Semana On

Quinta-Feira 05.ago.2021

Ano IX - Nº 454

Campo Grande

Mulheres são mais da metade do eleitorado mas só 23% de candidatos nas capitais

Em Campo Grande, Cris Duarte (PSOL) e Sidneia Tobias (Podemos) são as faces femininas em meio a outras 13 candidaturas masculinas

Postado em 24 de Setembro de 2020 - Redação Semana On

Cris Duarte, do PSOL, tem como vice Val Terena (a esquerda). Sidneia Tobias (a direita), do Podemos, é a outra candidata feminina a concorrer à Prefeitura da capital sul-mato-grossense. Cris Duarte, do PSOL, tem como vice Val Terena (a esquerda). Sidneia Tobias (a direita), do Podemos, é a outra candidata feminina a concorrer à Prefeitura da capital sul-mato-grossense.

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Das 312 candidaturas às prefeituras de 26 capitais brasileiras em 2020, apenas 59, ou 23%, serão lideradas por mulheres. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mulheres são 52,49% das 147,9 milhões de pessoas aptas a votar nestas eleições

Para Carolina Plothow, embaixadora do Vote Nelas São Paulo, a ausência de candidatas no pleito eleitoral em capitais é “um constrangimento não só à ideia de democracia, mas ao ideal que nós mulheres sonhamos com a democracia”. “Pensando nos movimentos de fragilização das instituições democráticas, que vem em ascendência, não é surpresa que existem capitais onde não há candidatas mulheres para o eleitor votar”, conclui.

Das 59 candidatas à prefeita, 22 estão em capitais do Nordeste, 14 no Sudeste, 11 no Sul, 6 no Norte e mais 6 no Centro-Oeste. As duas capitais com o maior número de candidatas são Rio de Janeiro (RJ) e Curitiba (PR), seis em cada.

Se a Lei 9.504, de 1997, que estabelece a cota de 30% de vagas para mulheres em eleições, fosse aplicada nos pleitos para cargos do Executivo, apenas três partidos a cumpririam na disputa das capitais: PSTU, PSOL e UP. Mas a regra só se aplica em eleições proporcionais, como as de deputados e vereadores.

Das 16 candidaturas às prefeituras do PSTU, sete, ou 43%, serão mulheres. Em seguida a Unidade Popular (UP), com 42% de representatividade feminina, 3 de 7; PSOL (39%), PSDB (28%), PT (23%) e PCdoB (23%) completam a lista.

Dos 32 partidos que disputarão as prefeituras das capitais, nove não possuem candidatas, são eles: MDB, PTB, PTC, PMN, PRTB, Republicanos, Patriota, Solidariedade e o Novo. Todos, com inclinações à direita, ou centro-direita.

“Acho que isso faz parte de uma construção e de uma visão de mundo. Alguns partidos, principalmente aqueles mais à direita, não acreditam obrigatoriamente, na necessidade de promoção de pautas identitárias – representatividade – ou lutas antiopressão. O foco é outro", explica Plothow

"Porém, cada vez mais, vemos um crescimento dentro da própria direita, de mulheres ocupando espaços com as suas ideias. É uma disputa. Na esquerda, por outro lado, há uma facilidade maior das mulheres se sentirem representadas. Talvez até por uma construção histórica”, finaliza.

Campo Grande

Em Campo Grande (MS), duas candidatas disputarão a prefeitura ao lado de outros 13 homens. Cris Duarte, do PSOL, tem como vice Val Terena. Sidneia Tobias, do Podemos, é a outra candidata feminina a concorrer à Prefeitura da capital sul-mato-grossense.

Filha de nordestinos e nascida na capital, Cris é psicóloga. Sua vice, da Aldeia Ipegue, na Terra Indígena Taunay/Ipegue, é membro do Conselho do Povo Terena e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e fundadora da Aldeia Urbana Tumuné Kâlivono, em Campo Grande. O coletivo, já que as duas se intitulam ‘coprefeitas’, defende a maior inclusão da mulher na política e ressalta a importância das candidaturas femininas.

Para Cris, ter uma representante do povo terena como ‘coprefeita’, é uma tentativa de resignificar o conceito de ‘vice’, geralmente sem protagonismo nas disputas eleitorais. Em Campo Grande, há cerca de 17 mil indígenas em contexto urbano.

Cris afirma, ainda, que uma candidatura majoritariamente feminina no MS tem significado especial. “Significa dizer que não queremos que continuem decidindo por nós, mulheres. Estamos em um estado com um grave problema democrático, a ausência de representação feminina. Não temos uma deputada na Assembleia Legislativa, apenas duas vereadoras na câmara, e isso diz muito sobre uma estrutura machista de poder que invisibiliza as mulheres e em consequência disso, é ineficiente em promover políticas públicas que atendam de fato as necessidades da maioria que vive aqui”, afirma.

Sobre as perspectivas da esquerda em um Estado predominantemente conservador, Cris Duarte afirma que o PSOL é um partido que vem crescendo a cada eleição. “Temos uma bancada federal admirável por sua atuação, não temos histórico de corrupção partidária e isso nos coloca como uma alternativa de esquerda que vem encantando o eleitorado. Um exemplo disso é que estamos em terceiro lugar na pesquisa IBOPE para a prefeitura de São Paulo -SP. Em MS além de uma presença marcante nas eleições da capital, com uma chapa inédita que dialoga com a maioria de mulheres, trabalhadoras e trabalhadores periféricos, temos chances reais de fazer um prefeito no interior”, acredita.

A candidata do Podemos, delegada Sidneia Tobias, é um nome conhecido entre profissionais da segurança. Primeira mulher a chefiar o Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestro) em Mato Grosso do Sul, é uma grande defensora do empoderamento feminino através de ações. Nas redes sociais defende bandeiras como a luta contra a corrupção, o fim do foro privilegiado e o porte de armas para ‘cidadãos de bem’. Autointitulada cristã fervorosa, acredita que não dá para se ter segurança sem uma boa base de educação, saúde e qualidade de vida.

Para ela, uma candidatura feminina serve para “quebrar paradigmas”. Ela explica: “Muitas mulheres estão altamente qualificadas para assumir postos de comando, inclusive administrar cidades. Campo Grande nunca teve uma prefeita eleita pelo voto popular. Vamos trabalhar para dar um olhar diferenciado em relação a administrar a cidade para todos. Não faço falsas promessas. Quero trabalhar com respeito e zelo ao bem público como fiz em todos os meus 30 anos de carreira na segurança pública. A cadeira de prefeito é do povo e, se eleita, estarei apenas administrando as necessidades da população e da cidade”, avisa. Segundo a candidata, seu partido tem compromissos com a família, a transparência, a legalidade, o combate a corrupção, a moralidade e, principalmente, o respeito ao cidadão campo-grandense.

Campo Grande terá cerca de 776 candidatos a vereador: 65% são homens

Os partidos da capital de Mato Grosso do Sul lançaram a candidatura de 776 candidatos a vereador. Se a Justiça Eleitoral homologar a proposta de todos eles, serão 510 candidatos homens - em torno de 65 % do total - e 266 mulheres - cerca de 35%. Os números foram retirados das atas dos partidos, publicadas pelo site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os candidatos pleiteiam uma das 29 vagas ao posto de vereador. A coligação entre PSD, PC do B, PSB, Republicanos, DEM, PTB, Patriota, PSDB, Rede e Cidadania, do atual prefeito Marquinhos Trad, é a que tem mais candidaturas, com 342. A coligação entre PMN e Solidariedade registra 72 candidatos. PDT, Novo, PP, Avante, PV, PT, PSL, MDB, PSOL, PSC e Podemos não registraram coligações. PL e PCO ainda não registraram nenhuma candidatura a vereador até a publicação desta reportagem.

Todas as candidaturas aguardam julgamento do TRE para depois serem efetivadas e os nomes irem às urnas. Os partidos podem registrar candidatos até este sábado (26).


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