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Sexta-Feira 22.out.2021

Ano X - Nº 463

Coluna Conexão Brasília

O brasileiro não quer o impeachment, quer derrotar Bolsonaro nas urnas

Se o povo começa a desconfiar que esse governo acabou, a classe política brasileira em Brasília já tem certeza há algum tempo

Postado em 16 de Setembro de 2021 - Rafael Paredes

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As manifestações de 12 de setembro, promovidas pelo MBL, foram um fracasso total e reconhecido. O movimento tinha a intenção de colocar na rua o eleitorado de candidatos da chamada terceira via e conseguiu. É só aquele tantinho mesmo, por mais que o mote da mobilização tenha sido pelo impeachment do presidente.

A baixa adesão se explica por diversos fatores. Um deles é que o MBL se deslocou do bolsonarismo, mas a sua massa permanece. O movimento tinha até 2018 pautas ultraconservadoras e inimigos imaginários, abrigou a extrema-direita, ganhou mandatos e na vida político-partidária caiu na real. Mas o povo, tanto de esquerda quanto de direita, não tem vida partidária e nem mandatos.

A única parcela de brasileiros que tem vida partidária são os petistas. Mesmo assim minoritária, frente ao conjunto da população. Esses poderiam dar volume ao movimento do dia 12, mas foram neglicenciados pelo slogan das manifestações: “Nem Bolsonaro, nem Lula”. Mas outra razão também explica o baixo comparecimento nas manifestações: a sabedoria popular.

A leitura de mundo do povo é muito complexa e formada por diversos elementos. Um desses elementos é o cansaço. O povo brasileiro está cansado da gasolina cara, do feijão caro, da carne cara, do gás caro, do desemprego, da miséria, da fome, da gestão criminosa da pandemia. Mas o povo também está cansado de manifestações e impeachment.

Um grande público foi para as ruas em 2013 para defender pautas difusas, se organizou em torno do impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016 e só viu a vida piorar de lá para cá. Esses querem o fim do governo Bolsonaro, mas não vão para as ruas novamente pedir impeachment. Vão esperar as eleições.

A sabedoria popular se move com uma desconfiança de que esse governo já acabou, que não aprova mais nada, que fará algumas arruaças e depois vai voltar atrás e as eleições resolverão o problema. Se o povo começa a desconfiar que esse governo acabou, a classe política brasileira em Brasília já tem certeza há algum tempo.


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Rafael Paredes

Rafael Paredes

Rafael Paredes é jornalista e atua em Brasília há 12 anos.


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