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Sexta-Feira 22.out.2021

Ano X - Nº 464

Legislativo

Vereador negacionista propõe tour pelo Butantan

Ideia é do vereador Sandro Benites, adepto da cloroquina e do ‘tratamento preventivo’ contra a Covid-19

Postado em 27 de Janeiro de 2021 - Redação Semana On

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Integrante da Comissão da Câmara Municipal criada para acompanhar a distribuição e aplicação das vacinas contra a Covid-9 em Campo Grande, o vereador adepto da cloroquina Dr. Sandro Benites (Patriotas) colocou a Câmara em situação constrangedora ao propor um tour às instalação do Instituto Butantan, em São Paulo, responsável pela produção da vacina da CoronaVac.

Ainda não está claro o motivo da visita, que corre o risco de não ocorrer, mas tudo indica que a eventual “inspeção” terá resultado zero, o mesmo efeito placebo do uso da cloroquina e ivermectina no tratamento “preventivo” ao novo coronavírus, profilaxia defendida pelo vereador antes de ser eleito e que incentivou a compra do remédio pela Prefeitura de Campo Grande.

A ideia “original” do vereador Dr. Sandro Benites foi apresentada em reunião com os demais membros da comissão, composta pelos também parlamentares Beto Avelar, Clodoilson Pires, Dr. Jamal e Professor André Luiz. Do encontro participou ainda Dinaci Ranzi, assessora da Secretaria Municipal de Saúde.

Dinheiro jogado no ralo

Essa foi a primeira “reunião técnica” da comissão, que deliberou sobre a visita ao Instituto Butantan, que evidentemente vai ser feita com a utilização de dinheiro do contribuinte. Segundo o site de notícias Campo Grande News, o vereador Dr. Sandro Benites se candidatou a uma das duas vagas no tour logo após ele próprio ter apresentado a proposta.

Ele justifica a viagem dizendo que vai “conhecer onde a vacina está sendo feita, para assim, trazer novas informações para Campo Grande”. É difícil imaginar quais seriam essas informações, ao menos relativas à Covid-19, que o parlamentar esperar obter na visita. No entanto, ele deu uma pista ao anunciar que vai aproveitar a viagem para aprimorar seus conhecimentos.

Cloroquina e ivermectina

Em julho do ano passado, juntamente com outros médicos, Sandro Benites esteve na Câmara Municipal defendendo o uso da cloroquina, ivermectina e outros compostos em processos de prevenção à Covid-19, apesar de a Ciência já ter descartado qualquer eficácia desses medicamentos no tratamento da doença, podendo inclusive agravar o quadro de saúde dos pacientes, provocando até a morte.

Sandro Benites junta-se a vozes anticiência, como o presidente Jair Bolsonaro, ao defender o uso desses fármacos. O evento na Câmara no ano passado foi a senha para que o prefeito Marquinhos Trad, candidato a reeleição, adotasse na Capital o kit-covid, composto por HidroxiCloroquina 400mg ou Cloroquina 250mg, Azitromicina 500mg ou Claritromicina 500mg e ainda a Ivermectina 6mg.

Até agosto do ano passado a prefeitura já havia empenhado R$ 2,4 milhões para adquirir esses medicamentos, que transformados no kit-covid foram distribuídos aos postos e demais unidades de Saúde do município.

“Demonização” dos medicamentos

Na época, Sandro Benites disse que o coquetel foi “demonizado” no Brasil. “Demonizaram uma medicação extremamente segura, usada há mais de 90 anos. Uma medicação barata. Todos os militares que são transferidos para a Amazônia recebem um kit. Não temos notícias de óbitos. Se é uma medicação segura, por que demonizar? O que tem por trás disso? Quando você demoniza uma medicação simples, você cria um medo mórbido do remédio”, destacou.

Anvisa esclarece o vereador

Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a hidroxicloroquina é indicada para pessoas com artrite, lúpus, doenças fotossensíveis e malária. A ivermectina, para infecções provocadas por vermes e piolho.

A azitromicina, um antibiótico, tem aval da Anvisa para tratamento de bronquite, pneumonia, sinusite e faringite, bem como de algumas doenças sexualmente transmissíveis. Já o colecalciferol e o sulfato de zinco não passam de suplementos vitamínicos.

É para se protegerem dessas doenças que os militares transferidos para a Amazônia recebem o kit. Para o tratamento ou prevenção à Covid-19, o uso desses medicamentos não é recomendado pela Organização Mundial da Saúde – OMS.


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