Semana On

Quinta-Feira 11.ago.2022

Ano X - Nº 499

Coluna Ogroteca

O Doff é muito mais que o evento de boardgames

No Diversão Offline entra absolutamente tudo que não é digital

Postado em 01 de Julho de 2022 - Fernando Fenero

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No final de semana passado aconteceu o Doff, como simpaticamente foi apelidado o evento Diversão Offline, o maior evento de boardgames da América Latina e dizer isso seria reduzir demais um dos maiores eventos do circuito nacional.

Depois de dois anos sem ser realizado, a comunidade estava ansiosa por mais um encontro, é no Diversão Offline que grandes jogos são lançados, onde anúncios são feitos, onde jogadores e desenvolvedores se encontram, e quando eu digo que dizer que é o maior evento de boardgames da América Latina é reduzir o Doff, digo porque não é um evento só de boardgames.

No Diversão Offline entra absolutamente tudo que não é digital. Se saem os videogames e demais jogos eletrônicos, entram substitutos notáveis: cardgames, wargames, RPG’s, livros jogos e muito mais. Sim jovem, o mundo se divertia assim antes do FreeFire e continua sendo muito legal.

Toda grande empresa desses segmentos estava por lá, a lista é grande e conta com Calamity Games, Dungeonist, Estação Q (da HQ e cardgame Porradaria), Meeple BR, Papergames, TGM, Adoleta Jogos, Best Group, Big Head, Bucaneiros, Buró, Devir, Conclave, Coisinha Verde e New Order.

O local escolhido para 2022 depois dos dois anos suspenso por causa da Covid-19 foi o Pro Magno Centro de Eventos, próximo do circuito de eventos e exposições do Anhembi em São Paulo, e apesar da Pro Magno ser enorme, o evento se concentrou no segundo andar e foi uma decisão acertada, ainda que seja óbvio que próximas edições vão precisar de ainda mais espaço. A organização do evento impressionou, filas enormes foram dissolvidas em minutos e logo o salão estava lotado de jogadores entre os expositores.

Elogio a organização do Doff principalmente por comparar com outros grandes eventos como Campus Party, Anime Friends e os Encontros Internacionais de RPG, onde problemas diversos atrapalham demais a pessoa que quer só curtir o evento. Desde problemas como segurança, temperatura do ambiente, localização e preços praticados, nesse caso a organização do evento deu show.

Em nenhum momento do fim de semana o calor foi insuportável, ou a ocupação ficou maior que o espaço comportaria. A localização é perfeita, o acesso era simples, a segurança efetiva e os valores praticados eram razoáveis. Até a limpeza dos sanitários estava muito acima de outros eventos de cultura pop. O único “vacilo” da organização é escolher as datas que coincidem com a Parada do Orgulho LGBT, o que causou lotação nos hotéis e alguma disputa por Ubers e táxis, nada que fosse realmente um problema grave.

O evento não tinha somente grandes expositores, contava com uma área de protótipos tocados pela Liga Brasileira das Mulheres Tabuleristas, uma área para a galera independente de quadrinhos, RPG’s e boardgames. Lá inclusive que a 101 Games mostoru o protótipo de “For the Quest” onde o criador do jogo Jefferson Pimentel ficou horas seguidas jogando mesas de testes e apresentações. Foi lá inclusive que novos personagens foram apresentados e sofreram ajustes devido feedback dos jogadores, se quiser saber mais sobre For the Quest, a coluna da semana passada foi sobre o jogo que terminou seu financiamento coletivo arrecadando 476 mil reais, 953% da meta original.

O evento ainda contou com premiação, o desejado “Goblin de Ouro” e aí o destaque vai para a New Order editora que voltou com três deles pra casa. Apesar de ter torcido o nariz para alguns indicados aos prêmios, as escolhas dos vencedores foram justas. A New Order levou o prêmio pela revista da editora, e dois do fantástico “Cordel do Reino do Sol Encantado”, que levou como arte e como cenário, e em breve vai ser analisado aqui na coluna.

O saldo do evento foi uma série de abraços, amigos, muitos jogos, muitos livros, brindes, e a vontade de voltar a visitar o evento em 2023.


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Colunista

Fernando Fenero

Fernando Fenero

Nascido em São Paulo, vive em Campo Grande - MS desde 2005, funcionário público, pai e professor, escreve sobre games, tecnologia e cultura pop.


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