Semana On

Segunda-Feira 25.out.2021

Ano X - Nº 464

Mato Grosso do Sul

MS já registra mais de duas mil mortes por coronavírus

‘Muitas destas mortes poderiam ter sido evitadas’, diz Geraldo Resende. Estado possui sete municípios em risco extremo e 52 com bandeira vermelha

Postado em 18 de Dezembro de 2020 - Redação Semana On

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A Covid-19 segue avançando de forma exponencial em Mato Grosso do Sul. O cenário é classificado como “crítico” pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) e pode ser observado em praticamente todos os indicadores da doença no Estado.

Para se ter uma ideia, existem 10.399 casos em aberto, sendo 3.812 amostras em análise no Laboratório Central e laboratórios parceiros, e outros 6.587 casos que aguardam a liberação dos resultados pelos municípios.   

A atualização oficial desta sexta-feira (18) registrou 1.076 novos casos. Com isso, o número de confirmados desde o início da pandemia sobe para 119.079. A média móvel indica que o Estado confirmou 1.106 casos diários na última semana. As três cidades com mais confirmações nesta sexta-feira são: Campo Grande (+355), Dourados (+92) e Amambai (+62).

Dos 14.761 casos ativos em Mato Grosso do Sul, 14.113 estão em isolamento domiciliar e 648 em situação de internação hospitalar de leitos clínicos (339) e leitos de UTI (309).

O número de pacientes que não resistiram a doença sobe para 2.009 com as 16 mortes registradas no boletim epidemiológico de hoje. Entre os pacientes falecidos, 9 são de Campo Grande e 2 de Rio Verde. Angélica, Corumbá, Fátima do Sul, Jardim e Paranaíba registram um cada. A média móvel também se elevou para 1,6 óbitos ao dia.

O detalhamento do boletim Covid desta sexta-feira, 18 de dezembro pode ser conferido aqui.

Poderiam ter sido evitadas

Inconformado com a situação, o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, afirma que muitas mortes poderiam ter sido evitadas. “É número muito triste que me indigna. Muitas destas mortes poderiam ter sido evitadas se tivéssemos apoio de parte da população. Se todos tivessem seguido as recomendações de distanciamento social, uso de máscaras, e cumprissem à risca as medidas de higiene, como a lavagem das mãos com água e sabão e o uso de álcool em gel, elas poderiam estar vivas”.

“São duas mil vidas com histórias interrompidas, sendo pais, mães, avós, avôs, tios, tias e filhos que se perderam ao longo desta pandemia. Nós não podemos dizer que foi só um número, foram vidas preciosas perdidas. O maior patrimônio que as pessoas têm são suas vidas”, destaca o secretário Geraldo Resende.

Outro ponto lembrando pelo secretário é quanto ao aumento de internações que registraram evolução de 80% no número de pacientes. “Se levarmos em consideração o que a literatura diz - que de cada 100 casos, cinco irão precisar de internações, sejam leitos clínicos ou de UTIs -, infelizmente nós não vamos ter esses leitos, chegamos na nossa capacidade máxima e fizemos tudo o que foi preciso em Mato Grosso do Sul”, afirma o secretário.

Com hospitais operando em sua capacidade máxima, muitos pacientes estão internados nas alas vermelhas. “Muitos estão internados, alguns intubados, aguardando por uma vaga, que às vezes libera porque pessoas foram a óbito. Assim, estamos com uma média de óbitos muito grande, chegamos ao nosso limite de abertura de novos leitos”, ressalta Resende.

“O impeditivo é que não temos RH, não temos médicos, não temos enfermeiros, não temos fisioterapeutas e outros profissionais que precisam estar dentro das ilhas de UTIs para fazer o manejo adequado de pacientes”, explica o secretário.

A incidência do coronavírus segue alta e está presente em todos os municípios do Estado.  “Nós precisamos frear esse crescimento, publicamos o decreto do toque de recolher das 22h às 5h, mas mesmo assim, muitos municípios pioraram as suas bandeiras conforme dados do Prosseguir. Faltam 15 dias para terminar 2020, janeiro pode ser o mês mais crítico, e talvez o pior mês do Brasil e de Mato Grosso do Sul, se não tivemos a colaboração de todos. Nós podemos mudar essa situação se todos nos ajudarem e cada município seguir às devidas recomendações”.

MS possui sete municípios em risco extremo e 52 com bandeira vermelha

O Governo de Mato Grosso do Sul atualizou o grau de risco dos 79 municípios - referentes à 50ª semana epidemiológica do Programa de Saúde e Segurança da Economia (Prosseguir) e encaminhou as novas recomendações, para o período de 16 a 26 de dezembro, aos prefeitos. 

Além dos relatórios com as recomendações, o governo estadual notificou os municípios para que comprovem o cumprimento das medidas ou justifiquem o descumprimento, sob pena de comunicação ao Ministério Público e demais autoridades, de acordo com o Decreto Estadual nº 15.559/2020.

A situação tem exigido do governo grande esforço para estruturar o sistema de saúde, conforme explicou o secretário de Governo e Gestão Estratégica, Eduardo Riedel: "Precisamos pôr a mão na consciência e, mais do que nunca, fazer uma reflexão de responsabilidade para ver com o vamos atravessar o nosso fim de ano", alertou Riedel.

"A situação é séria. Não há falta de recursos. Essa semana o governador liberou mais de R$ 27 milhões para as unidades hospitalares do Estado municípios. A grande questão é a capacidade de ampliação de leitos de UTI. E por outro lado a necessidade de diminuir a taxa de multiplicação e contágio por parte da Covid-19. E o governo vai adotar as medidas necessárias para que a gente contenha ao máximo a propagação do vírus. Sabemos das consequências na economia e debatemos isso diariamente. Os municípios têm as suas responsabilidades também. Precisamos  pôr a mão na consciência e, mais do que nunca, fazer uma reflexão de responsabilidade para ver com o vamos atravessar o nosso fim de ano", destacou.

Mapa Situacional

O mapa situacional das quatro macrorregiões de Saúde (Corumbá, Campo Grande, Três Lagoas e Dourados), referente à 50ª Semana Epidemiológica (de 06 a 12/12), apresenta 20 municípios no grau médio (bandeira laranja), 52 no grau de risco alto (bandeira vermelha) e sete na faixa de risco extremo (bandeira cinza): Amambai, Aquidauana, Bela Vista, Campo Grande, Dourados, Naviraí e Sete Quedas. O estado não possui nenhum município nas faixas amarela (risco tolerável) e verde (baixo risco). 

Com relação à última divulgação (49ª semana), 53 municípios mantiveram, apenas quatro municípios melhoraram e 22 municípios regrediram no grau de risco.

Capital e outros seis municípios ocupam a faixa de risco extremo (bandeira cinza); 52 cidades estão com com alto risco (bandeira vermelha) e 20 apesentam risco médio (bandeira laranja).

Os mapas situacionais atualizadosrecomendações para os municípios e a distribuição das atividades econômicas por faixa de risco, estão disponíveis no site www.coronavirus.ms.gov.br (link prosseguir).


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