Semana On

Quarta-Feira 23.jun.2021

Ano IX - Nº 448

Coluna

Fanfarronice é a resposta contra o medo da derrota, da condenação de Flávio, do isolamento político

O jornalista Victor Barone resume a semana política, com humor e acidez

Postado em 11 de Novembro de 2020 - Victor Barone

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Os que cercam o presidente Jair Bolsonaro concordam sobre o principal motivo que o levou a viver um dia de cólera na última terça-feira (10): medo. Medo do que possa acontecer com seu filho mais velho, o senador Flávio, investigado por corrupção. Medo do que o futuro reserva ao seu governo. Medo de perder em 2022.

E concordam que a explosão de cólera conseguiu deixar Bolsonaro mal ao mesmo tempo com os militares que sempre o apoiaram, a China, o maior parceiro comercial do Brasil, e o governo de Joe Biden que em 20 de janeiro próximo tomará posse como novo presidente dos Estados Unidos. Um feito e tanto, como se vê.

Quando as Forças Armadas por aqui foram alvo de piadas e de deboche nas redes sociais? Não havia registro disso. Passou a haver depois que Bolsonaro, em discurso no Palácio do Itamaraty, e a propósito da pressão de Biden para que cuide melhor da Amazônia, afirmou que se a diplomacia fracassa, resta a pólvora.

Com isso expôs a fragilidade bélica das Forças Armadas brasileiras que gastam menos com investimentos em armas e mais com o pagamento de pensões vitalícias e cônjuges e filhos de militares mortos. Falta pólvora para que façam a guerra por mais de uma hora, como já observou o general Maynard Santa Rosa.

Não bastasse, Bolsonaro declarou que não discute nenhum assunto com seu vice, o general Hamilton Mourão. E logo na semana em que Mourão, responsável pelo comando do Conselho Nacional da Amazônia, percorreu parte daquela região em viagem de relações públicas acompanhado por embaixadores de países europeus.

Por que diminuir o papel de Mourão numa hora dessas? Além de ser uma mentira. Há assuntos que Bolsonaro discute, sim, com o vice. E Mourão tem se comportado como um aliado dele junto aos seus pares. Para o público externo, atua como uma espécie de tradutor de Bolsonaro, suavizando suas falas mais infelizes.

O presidente bateu de frente com a China duas vezes. A primeira ao celebrar o falso insucesso da vacina Coronavac, sugerindo que ela pode matar e provocar anomalias. A segunda quando em cerimônia no Itamaraty o governo brasileiro anunciou sua adesão ao programa americano de combate ao 5G chinês.

Biden, a exemplo de Donald Trump, deve ter gostado de mais um gesto de rendição de Bolsonaro aos interesses dos Estados Unidos. Nem por isso vai desistir de impor sanções econômicas ao Brasil se a Amazônia continuar sendo desmatada e incendiada ao mesmo tempo. Ou diminui o ritmo atual de degradação ou haverá sanções.

Pergunta que teima em ser feita: o que Bolsonaro ganhou com o que fez? Sequer uma trégua da justiça no caso do sufoco em que vive o Zero Um. O Conselho Institucional do Ministério Público Federal determinou a reabertura de inquérito eleitoral contra Flávio rejeitando o pedido da defesa para que fosse arquivado.

Por Ricardo Noblat

O ADEUS DO AMIGO IMAGINÁRIO

Jair Bolsonaro apostou no cavalo perdedor. Depois, passou a apoiar o jóquei que chegou em segundo e esperneia, sem provas, que o vencedor dopou o cavalo, sabotou a pista, subornou os juízes e corrompeu o público. O pior de tudo é que o presidente brasileiro fez a aposta com o nosso dinheiro.

A outra metáfora possível seria o sujeito que vai com a vaca da família na feira a fim de vendê-la e comprar comida e volta com meia dúzia de feijões com a promessa de que são mágicos. Depois descobre que o vendedor foi levado pela Polícia Civil por estelionato, mas fica ajoelhado na sua horta, esperando a mágica acontecer.

Aliados de Donald Trump, como os primeiros-ministros de Israel, Benjamin Netanyahu, e da Hungria, Viktor Orbán, já felicitaram o democrata. Bolsonaro segue em silêncio, sem reconhecer a vitória de Joe Biden.

Apesar de todo o amor que sente pelo futuro ex-presidente norte-americano, a estratégia do brasileiro é manter-se firme, mas só até onde for possível.

Entrega, assim, o que deseja o bolsonarismo-raiz, grupo que representa de 12% a 16% da população e tem garantido apoio incondicional a Bolsonaro. Parte dele enxerga em Trump uma espécie de semideus na luta contra a conspiração de bilionários pedófilos, intelectuais globalistas, Illuminati e cavaleiros templários.

Mas também tenta ocupar o espaço deixado pelo republicano nas redes de apoio dos movimentos internacionais da extrema direita. E seus ricos patrocinadores.

E o que Bolsonaro apostou durante a campanha norte-americana? Nossa dignidade, por exemplo.

Só para dar exemplos dos últimos meses. Em um encontro com Ernesto Araújo, em 18 de setembro, em Boa Vista (RR), o secretário de Estado Mike Pompeo usou o território brasileiro para provocar o governo da Venezuela - o que levou a oposição no Senado Federal a convocar o chanceler por ajudar a criar um factoide a fim de ser usado na campanha de Trump.

Em meio à reta final da campanha eleitoral, quando Trump precisou reforçar que contava com aliados na disputa contra o gigante asiático, Bolsonaro deu sinais de que pretendia excluir ou limitar a participação da chinesa Huawei na escolha do sistema de 5G. Sem contar os ataques à China por conta do coronavírus, ecoando o republicano.

A fim de ajudar Trump, que buscava votos nos estados produtores de milho, matéria-prima do etanol por lá, Bolsonaro dificultou a vidas dos produtores brasileiros de etanol, que estavam com estoques para gastar devido à redução do consumo na pandemia. Renovou a cota de etanol dos EUA que pode entrar aqui sem pagar imposto de importação - 62,5 milhões de litros/mês. Acima disso, o valor é a tarifa comum do Mercosul, 20%. A cota havia expirado em agosto.

Não só. Os Estados Unidos reduziram a cota de aço semiacabado que o Brasil pode vender a eles sem tarifas - o total caiu de 350 mil para 60 mil toneladas para o quatro trimestre do ano. O motivo também foi pressão da indústria dos EUA sobre o candidato à reeleição por causa da queda de demanda devido à pandemia.

Durante a campanha, Trump - que visitou vários países, menos o vassalo Brasil - chegou a usar diversas vezes o governo Bolsonaro como exemplo negativo no combate à covid-19, dizendo que os EUA poderiam estar mal, como nós, caso ele não tivesse agido corretamente. Além de ceder na economia e na geopolítica, ainda virou o paga-lanche.

É hora de cobrar Bolsonaro pela aposta que fez, indo contra o que um patrimônio de um século de diplomacia brasileira independente não o autorizava a fazer. Dobrar a pressão para que ele reverta sua política de terra-arrasada na Amazônia, lembrando que não precisa ser pelo meio ambiente, pelos povos que lá vivem ou pelo futuro da humanidade, mas pelo comércio mesmo - que deve sofrer impacto com a chegada de Joe Biden. E exigir que pare de ter amigos imaginários.

Por Leonardo Sakamoto

BOM AVISO

A derrota de Donald Trump deixou Bolsonaro zonzo. Ele demora a enxergar duas obviedades: Trump nunca foi um bom exemplo. Mas Biden tornou-se um fabuloso aviso.

Bolsonaro não gosta de ler. Mas deveria desperdiçar um naco do seu domingo lendo o discurso da vitória, pronunciado por Biden na noite de sábado. É um discurso curto. Pode-se atravessá-lo em 15 minutos. A leitura será mais proveitosa se o capitão prestar atenção a trechos como o que vai reproduzido abaixo:

"A Bíblia nos diz que para tudo existe um tempo, um tempo para construir, um tempo para colher, um tempo para semear. E um tempo para curar. Esta é a hora de curar na América." Trocando-se América por Brasil, o discurso poderia ser lido por Bolsonaro em rede nacional de rádio e tevê.

Biden não esclareceu, mas referia-se a uma passagem do livro de Eclesiastes (3:1-8). Ensina que há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu. Tempo de matar e tempo de curar. Tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las. Tempo de rasgar e tempo de costurar. Tempo de odiar e tempo de amar. Tempo de lutar e tempo de viver em paz.

A exemplo dos Estados Unidos, o Brasil amarga duas patologias: a Covid e a polarização. Contra a primeira, ainda não há vacina de eficácia comprovada. O número de mortes declina. Mas o vírus continua matando. Contra a segunda, há dois velhos imunizantes à disposição: sensatez e moderação.

"Prometo ser um presidente que não vai dividir, mas unificar", declarou Biden. "É hora de colocar de lado a retórica dura, baixar a temperatura, nos vermos novamente, nos ouvirmos novamente e, para progredir, temos que parar de tratar nossos oponentes como nossos inimigos. Eles não são nossos inimigos. Eles são americanos."

De novo: substituindo-se "americanos" por brasileiros, o discurso poderia ser lido num pronunciamento do presidente brasileiro em rede nacional. Mas não passa pela cabeça de Bolsonaro dizer algo parecido. Sua ascensão à Presidência, assim como a chegada de Trump à Casa Branca, foi uma consequência direta da polarização.

O lógico seria que, depois de eleito, Bolsonaro virasse um presidente de todos os brasileiros, inclusive dos que não votaram nele. Mas ele passou a governar para um terço da população. Trump fazia parecido. Deu no que está dando.

A exemplo do ídolo americano, Bolsonaro coloca na receita do seu pudim raiva e desinformação em doses que podem ser letais. Abusa da sorte. Num instante em que o vírus apresenta a Trump a conta do negacionismo, Bolsonaro faz política com uma vacina contra o coronavírus.

A melhor hora para mudar é quando a mudança ainda não é necessária. Trump perdeu a sua hora. Bolsonaro desperdiça o seu momento desde o dia da posse. É como se desejasse ser engolido pela lógica de um outro conhecido preceito bíblico. Está no mesmo livro de Eclesiastes, no capítulo 1, versículo 9.

Diz o seguinte: "O que foi tornará a ser; o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do Sol." Ao macaquear Trump a ponto de ser derrotado junto com ele, Bolsonaro parece convidar o eleitor brasileiro a mimetizar os americanos que elegeram Biden. O ano de 2022 pode ficar parecido com 2020.

Por Josias de Souza

ANVISA VERDE-OLIVA

Em meio às suspeitas de interferência política na Anvisa, Jair Bolsonaro resolveu colocar mais lenha na fogueira. O presidente encaminhou ao Senado sua indicação para a diretoria da agência que fica vaga em dezembro – e hoje é responsável pelo registro das vacinas. Ele pretende colocar por lá mais um militar sem experiência em regulação e que, ainda por cima, tem compartilhado nas redes sociais seus tuítes contra a CoronaVac.

O fardado da vez é o tenente-coronel do Exército Jorge Luiz Kormann. Ele desembarcou no Ministério da Saúde em maio, no contexto da ocupação militar que buscava tutelar a gestão Nelson Teich. Em junho, já sob Pazuello, ele foi alçado ao cargo de secretário executivo adjunto, um dos mais importantes do ministério. É claro que Kormann não possui formação em saúde, mas em ‘ciências militares’

Tem mais: Kormann endossa nas redes sociais um conjunto de conteúdos problemáticos para alguém que pode acabar supervisionando a Gerência Geral de Medicamentos, como a propaganda da hidroxicloroquina. O levantamento feito pelo Estadão também concluiu que ele compartilha bastante Olavo de Carvalho e Guilherme Fiuza, jornalista que voltou sua atuação para a direita brasileira. Uma das curtidas do tenente-coronel foi dada em um post de Fiuza que afirma que lockdown não tem base na ciência, atribuindo essa decisão de prevenir o espalhamento do vírus como fruto da “parceria saudável” entre a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a “ditadura chinesa”. 

Caso não haja redistribuição de atribuições – o que a Anvisa diz ser possível depois da completa renovação na diretoria colegiada – também ficaria sob a responsabilidade de Kormann a visadíssima Gerência Geral de Alimentos, que vem sendo objeto de lobby pesado da indústria. Para assumir, o tenente-coronel precisa ser aprovado pelo plenário do Senado. Se isso acontecer, dos cinco diretores, dois serão militares. Antonio Barra Torres, atual diretor-presidente da agência, é contra-almirante da Marinha. 

SÓ PARA INCENDIAR

O presidente Jair Bolsonaro continua querendo gerar confusão e dúvida a respeito da CoronaVac. A Anvisa já liberou a retomada dos testes clínicos, concordando com os relatórios que indicam não haver relação entre a morte do voluntário de 32 anos e a vacina. A morte foi registrada como suicídio; os laudos do IML e do Instituto de Criminalística divulgados ontem apontam que ela ocorreu em consequência de intoxicação por opioides, sedativos e álcool.

Surgem boatos de que a vacina poderia estar relacionada ao suicídio por induzir à depressão. Embora esse seja um efeito observado em alguns medicamentos, não há nenhum registro na literatura científica relacionando imunizantes a depressão ou ideação suicida. Se o presidente não fosse quem é, neste momento estaria atuando para combater as fake news e fortalecer a confiança da população na ciência. Mas o que temos é  Bolsonaro, e seu modus operandi é espalhar centelhas de dúvidas. “Vão apurar a causa do suicídio. E daí, obviamente, não tem nada a ver com a vacina. Pode ser um efeito colateral da vacina também? Pode ser, tudo pode ser. Não sei se chegaram à conclusão que esclarece para voltar a pesquisar a vacina, no caso a CoronaVac, da China aí”, disse ontem, em transmissão ao vivo no Facebook. 

Mas se os resultados dos testes forem bons e a Anvisa aprovar a CoronaVac, não distribuí-la a todo o país pelo SUS será um problema. Por isso, o mandatário voltou atrás e disse que “havendo a vacina comprovada pela Anvisa e pelo Ministério da Saúde, a gente vai fazer uma compra”. Só que emendou: “Mas não é comprar no preço que um caboclo aí quer. Está muito preocupado um caboclo aí que essa vacina seja comprada a toque de caixa. Nós vamos querer uma planilha de custo”. O caboclo seria o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Bolsonaro foi além e disse que só aceita a CoronaVac se a China também a adotar: “Sei que não compete a mim isso aí, mas quero saber se esse país usou a vacina no seu pais. Igual armamento, quando se fabrica armamento em qualquer país do mundo, o país que quer comprar fala: ‘Seu Exército está usando esse armamento? Se está usando, sinal que é bom, então vamos comprar isso aí'”.

Há muito tempo se sabe que a China, numa estratégia bastante controversa, tem oferecido a CoronaVac – e dois outros imunizantes, produzidos pela Sinopharm – a centenas de milhares de seus cidadãos. Recentemente, o governador de São Paulo atestou a segurança da vacina baseando-se justamente nessa aplicação emergencial em 50 mil chineses (com dados que, no entanto, não têm rigor científico, porque não se trata de um ensaio clínico). 

À noite, a Anvisa anunciou que vai enviar uma “missão de inspeção” à China, para avaliar as instalações da Sinovac e da Wuxi Biologics – a primeira é responsável pela desenvolvimento da CoronaVac, e a última produz insumos para a AstraZeneca. Os agentes do órgão regulador vão sair do Brasil hoje. Mas, como a China tem medidas para evitar a transmissão do coronavírus, terão que fazer quarentena. As visitas só vão começar no fim do mês. 

NO BUTANTAN

O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, abrandou suas críticas à Anvisa. Elogiou a rapidez da agência em avaliar o caso e disse que o “relacionamento, apesar desse episódio, foi mantido em bom nível. Não houve nenhum estremecimento”, disse ele. E e seguida: “Entendemos que a Anvisa é uma agência de Estado, não de governo. Na sua constituição está previsto independência e contratação de técnicos com relativa estabilidade, portanto aptos a atuar pela população brasileira. E assim tem sido sempre. Se existe um ou dois pontos fora da curva, não quero acreditar que isso seja a norma”.  Mas ele também voltou a criticar a comunicação entre a Anvisa e o instituto de pesquisa: “Não podemos nos comunicar por comunicados de imprensa“, disse – no que concordamos.

De acordo com ele, em breve vai ser anunciada a fase de testes da CoronaVac em idosos, crianças, gestantes e puérperas, o que é importante para ver se a eficácia da vacina varia conforme as características do público. 

QUAL É O PLANO?

Paulo Guedes deu mais uma mostra de que o governo federal não sabe o que fazer em relação ao Renda Cidadã. A menos de dois meses para o fim do ano não se encontrou uma forma de financiar o programa. Só que vem aí o fim do auxílio emergencial – que garantiu a Bolsonaro apoio popular no meio da crise sanitária. Então Guedes afirmou que “se houver uma segunda onda de covid-19” vai haver uma prorrogação do benefício “com certeza”. Numa conta que não explicou, disse que nesse caso “ao invés de gastar 10% do PIB, como foi neste ano, gastamos 4% [em 2021]”. 

Esse não é, de acordo com ele, o “plano A” do governo – que envolveria uma redução nas contaminações e a “volta” da economia. A concretização deste plano parece depender de forças sobrenaturais, já que o governo não tem estratégia para evitar um recrudescimento da pandemia no país. Os técnicos apostam que não teremos uma piora na crise sanitária e, segundo o G1, para isso se baseiam na crença de que o país já está próximo da imunidade de rebanho… “Os técnicos se baseiam em uma tese fundamentada em estatísticas de infecções e em um estudo acadêmico que circulou na área econômica, no Palácio do Planalto e no Ministério da Saúde. O estudo mostra cidades brasileiras nas quais 20% ou mais da população teriam tido contato com o coronavírus e estariam supostamente imunizadas”, diz a reportagem. Já sabemos que 20% de infectados não representam segurança para o coletivo, e que falar em imunidade de rebanho sem vacina significa aceitar candidamente milhares de vidas perdidas. A concretização do ‘plano A’ de Guedes, portanto, depende do fracasso do governo em proteger as pessoas. 

“EU DEMITO”

O Conselho Nacional da Amazônia Legal, presidido por Hamilton Mourão, tem uma ideia para combater o devastação: expropriar terras com desmatamento e queimadas ilegais, além daquelas ocupadas por grilagem. A proposta está num documento enviado para diversos ministros, mas Jair Bolsonaro rebateu de pronto: “A propriedade privada é sagrada, não existe nenhuma hipótese nesse sentido. Se alguém levantar isso aí, eu simplesmente demito do governo, a não ser que essa pessoa seja ‘indemissível'”.  Segundo o G1, o Conselho planeja enviar ao Congresso em maio do ano que vem uma PEC contendo essa e outras medidas. 

NA BOLÍVIA

Luis Arce tomou posse como presidente da Bolívia ontem ao lado de seu vice, David Choquehuanca. Por lá, os planos de implantação do ‘SUS’ boliviano foram interrompidos pelo golpe. Passado o obstáculo político, o sistema público universal de saúde, inaugurado em março do ano passado, deve enfrentar dificuldades no financiamento. “O governo interino deixa uma economia com cifras que não se viam nem mesmo em uma das piores crises que a Bolívia sofreu no governo do UDP nos anos oitenta do século passado. O desemprego, a pobreza e as desigualdades aumentaram”, pontuou Arce em seu discurso. 

GENTE DE BEM

Expulso da Polícia Militar do Paraná após condenação por indisciplina e candidato a deputado federal pelo PSL em 2018, Nilson Roberto Pessutti Filho, conhecido como Soldado Pessuti, liderou o ataque contra dois universitários angolanos, um de 26 e outro de 27 anos, em uma loja de bebidas de Maringá (PR) no sábado (7). Um dos jovens chegou a perder a consciência após sofre um mata-leão e foi arrastado para fora do comércio. Nas redes sociais, o ex-PM, apoiador de Jair Bolsonaro desde a campanha eleitoral de 2018, confirma a autoria do ataque e publicou imagens internas do estabelecimento que, segundo ele, mostraria que os angolanos teriam xingado funcionários do comércio. Pessutti também teria publicado um vídeo com novas ameaças aos estrangeiros, mas que, segundo ele, teria sido retirado do ar. Segundo informações do G1 Paraná, no vídeo, o ex-PM ameaçou os universitários angolanos. “Esses vagabundos, não importa se são negros, angolanos, haitianos. Vieram lá da terra deles, para causar confusão. Se algum dos meus for prejudicado por causa desses marginais, aí vocês vão ver o satanás”, afirmou.

FRASES DA SEMANA

“Nosso assunto é militar. Não nos metemos em áreas que não nos dizem respeito. Não queremos fazer parte da política governamental ou do Congresso Nacional e muito menos queremos que a política entre em nossos quartéis.” (Edson Leal Pujol, general e Comandante do Exército)

“Não podemos permitir que a vacinação se transforme em uma guerra, como deseja Bolsonaro. Uma guerra contra o povo brasileiro, que será sem dúvida a sua principal vítima”. (Lula)

“Entre pólvora, maricas e o risco de hiperinflação, temos mais de 160 mil mortos, uma economia frágil e um estado às escuras. Em nome da Câmara, reafirmo o compromisso com a vacina, a independência dos órgãos reguladores e a responsabilidade fiscal!” (Rodrigo Maia, deputado)

“Não posso apoiar uma chapa integrada por alguém de extrema-direita”. (Rodrigo Maia, DEM-RJ, presidente da Câmara dos Deputados, sobre o ex-ministro Sérgio Moro e as eleições presidenciais de 2022)

“O governo tem de tomar a iniciativa. Vai ter de cortar incentivos que não têm resultado para encontrar espaço para um programa de renda mínima razoavelmente satisfatória. [Não pode se eximir] de fazer coisas desagradáveis”. (Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda) 

“Prometo não dividir, mas unificar. Esta é a hora de curar a América”. (Joe Biden, presidente eleito dos Estados Unidos, em seu discurso de vitória. Há quatro anos, no seu discurso de vitória, Donald Trump disse: “Esta carnificina americana para aqui e agora.”)

“Deixe as calças curtas e comporte-se como um adulto”. (De Jim Kenney, prefeito de Filadélfia, para o presidente Donald Trump que teima em tentar anular votos de Democratas em Estados onde perde a eleição)


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