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Sábado 21.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

Bom senso, presente!

Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo do Estado do Rio Grande do Sul lança manual de escrita não sexista, para promover a igualdade entre gêneros até quando você fala.

Postado em 12 de Setembro de 2014 - Guilherme Cavalcante

Com esse manual, você vai lutar contra o sexismo até na hora de falar! FOTO: Reprodução/Google Images Com esse manual, você vai lutar contra o sexismo até na hora de falar! FOTO: Reprodução/Google Images

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Ninguém discute que nosso português é um idioma que prioriza as flexões de gênero para o masculino. É uma língua machista. Diferentemente de outros idiomas (como o iorubá, idioma africano cujos artigos, substantivos e pronomes não buscam diferenciar gênero, mas a experiência dos sujeitos), a obrigatoriedade de se determinar masculino e feminino das palavras em nosso idioma é muito forte, presente em quase todas as frases.

O que isso tem de ruim? Bem, além de ser um elemento enraizados de sexismos, o português é uma das formas mais fáceis de discriminar, por exemplo, pessoas transexuais, em ocasiões nas quais o sexo biológico destas pessoas é priorizado em detrimento da verdadeira identidade de gênero (por exemplo, quando chamam uma mulher trans de “O transexual”). Outra situação é quando uma expressão masculina é utilizada para representar grupos compostos por pessoas de mais de um gênero. Por exemplo: se há seis professoras e um professor, este grupo passa a ser representado no masculino, “professores” - o que acirra a invisibilidade do feminino.

Mas a verdade é que existem várias formas de se evitar o cissexismo na nossa gramática. Uma delas é substituir as desinências por um “@“, que simbolicamente aglutina as letras “o” e “a”, comumente designadas para homens e mulheres, respectivamente. Outra alternativa, menos binária (já que não existem apenas os gêneros masculino e feminino), é substituir o “@“ por um “x”, de forma a também contemplar pessoas que não se inserem na lógica binária de gêneros (homem/mulher).

A outra forma, no entanto, é um pouquinho mais trabalhosa. É o que chamamos de “escrita neutra”, onde as frases são construídas de forma a evitar as flexões de gêneros em substantivos, artigos e pronomes. É o que está sendo proposto no recém lançado “Manual para Uso não Sexista da Linguagem”, uma realização da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

O manual, disponível gratuitamente para download, tem o objetivo de proporcionar tratamento equitativo entre mulheres e homens, utilizando estratégias de linguagem neutra. O resultado são composições frasais mais elegantes, não-sexistas e politicamente corretas. Vale a pena fazer o download e conferir.

Manual para Uso não Sexista da Linguagem

Para escutar no máximo

O duo inglês The 2 Bears, que recém lançou o álbum “The Night Is Young”, já liberou na rede o videoclipe do single “Not This Time”. Para fazer o mise-en-scéne no clipe, enchê-lo de luxo, glamour e pinta e ainda justificar o clima pop-late-90s da chanson, o duo resolveu preencher os cenários com divas dragqueens que cumprem direitinho o desafio do lipsync, deixando tudo o mais enviadado possível, inclusive com a montação do ursão babado que solta o gogó na música. Em outras palavras, quero dizer que o vídeo é ótimo e que a música é viciante. Escutei 47 vezes e contando. #soltaoplay

Nota de pesar

É com pesar que comunico o falecimento do ator, jornalista, militante LGBT e fundador da setorial LGBT do PT, William Aguiar, no último dia 8 de setembro, no Hospital Paulistano, em São Paulo (SP). William, que era carinhosamente chamado pelos amigos de “Bill”, lutava já há alguns anos contra um câncer na região pélvica.

Tive oportunidade de trabalhar com o William no coletivo “Nosso Projeto”, no qual desenvolvemos campanhas anti-homotransfobia para a Internet. Chegamos a nos desentender, chegamos a nos perdoar... Ultimamente estávamos muito, muito próximos. Suas madrugadas insones eram a certeza de companhia e papo bacana nas minhas madrugadas insones - o que faz desta partida algo particularmente doloroso para mim.

Espero que todos possam tirar alguns minutos e dar uma olhada no blog do Eduardo Piza, que esteve com o Bill em seus últimos momentos e que coletou depoimentos de amigos sobre o William. É preciso conhecer a história do nosso movimento e o William está intimamente conectado a ela.

Will


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