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Sexta-Feira 03.dez.2021

Ano X - Nº 470

Poder

Aprovação de Bolsonaro cai, aponta Ibope

Perfil dos que aprovam o presidente passa por mudanças nos dois anos de governo

Postado em 18 de Dezembro de 2020 - DW, Pedro Capetti (O Globo) – Edição Semana On

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Pesquisa Ibope divulgada no último dia 16 aponta queda na popularidade do presidente Jair Bolsonaro. O governo dele foi classificado como "ótimo" ou "bom" por 35% da população. Em setembro, levantamento do instituto apontara 40% de aprovação.

À época, o auxílio emergencial de R$ 600 foi usado para explicar a recuperação da popularidade do presidente. No fim de setembro, o valor caiu para R$ 300 para boa parte dos beneficiários.

A pesquisa divulgada nesta quarta também aponta que cresceu a avaliação negativa do governo: 33% classificam o governo como "ruim" ou "péssimo", ante 29% em setembro. Outros 30% apontam o governo como "regular". Eram 29% em setembro. Nos dois levantamentos, 2% dos entrevistados não souberam responder.

Apesar da queda, a avaliação positiva de Bolsonaro ainda é superior à verificada em dezembro de 2019 pelo Ibope, quando 29% classificaram seu governo como "ótimo" ou "bom" e 38% apontaram como "ruim" ou "péssimo". Foi a pior aprovação para um início de primeiro mandato entre todos os presidentes eleitos desde 1994. Só Fernando Collor registrou uma aprovação menor.

A pesquisa Ibope desta quarta foi encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento foi feito entre os dias 5 e 8 de dezembro e ouviu 2 mil pessoas em 127 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

A pesquisa ainda abordou a expectativa da população em relação ao governo. Entre os entrevistados, 35% afirmaram acreditar que os próximos anos de mandato de Bolsonaro serão ótimos ou bons. Em setembro, 36% fizeram essa avaliação. Na pesquisa de hoje, outros 31% afirmaram que os próximos anos serão ruins ou péssimos, e 30% apontaram que serão regulares.

A pesquisa também perguntou sobre a maneira de governar de Bolsonaro. Entre os entrevistados, 46% aprovam, 49% desaprovam e 5% não sabem. Por fim, a pesquisa avaliou a percepção das ações do governo em várias áreas. Em todas, a desaprovação superou a aprovação: segurança pública (53% reprovam), combate à fome e pobreza (53%), educação (55%), saúde (60%), meio ambiente (59%), combate ao desemprego (62%), combate à inflação (63%), impostos (70%) e taxa de juros (70%).

Perfil dos que aprovam Bolsonaro passa por mudanças nos dois anos de governo. Entenda

O presidente Jair Bolsonaro chega à metade de seu governo no auge da popularidade, mas com uma base de apoio diferente daquela que o sustentava no início de sua gestão, segundo indicam pesquisas Datafolha. Em comparação aos números de março de 2019, Bolsonaro teve avanço nas camadas de baixa renda e no Norte e no Nordeste, regiões em que houve mais impacto do auxílio emergencial. Em compensação, viu aumentar sua rejeição no Sudeste e entre os mais ricos e escolarizados.

Na comparação com a primeira pesquisa Datafolha, feita no terceiro mês de mandato, Bolsonaro tem hoje um desempenho 11 pontos percentuais superior entre os mais pobres, com avanço acentuado nos últimos meses. No início de governo, apenas 26% daqueles com renda até dois salários mínimos consideravam a gestão do presidente como ótima ou boa. Hoje, o índice é de 37%.

A tendência é a mesma entre os menos escolarizados, grupo no qual esse percentual passou de 29% para 38%, e também entre moradores do Nordeste — no somatório geral de todas os recortes por renda, escolaridade e idade —, com avanço de 24% para 31%.

O comportamento da avaliação de Bolsonaro é distinto ao observado, por exemplo, nos governos dos petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que tiveram altas de aprovação sem alterações tão significativas na base de apoio. Ambos mantiveram índices mais altos de aprovação entre os mais pobres nos primeiros anos de seus mandatos, enquanto também avançaram entre eleitores mais ricos e escolarizados.

Bolsonaro, por sua vez, viu seu modo de governar ser mais rechaçado nesses segmentos. Entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos, a soma dos que consideram o governo ruim ou péssimo passou de 37% para 47%, assim como entre os mais escolarizados, de 35% para 48%.

Na tentativa de manter a base de apoio gerada em seus dois anos de governo, Bolsonaro terá pela frente em 2021 desafios como a crise econômica devido à pandemia da Covid-19, com elevado desemprego e inflação, principalmente dos alimentos. Em novembro, 75% da inflação para aqueles que estão na parte inferior da pirâmide veio do custo dos alimentos e das bebidas, segundo o Ipea.

Em paralelo a isto, o presidente já declarou que não deverá prorrogar o auxílio emergencial, cuja parcela final começou a ser paga nesta semana.  O impacto do auxílio se dá especialmente entre os mais pobres, destinatários principais do benefício. Estudo da FGV mostrou que no primeiro mês de redução de valor do benefício, de R$ 600 para R$ 300, o número de pessoas vivendo em situação de pobreza aumentou em 8,6 milhões. Outros 4 milhões caíram na miséria, ou seja, recebendo menos que R$ 154 por mês para sobreviver.

Com o fim do auxílio na virada do ano, 40% dos domicílios brasileiros devem ficar sem renda ou com ela comprometida, segundo pesquisas do IBGE. Enquanto isso, dados do Ministério da Cidadania indicam que mais de um milhão de pessoas aguardavam na fila para entrar no Bolsa Família em setembro.

Possível refluxo

Embora esteja em seu ápice de popularidade até agora, a aprovação de Bolsonaro é pior do que a de quase todos os presidentes desde a redemocratização, em 1988, no mesmo estágio do primeiro mandato. A exceção é Fernando Collor de Mello, avaliado como ruim ou péssimo por quase metade dos brasileiros (48%) em fevereiro de 1992.

À época, Collor ainda não havia sofrido as principais denúncias envolvendo seu ex-tesoureiro de campanha, PC Farias, que abririam caminho para o processo de impeachment, culminando em sua renúncia ao fim daquele ano. O então presidente, contudo, vinha de medidas amplamente rejeitadas, como o confisco das poupanças logo no início do mandato.

No caso de Bolsonaro, especialistas consideram que há possibilidade de refluxo em sua aprovação, em meio aos desdobramentos da pandemia da Covid-19, que retomou curva crescente de casos e mortes. Segundo o Datafolha, hoje 42% consideram ruim ou péssimo o desempenho de Bolsonaro na pandemia, abaixo do pico de 50% registrado em maio. Apenas 30% avaliam o desempenho como ótimo ou bom, patamar semelhante ao observado desde o fim de abril, numa queda em relação aos 36% obtidos no início daquele mês.

Na pesquisa mais recente, o Datafolha ouviu 2.016 pessoas nacionalmente, por telefone, entre os dias 8 e 10 deste mês. A margem de erro é de dois pontos.


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