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Quinta-Feira 24.jun.2021

Ano IX - Nº 448

Legislativo

Uso desaconselhado de hidroxicloroquina, deixa pacientes de doenças que dependem da droga sem opção em Campo Grande

Incentivo ao uso indiscriminado do medicamento partiu do prefeito Marquinhos Trad

Postado em 14 de Julho de 2020 - Redação Semana On

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Medicamentos que passaram a ser indicados na contramão da ciência para atuar no tratamento precoce ou profilático da Covid-19 praticamente sumiram das farmácias. Para manipulação, os preços subiram consideravelmente. O uso destes remédios é visto pela esmagadora maioria dos médicos como um perigo à saúde das pessoas que não possuem doença relacionada a eles. De outro lado, pacientes que faziam uso contínuo da medicação, a exemplo da hidroxicloroquina, para tratar outras doenças não conseguem seguir o tratamento. A dificuldade foi debatida em Audiência Pública na Câmara Municipal de Campo Grande.    

O debate foi presidido pelo vereador Betinho, que integra a Comissão Especial em Apoio ao Combate à Covid-19, e secretariado pela vereadora Enfermeira Cida Amaral.  Além de defensores do uso destes remédios no combate à Covi-19, especialmente ligados à Prefeitura de Campo Grande, como integrantes da Secretaria Municipal de Saúde. Também estiveram no debate representantes do Conselho Regional de Farmácia e da Superintendência de Defesa do Consumidor (Procon).

Além deles, pacientes que fazem uso contínuo da hidroxicloroquina e não estão conseguindo adquirir o medicamento, nem nas farmácias ou na rede pública, relataram as dificuldades e apresentaram questionamentos. 

O assessor jurídico do Procon, Erivaldo Marques Pereira, afirmou que alguns medicamentos, como a Azitromnicina, chegaram a ficar 300% mais caros, e a Ivermectina subiu 100%. Pereira ressaltou que, segundo o Código de Defesa do Consumidor, “toda e qualquer elevação de preço tem que ter motivo justo”. Ele detalhou que o órgão já tem atuado para coibir os aumentos abusivos. “O Procon tem notificado, feito fiscalização in loco para verificar se o fornecedor está dentro do que a lei determina”, afirmou.

A Azitromicina, por exemplo, teve aumento de 300%. Já a Ivermectina, que também já era comprada pela administração municipal, subiu mais de 400%. 

Não existe preço tabelado, entretanto se o lucro exceder um quinto do valor corrente pode configurar crime contra a economia popular. Ele ressaltou que as denúncias devem ser formalizadas e o Procon tem mantido atendimento pelo 151 e atendimento local, limitado a 25 no período da manhã e 25 no período da tarde. Também podem ser feitas denúncias no site procon.ms.gov.br. 

Flavio Shinzato, presidente do Conselho Regional de Farmácia, destacou a preocupação com a polarização da discussão sobre medicamentos, salientando a necessidade de prescrição médica para evitar malefícios futuros. “Somos um órgão fiscalizador e buscamos o cumprimento de leis. Nossa preocupação neste momento de pandemia é que as leis não podem ser jogadas fora”, disse.

O Conselho ressaltou a preocupação com os pacientes que dependem destes medicamentos e ressaltou a necessidade de bom sendo e equilíbrio. A hidroxicloroquina industrializada, por exemplo, não está sendo vendida nas farmácias pelos fabricantes, sendo fornecida somente aos hospitais. 

A Sesau efetuou a compra recentemente de alguns medicamentos que devem compor o “kit de prevenção” ao coronavírus, medida que é encarada pela maior parte da comunidade científica como uma banalização do combate à doença, além de causar danos a quem, de fato, precisa dos medicamentos para o tratamento de outras doenças.

A jornalista Luane Morais, portadora de Lupus desde 2011, usa a hidroxicloroquina desde 2012. “Pela primeira vez fiquei 25 dias sem o medicamento. Tenho alergia ao manipulado e ao genérico. Temos grupo no Whats e muitas pacientes não consegue o remédio e nem tem dinheiro para manipular”, afirmou. Na Sesau, há disponível atualmente apenas o disfofato de cloroquina e, por conta da prescrição, não são dispensados os medicamentos. Ainda, há os pacientes que não conseguem fazer a substituição. 

O vereador Chiquinho Telles também foi procurado por pacientes que não encontram a hidroxicloroquina e, há algumas semanas, já tinha acionado o Procon depois de ter encontrado diferença de R$ 210 a R$ 790 nos preços do mesmo remédio. “É algo muito sério porque  algumas pessoas estão sem tomar os remédios”, disse.  O Procon confirmou que fez a fiscalização e autuações baseadas na denúncia. 


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