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Quarta-Feira 04.ago.2021

Ano IX - Nº 454

Mato Grosso do Sul

Em meio a pandemia, índios da maior reserva urbana do país estão sem água encanada

Reserva reúne duas aldeias, Bororó e Jaguapiru, em Dourados

Postado em 21 de Agosto de 2020 - Caio Nogueira - TV Morena

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Em meio a pandemia do novo coronavírus, cerca de 17 mil indígenas das aldeias Bororó e Jaguapiru, em Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, estão sem água encanada.

Juntas, as duas aldeias formam a maior reserva urbana indígena do país. Segundo o líder da aldeia Bororó, Gaudêncio Benites, quase metade dos índios está sem abastecimento de água há um mês

A única alternativa, conforme Benites, é buscar água na escola municipal Araporã. Ele calcula que mais de 100 famílias passam pelo colégio todos os dias com baldes. Alguns indígenas andam mais de 4 quilômetros para levar água para casa.

Com a situação, em plena pandemia do coronavírus, higienizar as mãos como forma de prevenção não é uma realidade na reserva.

“Já chegamos a ficar 15, 20 dias sem. É um problema constante na comunidade. Não tem como cobrar higienização porque não tem água. Não adianta oferecer o produto para lavar se não tem água. É um problema sério”, diz o líder da aldeia Jaguapiru, Nelson Avila.

O Ministério Público Federal diz que o problema tem sido frequente em todo o estado e que existem ações para garantir o acesso à água.

“A falta de água é uma realidade nas comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul. Em Dourados temos uma ação desde 2011 que reiteradamente não é cumprida, mas, que nos últimos meses exigia que houvesse o atendimento ao acesso e água. Infelizmente é necessário que haja demanda judicial para um direito que deveria ser automático”, disse o procurador do MPF Marco Antonio Delfino de Almeida.

Em nota, a Sanesul disse que não se responsabiliza pelo fornecimento de água, porque a área é indígena.

Já a secretaria especial de Saúde Indígena (Sesai), disse que a obra de melhoria e ampliação do sistema de abastecimento nas aldeias, que começou em fevereiro, deve ficar pronto no fim do mês.

Ainda segundo a Sesai, a falta de água se deve a vazão dos poços que têm diminuído, a seca pela qual o estado está passando e também pelo alto consumo da população.


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