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Sábado 21.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

Meu programa de governo

Propostas concretas que destruiriam qualquer candidatura.

Postado em 11 de Setembro de 2014 - Rodrigo Amém

O coelho na cartola. O coelho na cartola.

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Eu seria um péssimo candidato. Tenho mania de analisar os problemas – e suas possíveis soluções – sem paixão ou preconceitos. Para provar minha inadequação aos palanques, lanço aqui alguns dos pontos do meu falido programa de governo. 

Problema: Educação – Solução: impostos para igrejas

A cada dia, as igrejas do país arrecadam uma média de R$ 60 milhões. Mais de R$ 20 bilhões só em 2012, de acordo com a Receita Federal. Tudo isso, é claro, sem pagar imposto de renda. Minha proposta é tratar estas organizações como todas as outras e cobrar o imposto devido. O dinheiro seria revertido para programas de apoio ao ensino fundamental e a criação de escolas técnicas. Com melhor ensino e cidadãos mais preparados, até as igrejas sairão ganhando. Afinal, o aumento da renda média do trabalhador aumenta o valor médio do dízimo. E o impacto desse dinheiro extra na economia local seria tão positivo que ia até parecer milagre.

Problema: Aquecimento Global - Solução: rodízio de carnes

Segundo os dados do Centro de Agricultura e Meio Ambiente da Noruega, uma vaca emite a mesma quantidade de gases nocivos ao efeito estufa que 4,5 automóveis. Ou seja, a pecuária é responsável por 18% das emissões de gases que causam o aquecimento global. De acordo com o instituto, se os cidadãos dos EUA deixassem de consumir carne uma vez por semana, seria o mesmo que tirar 19 milhões de veículos das ruas por um ano.

Eu proponho um rodízio de produtos bovinos, assim como os grandes centros já fazem com carros. Uma vez por semana, estabelecimentos comerciais receberiam incentivos fiscais para não oferecer produtos oriundos da pecuária. Nada de leite, queijo e carne por um dia. No dia seguinte, tudo volta ao normal. Basta o cidadão optar por frango ou peixe naquele dia.  Simples, não?

A cada dia, as igrejas do país arrecadam uma média de R$ 60 milhões. Mais de R$ 20 bilhões só em 2012, de acordo com a Receita Federal.

Problema: criminalidade – Solução: aborto

A criminalidade e o índice de assassinatos pareciam insolúveis na Nova Iorque nos anos 70. No final dos anos 90, o índice de homicídios caiu pela metade. O que aconteceu? De acordo com os economistas John Donohue e Steven Levitt, a criminalidade na maior cidade do mundo despencou 50% exatos 18 anos depois da legalização do aborto no Estado.

Existem várias teorias, mas o resumo da opera é fácil de entender: abortos realizados dentro da legalidade e com a devida assistência médica significam menor mortalidade entre mulheres e menos crianças em situação de risco, dois fatores determinantes na ascensão da criminalidade. Pra quem é contra o aborto, essa argumentação parece perigosamente próxima da eugenia, mas uma análise dos dados conta uma história diferente.  Por mais que soe contraditório, os números nos dizem que o aborto legalizado é uma forma efetiva de preservar famílias e salvar vidas em todas as camadas da sociedade.

No meu governo, as ações seriam baseadas em dados e apoiadas por números. E, provavelmente, por mais ninguém.


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