O presidente decidiu manter as restrições que estavam anteriormente em vigor para o espaço Schengen europeu, o Reino Unido, a República da Irlanda e o Brasil", anunciou a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, em comunicado.

Na sua ordem executiva que reinstituiu as restrições, Biden citou as variantes de coronavírus identificadas no Brasil, Reino Unido e África do Sul para justificar a suspensão da entrada de passageiros desses países.

A proibição de passageiros provenientes da União Europeia e do Reino Unido foi imposta por Trump em março de 2020. A ordem passou a incluir o Brasil em maio.

Quando a suspensão da medida por Donald Trump foi divulgada, dois dias antes do fim de seu mandato, a então equipe de transição de Biden avisou no mesmo dia que o novo governo pretendia reverter a ordem antes que ela entrasse em vigor. Na ocasião, Jen Psaki, disse na sua conta no Twitter que, com o agravamento da pandemia e o surgimento de variantes mais contagiosas do coronavírus em todo o mundo, "este não é o melhor momento para levantar restrições a viagens internacionais".

Após o anúncio de Trump, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, chegou a celebrar a decisão do republicano. "O presidente Donald Trump acaba de anunciar o fim da proibição de ingresso de brasileiros nos EUA que havia sido determinada em função da Covid. Brasileiros voltarão a poder ingressar nos EUA a partir do dia 26/1, sujeitos a apresentar teste negativo de Covid (além de visto)", escreveu Araújo no Twitter logo após o anúncio.

Teste negativo para viajar

Além de manter a suspensão de entrada de passageiros, os Estados Unidos exigirão a partir de terça-feira um teste covid-19 negativo para todos os passageiros aéreos antes de voarem para o país, incluindo americanos.

A medida, anunciada pelo Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) em 12 de janeiro, também estabelece a recomendação de submissão a um novo teste três a cinco dias após a chegada ao país e permanecer em quarentena em casa durante sete dias após a viagem.

O epidemiologista chefe dos Estados Unidos, Anthony Fauci, disse que, após os dados divulgados pelo governo britânico, pode-se presumir que a variante britânica pode "causar mais danos, incluindo a morte", e observou que a vacina continua a ser eficaz mesmo contra a variante sul-africana.

Os Estados Unidos são o país mais afetado pela pandemia no mundo, liderando em quantidade de mortos e casos de infecção. Dados desta segunda-feira apontam que o país já registrou mais de 25 milhões de casos e mais de 419 mil mortes.

Alemanha quer proibir entrada no país de quem vem do Brasil

O ministro do Interior da Alemanha, Horst Seehofer, confirmou na quinta-feira (28) a intenção do governo do país de proibir a entrada de pessoas oriundas do Brasil, além de outros países com forte presença de variantes mais transmissíveis do novo coronavírus.

Uma decisão deverá ser tomada até esta sexta-feira. Além do Brasil, deverão ser proibidos de ingressar na Alemanha os viajantes provenientes do Reino Unido, de Portugal e da África do Sul, pelos planos do governo alemão.

"Neste momento estamos em fase de coordenação entre os ministérios a fim de proibir a entrada desses países, ou seja, de regiões com presença de mutações [que tornam variantes do coronavírus mais transmissíveis]", disse Seehofer, antes de uma reunião informal de ministros do Interior da União Europeia (UE), que é realizada em formato virtual.

Ele não descartou que nas próximas semanas outros países sejam acrescentados à lista e disse que deverá haver exceções, por exemplo para cidadãos alemães e pessoas que trabalham no transporte de cargas.

O objetivo, destacou, é impedir a disseminação na Alemanha de variantes altamente infecciosas do novo coronavírus. Uma cepa preocupante do coronavírus foi identificada neste mês em pessoas que estiveram no estado do Amazonas e tem sido associada à alta de casos de covid-19 em Manaus.

Na terça-feira (26), Seehofer já havia dito ao jornal Bild que o governo alemão pretende reduzir os voos internacionais "a quase zero" e restringir ao máximo as viagens não essenciais ao país. "O perigo derivado de múltiplas mutações nos obriga a considerar medidas drásticas", justificou.

Brasil também volta a impor restrições à entrada de estrangeiros

A Casa Civil da Presidência da República editou nova portaria com restrições à entrada de estrangeiros, de qualquer nacionalidade, no Brasil. O texto publicado no Diário Oficial da União do último dia 26 atende às recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por causa da pandemia.

A entrada de estrangeiros fica novamente limitada a casos específicos no país, tal como ligação direta a brasileiros ou a missões diplomáticas no país. É também cobrada de todos, ao embarcar para o país, a apresentação de teste negativo para a covid. O tráfego na fronteira com o Paraguai permanece aberto.

Uma das razões para a adoção das restrições foi a possibilidade de transmissão de novas variantes do coronavírus surgidas no Reino Unido e na África do Sul. A mutação do Reino Unido foi identificada no mês passado, mas o governo brasileiro não fechou as fronteiras àquele país – o tráfego só foi interrompido por iniciativa dos britânicos, após temerem uma variante brasileira do vírus.


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