Semana On

Domingo 25.jul.2021

Ano IX - Nº 453

Campo Grande

Projeto de requalificação da 14 de Julho é finalista em concurso internacional de inovação urbana

Pesquisa revela que 93% da população aprovou mudanças na 14

Postado em 28 de Janeiro de 2021 - Redação Semana On

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A iniciativa de requalificar a principal rua de comércio de Campo Grande conquistou não apenas a população, como apontou uma pesquisa realizada após a entrega da obra (93% de aprovação), mas está sendo reconhecida mundialmente como um modelo de desenvolvimento e enfrentamento aos desafios urbanos.

Selecionado entre mais de 180 propostas da América Latina e Caribe, o projeto “Requalificação da área central – um novo espaço público em Campo Grande”, ficou entre os dez finalistas do primeiro Concurso de inovação urbana Innopolis, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A seleção analisou boas práticas que governos ou agências locais de desenvolvimento tenham implementado e que tenham impactado significativamente o meio ambiente urbano e a qualidade de vida dos cidadãos.

A requalificação da 14 de Julho foi inscrita na categoria – reativação econômica e emprego local. “A região central já vinha de um processo de degradação econômica de muito tempo e era necessário dar mais vida e infraestrutura para que o comércio central se reerguesse. A pandemia acabou freando esse crescimento que imaginávamos ser imediato, mas, por outro lado, a própria reconfiguração da via acabou se adequando ao novo perfil dos espaços públicos ao ar livre pós-pandemia, com calçadas mais largas, mais espaço para os pedestres”, afirma a coordenadora do Reviva Campo Grande, Catiana Sabadin.

As propostas finalistas serão documentadas e transformadas em um estudo de caso através de um workshop de contadores de histórias com o cineasta Cassim Shepard, professor na Universidade de Columbia, Nova York. Após isso, serão escolhidos três estudos vencedores, que serão oficialmente reconhecidos pelo BID e farão parte de um programa de intercâmbio em uma cidade na Europa conhecida pela inovação urbana.

O resultado está previsto para ser divulgado em maio. “É uma satisfação muito grande ter participado do projeto desde o início e hoje, com ele já entregue para a população e aprovado, receber esse reconhecimento em nível internacional. É a prova de que o que a Prefeitura Municipal fez agregou um valor imensurável à cidade”, reforça a engenheira civil Joice Iahn.

O consultor em Arquitetura e Urbanismo do Reviva Campo Grande, Cristiano Almeida, destaca o reflexo que a obra de requalificação trouxe para a população. “Ganhamos em qualidade de vida de várias maneiras. A 14 de Julho ficou mais arborizada, segura e confortável. Passou a contar com calçadas amplas e piso padronizado, totalmente acessível, mais agradável visualmente sem os fios aparentes e muito mais bonita com o paisagismo. Agora, com a revitalização do microcentro prevista para começar neste primeiro semestre, a região vai ficar ainda melhor”.

Organizadores

O Concurso Innopolis é organizado pela Rede de Cidades do BID, que está na Divisão de Desenvolvimento Urbano e Habitação (HUD), e é uma plataforma que promove a inovação por meio do intercâmbio de conhecimentos, experiências e boas práticas entre cidades da América Latina e do Caribe.

A Rede incorpora mais de 200 cidades, principalmente cidades intermediárias e metropolitanas, com um alto índice de crescimento urbano. Desde a sua consolidação em 2017, a Rede organizou diversas atividades regionais e setoriais (fóruns, workshops, seminários temáticos, entre outros) com o objetivo de proporcionar aos prefeitos e responsáveis técnicos um espaço de troca de conhecimentos e informações sobre soluções aos principais desafios urbanos da atualidade.

Aprovado

O Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Fecomércio MS (IPF-MS) realizou o “Estudo de Pesquisa e Impactos Cumulativos do Comércio de Campo Grande”, após as obras do Reviva na Rua 14 de Julho. Esse estudo foi desenvolvido em parceria com a Prefeitura Municipal de Campo Grande, a partir de uma demanda do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), durante o segundo semestre de 2020. O levantamento será divulgado em etapas. Esta primeira tem como foco: “Tendências e percepções de empresários e consumidores da Rua 14 de Julho”. Para tanto, foram abordados 350 empresários e 357 consumidores.

“Importante destacar que 93% da população e 93% dos comerciantes de Campo Grande/MS avaliaram positivamente as mudanças. Também chamou a atenção os conceitos que os entrevistados atribuíram à Rua 14 de Julho: moderna, inovadora, ampla, espaçosa”, destaca a economista Daniela Dias. “Termos esses considerados positivos, que agregam valor à região e criam uma percepção otimista, ao mesmo tempo que contribuem para o desenvolvimento de estratégias, busca pelo entendimento do comportamento da população e captação de tendências”.

“A importância de um trabalho desses é para conseguir ter a percepção depois da requalificação, de possibilidade de novos usos, das carências que ainda precisam ser resolvidas ou fomentadas. E, principalmente, para verificar, através de dados quantitativos, a importância de uma obra como essa, nessa região. A sensação, inclusive, dentro da própria pesquisa, é de que há uma tendência ao aumento de usos, um número maior de pessoas circulando, o espaço ficou muito mais convidativo, além da questão de ter virado um ponto turístico e estar atraindo população de outras cidades, outras regiões, que quando vem para Campo Grande acaba visitando o local”, afirma a coordenadora do Reviva, Catiana Sabadin.

Dados

Um dos dados levantados mostrou o que a população de Campo Grande/MS espera como atratividade para o lugar e, nesse quesito, as respostas apresentaram divergências. Enquanto empresários pediram por “Estacionamento” (50%), “Eventos Culturais” (38%), “Atendimento” (33%), os consumidores sugeriram “Eventos culturais” (42%), “Segurança” (40%), “Curiosidades” (38%).

“A preocupação inicial dos comerciantes com as vagas de estacionamento, não foi destaque para a população. Visto que o público se demonstrou mais interessado no consumo de experiências e no passeio que uma ida até a Rua 14 de Julho poderia propiciar, a partir de eventos, gastronomia e curiosidades, com segurança”, destaca Daniela.

Ela lembra ainda que essas percepções devem ser consideradas no processo de recuperação econômica do comércio pós-Covid 19, uma vez que, de acordo com pesquisas realizadas pelo IPF-MS em conjunto com o Sebrae/MS, passada a pandemia, as pessoas pretendem sair, comemorar, buscar por mais experiências de consumo em família ou grupo. “E já que a 14 vem se demonstrando como possibilidade de consumo associada a passeio, atrativos culturais, gastronomia e família, nós vemos bastante potencialidade no pós-pandemia”.


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