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Domingo 17.out.2021

Ano X - Nº 463

Mato Grosso do Sul

Maior seca em 22 anos faz governo de MS decretar situação de emergência

No Pantanal, dados da Marinha mostram que o nível de água do rio Paraguai atingiu os menores índices dos últimos 50 anos

Postado em 20 de Outubro de 2020 - Luana Rodrigues - TV Morena e G1 MS

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Mato Grosso do Sul enfrenta a maior seca dos últimos 22 anos, de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). As chuvas recentes não foram suficientes para resolver o problema. Por conta da situação, o governo do estado decretou situação de emergência.

No Pantanal, dados da Marinha mostram que o nível de água do rio Paraguai atingiu os menores índices dos últimos 50 anos, o que coloca em risco potencial as captações operadas na bacia, que são responsáveis pelo abastecimento de, pelo menos, nove municípios.

O coordenador da Defesa Civil do estado, tenente-coronel Fábio Catarinelli, disse que foi feita uma captação superficial por parte da empresa de saneamento do estado, que atende esses municípios, e foi identificado que o nível dos rios estava muito baixo, o que poderia prejudicar o abastecimento de água.

Ele diz que o decreto permite que o estado agilize os processos para atuar e manter um abastecimento de qualidade para a população.

A especialista em recursos hídricos Synara Broch, presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos, diz que além da redução do volume de chuvas, outros problemas levam ao desabastecimento, como a falta de infraestrutura na captação e de planejamento na gestão dos mananciais.

O decreto

Conforme o decreto, publicado no último dia 19, no Diário Oficial, os níveis dos mananciais de abastecimento de água se encontram muito abaixo dos padrões “prudenciais”, o que exige ações que garantam a qualidade e a potabilidade de água coletada para a população.

O texto diz que alguns municípios do estado já enfrentam a escassez hídrica. Destaca que o abastecimento público de água depende da regularidade do regime das chuvas e que, com as altas temperaturas registradas nas últimas semanas, em algumas cidades, como Campo Grande chegaram a ser superiores aos 40ºC, aumentou o consumo de água, afetando o abastecimento.

Conforme o decreto, a situação de emergência vale por 60 dias. O que quer dizer que nesse período os órgãos estaduais podem empregar ou destinar recursos humanos, financeiros, materiais, veículos e equipamentos para auxílio nas operações de abastecimento humano e oferta de água a abnimais.

O coordenador da Defesa Civil do estado, tenente-coronel Fábio Catarinelli, disse que a esperança é que o retorno gradual da chuva normalize a situação dos mananciais nos próximos dias.

Conforme o decreto, cabe ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), priorizar as análises de outorgas de direitos de uso de recursos hídricos e as autorizações ambientais destinadas ao abastecimento público.

Alerta

No início de outubro a concessionária que abastece Campo Grande, Águas Guariroba, chegou a emitir um alerta para o uso consciente da água no município.

Na época, a empresa já apontava que as altas temperaturas tinha provocado um aumento de 22% no consumo de água na cidade em relação ao mesmo período da estiagem e pedia para que a água fosse utilizada apenas para atividades essenciais.

Em nota divulgada nesta terça-feira (20), a Águas Guariroba disse que as recentes chuvas em Campo Grande contribuíram para minimizar os impactos do alto consumo provocado pelo período atípico de estiagem, mas segue monitorando o abastecimento através de sua central de controle de operações (CCO) e atendendo as demandas pontuais que chegam através de seus canais de atendimento.


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