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Sábado 21.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

Um jornalista recebe o que vale?

Muito glamour, pouco retorno.

Postado em 18 de Julho de 2014 - Gerson Martins

Redação. Onde as reportagens são buriladas por salários cada vez mais apertados. Redação. Onde as reportagens são buriladas por salários cada vez mais apertados.

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Periodicamente, a cada ano há, entre todos os trabalhadores assalariados e destes com as empresas empregadoras, acordos coletivos de trabalho que determinam, definem as regras de melhoria salarial, melhorias das condições sociais e de trabalho, de atuação dos profissionais nas mais diversas áreas. O mesmo ocorre com os jornalistas. Uma boa parcela dos profissionais de jornalismo são assalariados, ou seja, são trabalhadores nas empresas de comunicação. Há também um outro, e expressivo, contingente de jornalistas que trabalham de forma autônoma.

Os trabalhadores assalariados, os profissionais de jornalismo que atuam nas empresas, assim como os demais realizam, a cada ano, as convenções coletivas de trabalho para que possam qualificar sua atividade, atualizar seus benefícios trabalhistas e ter condições pessoais, familiares e profissionais para produzir melhor. O mês de maio é, tradicionalmente, o período do ano em que boa parte das classes trabalhadoras pactuam os acordo coletivos de trabalho, recebem aumentos salariais e promovem cláusulas, nos acordos, que possam garantir melhores condições no ambiente de sua atividade.

Uma parcela expressiva da classe trabalhadora, como se pode observar frequentemente, promove paralisações, greves para que possam ter seus direitos sociais, profissionais e trabalhistas assegurados e melhorados. É muito comum se observar que boa parte das classes trabalhadoras conseguem ganhos, muitas vezes expressivos, desde que consigam reunir os profissionais e promover uma reivindicação coletiva. E isso acontece seja entre as classes profissionais com alta qualificação técnica, seja entre as classes profissionais em atividades básicas como construção civil ou motoristas, de ônibus, por exemplo.

O jornalista, mesmo como um profissional intelectual, de formação universitária, com amplos conhecimentos que sua profissão exige, não consegue fazer coro nas suas reivindicações.

Entre os trabalhadores de classe profissional com alta qualificação técnica e intelectual estão os jornalistas. Apesar deste conjunto de profissionais defenderem, diariamente nas páginas dos jornais, os direitos trabalhistas, a melhorias das condições profissionais das demais classes, entre eles não conseguem garantir, de forma coletiva, as suas melhorias trabalhistas. O jornalista, mesmo como um profissional intelectual, de formação universitária, com amplos conhecimentos, que sua profissão exige, de economia, história, política, sociologia entre outras áreas de conhecimento, não consegue fazer coro nas suas reivindicações. As conquistas profissionais, trabalhistas são pífias, num grupo em que cada um olha para seu próprio interesse e não o interesse coletivo.

É certo que por detrás dessa divisão profissional está inerente o chamado glamour da profissão em que muitas vezes estes trabalhadores sucumbem suas aspirações de melhoria profissional e social para estar entre os chamados “olimpianos”, ou seja, as autoridades políticas, artísticas e econômicas, mas sem qualquer melhoria da sua condição pessoal. Essa divisão provoca enfraquecimento de todas as instâncias, instituições que, por algum momento, trabalham para a qualificação dos profissionais que representa. Enquanto as áreas profissionais de alta qualificação técnica como médicos, engenheiros, por exemplo, têm em seus sindicatos, conselhos profissionais entidades que representam de forma contundente, representativa seus filiados, no caso dos jornalistas nem o sindicato profissional, na ausência de um conselho, consegue adesão dos profissionais para consubstanciar suas ações e, portanto, conseguir as melhorias que os jornalistas desejam.


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