Semana On

Quarta-Feira 25.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna Conexão Brasília

Bolsonaro pode ser reeleito e aqui enumero os motivos

Empresários e jornalistas apartidários e até críticos ao atual governo demonstram pessimismo em relação a uma vitória de Lula

Postado em 06 de Maio de 2022 - Redação Semana On

Marcelo Camargo - Agência Brasil Marcelo Camargo - Agência Brasil

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

O crescimento das intenções de voto do presidente Jair Bolsonaro vem se confirmando nas pesquisas internas de várias empresas de comunicação. Esses empresários e seus assessores têm informações privilegiadas e passaram a acreditar na reeleição de Bolsonaro. Um dos motivos seria o crescimento da intenção de votos justamente entre os beneficiários de programas sociais e históricos eleitores do PT.

A estratégia do presidente e de seus aliados de utilizar a máquina para se reeleger vem surtindo efeito no Nordeste e em São Paulo. No Estado do Sudeste que concentra o maior número de eleitores, Bolsonaro já empatou com Lula na casa dos 35% e tem um viés de crescimento. O petista segue estagnado.

Outro empate entre os dois foi o de fracasso das manifestações populares do dia 1° de maio. Ambos incentivaram o povo a participar, geraram expectativa e o público não respondeu ao chamamento. Porém, o mesmo fiasco tem significados diferentes para ambas as campanhas. Bolsonaro é aquele que ressurge vitorioso depois de uma facada. O presidente trabalha muito bem com o coitadismo. Ele se coloca contra tudo e contra todos, contra o STF, era contra o Centrão, mas agora nem tanto. Bolsonaro fala pelos rejeitados, logo, se sua manifestação não teve muito público, não tem problema. Bolsonaro “foi escolhido por Deus por ser uma coisa louca, fraca e vil”, como afirmou o pastor Bolsonarista Silas Malafaia em 2018.

Um fracasso é realmente um fracasso quando a manifestação é convocada pelo “maior líder popular vivo”, como afirmou o ex-governador Geraldo Alckmin e o povo não vai. O clima de já ganhou no PT não existe mais. As gargalhadas dão lugar a sorrisos amarelos para tentar explicar o fraquíssimo engajamento nas redes sociais. A comunicação direta de Lula com o povo deixou de ser uma arma poderosa para ser um risco a cada nova aparição pública. Os vídeos do partido, que antes emocionavam, hoje não fazem nem cócegas. O PT está muito analógico, não consegue dialogar com uma juventude cedente por paixões, tesão e calor. 

Nas últimas semanas, duas figuras improváveis foram a público dar suas receitas para derrotar Bolsonaro. Ambas gravaram verdadeiros tutoriais. A cantora Anitta deu uma aula teórica e prática sobre como o presidente inverte publicações negativas nas redes sociais de pessoas famosas para seu próprio benefício. A jornalista Maria Cristina Fernandes pautou quais são os temas mais sensíveis ao governo: inflação, desemprego, falta de investimentos e corrupção dos filhos do presidente. Ao invés de aprender com as aulas, o PT coloca Lula para falar com sindicalistas presencialmente para titubear sobre policiais.

As pesquisas, o coitadismo, a máquina e a falta de uma estratégia digital dão respaldo aqueles que estão pessimistas com as eleições.


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Colunista

Rafael Paredes

Rafael Paredes

Rafael Paredes é jornalista e atua em Brasília há 12 anos.


Saiba mais sobre Rafael Paredes...