Semana On

Segunda-Feira 21.jun.2021

Ano IX - Nº 448

Mato Grosso do Sul

Em período difícil para a cultura, 2020 foi o ano das lives e auxílios emergenciais

Em Campo Grande, Prefeitura repassou quase 4 milhões de reais à classe cultural por meio da Lei Aldir Blanc

Postado em 17 de Dezembro de 2020 - Redação Semana On

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Este foi um ano difícil para a Cultura do Estado. Devido à pandemia, grande parte das ações culturais foram realizadas online, algumas canceladas ou adiadas. E, para auxiliar os artistas e instituições culturais neste momento difícil, a Fundação de Cultura lançou as duas edições dos editais emergenciais MS Cultura Presente e trabalhou para viabilizar a Lei Aldir Blanc de auxílio aos artistas e instituições culturais.

Antes do período da pandemia, foi realizado o Carnaval 2020 no Estado. Foram 11 prefeituras que tiveram a festa realizada pelo Governo do Estado, por meio da Fundação de Cultura: Corumbá, Campo Grande, Ladário, Nioaque, Corguinho, Ivinhema, Jardim, Porto Murtinho, Bela Vista, Aquidauana e Jaraguari. Em Campo Grande teve desfile dos Blocos Oficiais, na Calógeras, dos Blocos Não Oficiais, na Explanada Ferroviária, Morena Folia e o tradicional Desfile das Escolas de Samba na Praça do Papa.

Logo depois, o Estado entrou em quarentena devido à pandemia do novo coronavírus, e o Governo do Estado lançou duas edições do Edital Emergencial MS Cultura Presente, para auxiliar os artistas neste momento difícil, em que estão privados de manifestar sua arte e ter uma renda. Os dois processos emergenciais premiaram 782 artistas sul-mato-grossenses com o valor de R$ 1.800,00 (mil e oitocentos reais) para cada.

Também foi lançada a Lei Aldir Blanc, com auxílio emergencial de R$ 3.000,00 (três mil reais) para artistas e trabalhadores da cultura, tendo 417 inscrições. No inciso III da Lei, foram lançados 21 editais, totalizando R$ 4,1 milhões. O Governo Federal depositou no total R$ 20 milhões para a Lei Aldir Blanc no Estado.

Uma boa opção de lazer e entretenimento que voltou a funcionar este ano, com a realização da Fundação de Cultura, UFMS e Sectur foi o Autocine na Universidade Federal de MS. Foram 13 sessões realizadas, com espaço para 70 carros por sessão. As atrações selecionadas foram, em sua maioria, filmes infantis, com classificação livre, para toda a família poder participar.

A Temporada 2020 do Som da Concha acontece por meio de lives transmitidas diretamente da Concha Acústica Helena Meirelles nos meses de outubro, novembro e início de dezembro. São sete finais de semana ininterruptos de apresentações com os 20 selecionados de 2020 mais quatro remanescentes da edição 2018. Os shows podem ser visualizados pelo canal oficial da Fundação de Cultura de MS.

Outro evento que aconteceu online este ano foi o Proler – Programa de Incentivo à Leitura 2020. Com o tema “Ler, ver e ouvir literatura hoje”, o Proler superou em cinco vezes o número de inscritos do ano passado. Só no Youtube, a 21ª edição do Proler divulgada no canal da FCMS, contou com uma média de 1430 visualizações por vídeo, sendo que a menor visualização foi 600, a maior 2000, totalizando 47.199.

O programa levou aos inscritos de todo o país uma seleta programação englobando temas como a contação de histórias em suas diversas modalidades, literatura africana, a poesia no rap, Leitura e Educação, Movimentos de Vanguarda, Machado de Assis, entre outros. Ao todo, foram contabilizadas 13 palestras, 8 oficinas, 8 minicursos, 2 encontros, 1 conferência gravada, 1 sarau, 5 contações de história e 33 lives entre 29 de outubro e 13 de novembro, direcionado a professores, acadêmicos, bibliotecários, leitores, gestores públicos e todos aqueles que se interessam por Literatura.

A 18ª Semana Nacional de Museus, que aconteceu de 18 a 25 de Maio, com o tema “Museus para a Igualdade: Diversidade e Inclusão”, contou com a participação da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) e de outros museus de Mato Grosso do Sul totalmente sintonizado com os novos tempos da pandemia do novo coronavírus. Representantes de diversas instituições se encontraram com o público virtualmente em eventos transmitidos ao vivo pelas redes sociais da FCMS: Facebook e Instagram. As mesas temáticas tiveram a participação de intérpretes de libras nas lives.

A 4ª Semana Nacional de Arquivos, com o tema “Empoderando a sociedade do conhecimento”, foi realizada de 8 a 12 de junho de 2020. A programação estadual contou com conferências, bate-papos, exibição de curtas-metragens e exposição virtual. Os eventos foram transmitidos ao vivo pelas redes sociais da Fundação de Cultura – Facebook e Instagram – e também pelas redes sociais dos parceiros. 

A Semana faz parte das ações previstas pelo Arquivo Público Estadual de Mato Grosso do Sul. O evento já estava planejado para o mesmo período antes da pandemia, e devido à necessidade de quarentena neste período, as ações foram realizadas pelo meio virtual, evitando, assim, aglomerações e mantendo o isolamento social, uma das formas mais efetivas de prevenção ao contágio do Covid-19. 

O edital do Fundo de Investimentos Culturais, lançado em novembro de 2019, teve o seu resultado final divulgado. A relação dos 48 habilitados foi divulgada em 13 de novembro no Diário Oficial do Estado (DOE). Ficaram na suplência, 33 projetos dos mais variados segmentos culturais. O FIC teve seus prazos originais temporariamente cancelados devido à pandemia do novo coronavírus. Mas, apesar das dificuldades impostas pelas medidas de biossegurança, a equipe da FCMS, juntamente com o Conselho Estadual de Políticas Culturais de Mato Grosso do Sul (CEPC/MS), conseguiu finalizar o processo no tempo previsto. 

O Museu da Imagem e do Som realizou este ano vários eventos e exposições online. Em parceria com o curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) foi aberto no dia 16 de outubro o projeto de Tour Virtual da MADi: Mostra de Arte Digital 360º/ 2ª Edição. A 3ª edição do projeto está prevista para ser realizada ainda na primeira semana de dezembro.

A exposição que foi inaugurada no espaço do MIS em dezembro do ano passado, apresenta trabalhos de Realidade Aumentada, Realidade Virtual, Fotografia Sonora, Instalação Artística Interativa, Videoarte e Lambes Interativos, é parte do Projeto de Extensão que leva o mesmo nome da mostra, coordenado pela professora do curso de Artes Visuais Venise Paschoal de Melo e tem curadoria, além da coordenadora do projeto, dos professores Patrícia Osses e Joaquim Sérgio Borgato.

Foram realizadas duas edições da Mostra de Cinema Brasileiro Contemporâneo, com exibições online, projeto de parceria entre o Museu da Imagem e Som (MIS), da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), e a Faculdade de Audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Para assistir ao filme e acompanhar o debate o interessado participou de grupo de WhatsApp ou preencheu formulário disponibilizado nas redes sociais da Fundação de Cultura.

Em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) o MIS realizou a exposição online Dó-Ré-MIS Mulheres na Música de MS. A pesquisa das acadêmicas do curso de Artes Visuais da UFMS Amanda Mamede e Maria Carolina Rodrigues, sob a orientação da professora Simone Rocha, é uma continuação da exposição realizada no MIS e lançada em março. Com o fechamento do espaço físico devido a pandemia da Covid-19, foi elaborada uma proposta de ampliar a exposição para espaços digitais, visto a importância de divulgar, valorizar, e reunir informações das mulheres atuantes na música de Mato Grosso do Sul.

Neste fim de ano, um ano difícil para a cultura, a esperança veio do setor do artesanato: a Fundação de Cultura, por meio da Gerência de Desenvolvimento de Atividades Artesanais em parceria com o Programa de Artesanato Brasileiro, participa  da 31ª Feira Nacional de Artesanato em Belo Horizonte/MG, que acontece de 1º a 06 de dezembro no Centro de Exposições - Expominas. É a primeira feira de forma presencial que o artesanato de MS irá participar após um grande período de quarentena e feiras suspensas.

Foram selecionados as seguintes instituições e artesãos individuais que irão representar o Estado de MS na feira: Proart: Associação de Produtores de Artesanato de MS; Uneart: União dos Artesãos de MS; Artems: Associação de Artesãos de MS; Sinart/MS: Sindicato dos Artesãos de MS. Artesãos individuais: Andrea Lacet - Cerâmica e Ana Vitorino Leoderio – Madeira. 

Em Campo Grande

A Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo (Sectur), promoveu os repasses referentes aos editais n. 19 e 22/2020 à classe artística. Ao todo, estão sendo repassados um total de R$3.972.000,00 aos 204 projetos e espaços culturais aptos a receber os subsídios provenientes da Lei de Emergência Cultural n. 14.017 (Lei Aldir Blanc).

Os dois editais foram divulgados em formato de chamamento público em observância ao disposto no inciso II e III do caput do artigo 2º da Lei Federal 14.017/2020 – Lei Aldir Blanc, no Decreto nº 10.464 de 17/08/2020 e em consonância ao Decreto Municipal nº 14.481, de 02 de outubro de 2020.

Seguindo rigorosamente os trâmites jurídicos, a Sectur manteve aberto o edital n. 19/2020, – destinado a subsidiar espaços culturais e artísticos, micro e pequenas empresas culturais, de 8 a 22 de outubro, e o edital n.22/2020, o Morena Cultura e Cidadania, – destinado à seleção de projetos culturais e artísticos, do dia 16 de outubro a 3 de novembro.

Os pagamentos para espaços culturais já foram todos finalizados, e o repasse aos projetos inscritos no edital Morena Cultura e Cidadania serão finalizados até dia 27 de dezembro.

De acordo com o secretário Max Freitas, a respeito dos recursos para os projetos culturais e artísticos, a previsão era contemplar 112 projetos da seguinte forma: 110 projetos no valor de R$ 20.000,00 (categoria A) e outros dois projetos no valor de R$ 17.485,87 (categoria B).

O número de inscrições, neste caso, superou as expectativas: 147 inscrições na A, porém não houve nenhuma inscrição na categoria B. Foi preciso promover uma suplementação dos recursos não utilizados no edital 19 para poder atender aos 135 projetos aptos na primeira categoria.

A Prefeitura também escutou as solicitações da classe e retirou a obrigatoriedade de apresentação das certidões municipais, estaduais e federais para atender o maior número de munícipes, reconhecendo, desta maneira, o estado de calamidade e necessidade da classe artística nesse momento tão delicado.


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