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Sexta-Feira 22.out.2021

Ano X - Nº 463

Coluna Conexão Brasília

O eterno morde e assopra do presidente Jair Bolsonaro

Sobre o que esperar das manifestações do dia 7 de Setembro

Postado em 25 de Agosto de 2021 - Rafael Paredes

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

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Duas fortes características do presidente Jair Bolsonaro podem nortear um exercício de futurologia para se tentar adivinhar o que acontecerá no dia 7 de Setembro de 2021: a imprevisibilidade e a transparência.

Inegavelmente o presidente deixa transparecer seus desconfortos, seus medos, suas alucinações e até mesmo a percepção obviamente negativa da realidade. Ao mesmo tempo em que o presidente é transparente, a forma dúbia, enviando sinais trocados na política, apontam para imprevisibilidade de suas ações.

No dia 25 de agosto, Jair Bolsonaro transpareceu sua indisposição ao não discursar no Dia do Soldado mesmo tendo a fala prevista pelo cerimonial. Um outro exemplo foi ao responder à um militante que precisava de férias ao ser questionado sobre as eleições de 2022. Também, pudera, naquele dia o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, reiterou o papel institucional, constitucional e as intenções de pacificação e harmonia da instituição da qual está à frente.

Ainda no dia 25, o presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), rejeitou o pedido de impeachment protocolado por Bolsonaro contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes. Nesta data, ainda, o ministro Edson Fachin arquivou a ação, também do presidente, que questionava um artigo do regimento interno da Corte e argumentava que o tribunal não poderia abrir investigações por iniciativa própria sem pedido do Ministério Público Federal. Um dia de derrotas. Em um dia assim, qualquer um quer férias.

Desta forma, Bolsonaro passou o dia 26 permitindo que seus interlocutores e ministros dessem sinais de que não elevaria o tom no dia 07. Daí chegou o dia 27, com o preço do gás aumentando, o filho Jair Renan e a mãe do 04 indo morar em uma mansão de mais de R$ 3 milhões, investigações de lobby por vacina fajuta alcançando o filho senador Flávio. Bolsonaro dá uma radicalizada para unir a tropa. Chama quem quer comprar feijão de idiota e aconselha o povo a comprar fuzil.

Qual será o Bolsonaro do dia 07, o perdedor do dia 25, o conciliador do dia 26, ou o incendiário do dia 27? Vai depender do humor do capitão, do número de militantes, se a imprensa vai publicar mais algum escândalo dos filhos. A certeza é: ele será imprevisível.


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Rafael Paredes

Rafael Paredes

Rafael Paredes é jornalista e atua em Brasília há 12 anos.


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