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Segunda-Feira 21.jun.2021

Ano IX - Nº 448

Coluna

O amor nos tempos do Corona - Parte II

Um jogo de amor inocente, mas que pode ter consequências fatais

Postado em 25 de Março de 2020 - André Lucidi

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O casal estava noivo, quando surgiu a notícia da pandemia. Resolveram então atravessarem a quarentena inicial juntos, de comum acordo. Seria uma oportunidade para conhecerem melhor um ao outro, afinal, sejamos realistas: das noivas e noivos de hoje em dia, muitos só conhecem as regiões baixas, até ali perto da zona de calor central. Das regiões superiores, áreas causadoras de maior conflito, o conhecimento limita-se a visitas de lazer, não sendo profundos conhecedores do caos que as vezes pode causar.

E lá estava o casal, uma semana depois de terem entrado em casa, agindo como qualquer casal normal dos dias de hoje. Ele, no wattsapp com o grupo de amigos, ela, nas redes sociais, trocando informações de moda e beleza, quando veio finalmente, aquele tédio que só quem tem décadas de casamento sabe como é. Não é culpa de nenhum dos dois, mas a rotina às vezes causa isso.

Querendo amenizar, ela propôs um jogo, para que se aprofundassem na relação. Iriam fazer perguntas e repostas um ao outro e escreveriam em um papel o que achavam que o outro responderia. Cada vez que acertassem a resposta, deveriam cumprir uma tarefa determinada pelo outro. Um jogo de amor inocente, mas que pode ter consequências fatais.

Logo na primeira pergunta, já escrita, ele perguntou:

_ O que você gostaria de ganhar de presente no dia do nosso casamento?

_ Hummm... Um anel de brilhantes.

Ele mostrou o papel para ela. Estava escrito. Um anel de brilhantes.

_Você então vai ter que ver dois jogos do Ìbis na TV, comigo. O pior time do mundo.

_ Ela sentou-se ao seu lado, enquanto ele caía na gargalhada com os lances do jogo. Logo depois, foi a vez dela.  

_ O Que você quer que eu vista na lua de mel?

_ Eu quero você de cinta-liga e espartilho, com calcinha preta.

Ela mostrou a resposta para ele e estava escrito: Cinta-liga e espartilho, com calcinha preta.  

_ Você vai ter que ir até à cozinha lavar toda a louça, que já tem quatro dias na pia da cozinha e fazer um spaguetti a carbonara para a gente. Com vinho. tem que me servir também e depois lavar a louça novamente.

Lá foi ele fazer o spaguetti, botar o vinho para gelar na temperatura correta, lavar a louça e tudo mais. Cansado dos afazeres domésticos, sentou-se ao lado dela no sofá, disposto a ir a forra antes que fossem dormir.

_Minha vez. Para que lugar eu gostaria de viajar, de verdade, na nossa lua de mel?

Ela respondeu que ele gostaria de ir para Islândia. Ele ficou um pouco tonto, afinal não era desejo dele, nem nunca haviam conversado sobre a Islândia. Nem sabia o que haveria para fazer lá. Ele havia escrito: conhecer o Pantanal.

-Você errou, então não tem nenhuma prenda a pagar, não é?

Nesse momento caiu a ficha para ele e finalmente viu que era melhor não casar mais.


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