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Terça-Feira 05.jul.2022

Ano X - Nº 494

Coluna Ogroteca

As tartarugas voltaram!

Nos anos 80, a ‘turtlemania’ reuniu milhares de crianças mundo a fora

Postado em 16 de Junho de 2022 - Fernando Fenero

Reprodução Reprodução

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Se você tem menos de trinta anos pode ser que não saiba o que isso significa, mas nos anos 80 aconteceu a “turtlemania”, milhares de crianças mundo a fora consumindo absolutamente tudo que saia com a estampa das tartarugas ninjas.

Nascidas em um quadrinho independente feito pelos amigos Kevin Eastman e Peter Laid, as tartarugas eram originalmente em preto e branco e muito violentas. Ainda sim, fizeram um sucesso surpreendente nas HQ’s, mas devido ao destino ou a um golpe de sorte, as tartarugas foram oferecidas como propriedade intelectual para fabricação de brinquedos, e deste ponto em diante as coisas não pararam. Veio a animação, os filmes, e principalmente o foco da coluna de hoje: os jogos de videogame.

Se você viveu os anos 80 e 90 sabe que os fliperamas dos jogos das Tartarugas Ninja eram disputadíssimos, conservando o visual da animação e com uma pegada muito mais puxada para o infantil e humor, os jogos são referencia em briga de rua até hoje. Portados para o Nintendinho (Famicom) e depois para Super Nintendo e Sega Mega Drive, as tartarugas ninja sempre renderam bons jogos. Mas com o tempo elas foram esquecidas, e suas novas versões no cinema e nos canais infantis não conseguiram o mesmo sucesso, então os adolescentes mutantes ninja estavam somente em nossas memórias.

Poderiam ficar só lá, mas foram resgatadas em grande estilo no game lançado hoje (16 de Junho) Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge!

Se estranhou o título atente para duas coisas, apesar da Xuxa chamar em seu programa de Tartarugas Ninja, o título completo seria “Tartarugas Adolescentes Mutantes Ninja”, nome bolado já pra ser engraçado e escrachado, e o segundo ponto, é que o Shredder do título é o conhecido em terras brazukas como Destruidor.

O novo game é um clássico briga de rua, mas aproveitando tudo que o hardware de hoje permite. Lançado em diversas plataformas pela Dotemu, empresa que antes já havia lançado Street Fighter 2 Champion Edition e o ótimo Streets of Rage 4, “Shredder’s Revenge” mistura tudo que tem de bom no universo das Tartarugas Ninja.
A escolha de pixel art no game é acertada, esqueça animações em CGI do cinema ou os desenhos esquisitos da Nickelodeon, aqui você vai ver a tartaruga do desenho animado clássico.

Se antes os beat’in’up era só andar pra frente e esmagar botões, aqui o desafio é maior. Os inimigos do Clã do Pé são inteligentes, atacam em mais de um padrão e as cores nem sempre avisam qual vai ser a arma que o inimigo vai usar. Os chefes são velhos conhecidos como os abobalhados Bebop e Rocksteady, e como aqui a dificuldade não é das mais simples é bom chamar os amigos para a jogatina local ou online, jogando com até seis personagens simultâneos.

Falando em personagens, se são quatro as tartarugas que reverenciam os mestres renascentistas, você deve estar pensando que o colunista que vos escreve errou na quantidade de jogadores simultâneos, mas a verdade é que a Dotemu colocou de cara as opções de se jogar com o Mestre Splinter e com a jornalista April O’Neal, e tem como mais a frente no game liberar Casey Jones.

Com essa variedade de personagens, é também infinita as possibilidades de combos inteligentes e de ataques combinados, ainda que nesse ponto eu tenha tido problemas no Nintendo Switch para conseguir jogar online, todas as vezes que testei o jogo travou, o que é talvez o único ponto fraco que encontrei até agora, e que deve ser sanado em breve.

Shedder’s Revenge é um game para se jogar com seus amigos se lembrando da infância, ou com seus filhos para mostrar aquilo que você curtia ainda moleque, os easter egg’s vão ser uma overdose de nostalgia, lembrando de referencias dos filmes clássicos do cinema, dos jogos de Nintendinho e da cultura dos anos 80.

Com nota 85 no Metacritic, o jogo tem chamado atenção da mídia especializada, e na minha opinião é por enquanto o jogo do ano, e é maneiro demais saber que parte da arte do jogo foi feita por um brasileiro, o talentoso Mario Santos, artista que também fez o ótimo Sophstar, um dos melhores jogos tipo navinha da atualidade.

Está disponível para Playstation 4, Xbox One, Linux, Windows e Nintendo Switch, e se tratando de um jogo da Dotemu é questão de tempo para pintar no Android. Então compre sua New York pizza, ajuste o som no máximo aproveitando essa trilha sonora de primeiro, e chame os amigos para gritar aquele nostálgico COWABUNGA!


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Colunista

Fernando Fenero

Fernando Fenero

Nascido em São Paulo, vive em Campo Grande - MS desde 2005, funcionário público, pai e professor, escreve sobre games, tecnologia e cultura pop.


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