Semana On

Quinta-Feira 11.ago.2022

Ano X - Nº 499

Coluna Ponte Aérea

Esquerda ou direita?

Raphael Tsavkko Garcia fala disso, de jornalismo e militância anticientífica

Postado em 23 de Junho de 2022 - Raphael Tsavkko Garcia

Pixabay Pixabay

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Experiência pessoal, só gente que se coloca à direita diz que "esquerda e direita não existem mais", seja consciente de ser de direita ou não. Nunca vi uma pessoa à esquerda fazer essa afirmação.

Questão é: Quem é de direita (consciente ou não) em geral vive de senso comum ao passo que em geral que é de esquerda acaba se identificando ativamente como tal, exige algo além do senso comum.

Aliás, daí vem também uma das críticas que eu sempre faço à esquerda: A "necessidade" de que para ser de esquerda você precisa ter lido manuais, tem sempre que ter "lido", que saber teoria, que concordar 100% ou quase isso com a "intelectualidade", enfim...

Se é ruim o senso comum da direita, a necessidade de manual ou cartilha da esquerda é igualmente ruim e acaba afastando quem tem posições de esquerda, mas não "estudou".

Isso, aliás, força a esquerda a se fechar, impede o surgimento de novas ideias, de novas formas de fazer política.

PS: Aqui, por "direita" eu me refiro apenas aos que fazem tal afirmação, claro que existe direita ideológica que vai além do senso comum - mas dificilmente diriam tal frase.

QUEM LEVA A SÉRIO

Porque a galera não anda mais levando jornalismo a sério: Porque virou militância e tão anti-ciência quanto a direita. Relatório da FINA se baseia em ciência, em pesquisa de especialistas, mas a matéria no título é militante. É birra. (https://is.gd/WgREDF)

O jornalismo deveria se limitar a ser agnóstico e deixar que especialistas falem, não fazer militância anti-ciência. O debate tem que ser qualificado.

Sobre trans especificamente, basta observar que na natação a atleta era irrelevante nas competições masculinas e virou a melhor atleta feminina. O problema é que militância hoje não fala mais em preconceito, mas privilégio, logo, não se pode falar que uma minoria tem um privilégio ou vantagem, porque são oprimidos e ponto.

É uma seita que não aceita ser questionada.

Concordo com o Gustavo Gindre:

"Acho perfeitamente possível (e até desejável) fazer o debate sobre lésbicas, gays, bissexuais, assexuais, queer e travestis, por exemplo, sem levar em conta aspectos biológicos. Nesse caso, estamos lidando com aspectos exclusivamente sociais.

Mas é impossível fazer o debate sobre transsexuais e intersexuais sem levar em consideração aspectos biológicos. E daí que eu tiro que não dá pra fazer esse debate sem levar em consideração a materialidade do tema, apenas movido por convicções éticas.

Meu receio é que o debate biológico acabe sendo tratado como se fosse coisa da direita."

Só que já é considerado um debate de direita. Biologia tem considerada uma ciência fascista por militantes identitários que, com orgulho, dizem Vivência > Ciência. E isso é extremamente preocupante.

É óbvio que a sociedade deve acolher, aceitar, respeitar pessoas trans, mas não dá pra você simplesmente negar a existência da biologia e acusar de transfobia qualquer um que simplesmente não aceite calado imposições de militância radical.

Mas claro, não faltam pessoas efetivamente transfóbicas que tentam usar a biologia para negar a existência de pessoas trans. algo que é igualmente inaceitável. Com radicalismos de todos os lados nunca conseguiremos ter um necessário diálogo.

BOLSOLULISMO

O PT, esperando voltar ao poder, já está trabalhando pra garantir que poderão roubar a Petrobrás sem dó. De novo.

Nenhuma surpresa. Nem pela tentativa de facilitar corrupção e muito menos pela desfaçatez. O PT, tem tempo, parou de se preocupar em esconder quem realmente é e o que quer.

Há anos abertamente chamam de "udenismo" quem condena corrupção, agora simplesmente ligaram o foda-se de vez.

#BolsoLulismo

Presidente do PT apoia proposta bolsonarista de mudar Lei das Estatais

 ZIZEK E A OTAN

Zizek em mais um texto arrasador. Defende a OTAN - mas uma em que a Europa imponha sua agenda e não que siga os EUA -, a Ucrânia e a necessidade da Europa se unir contra Putin sob pena de ser destruída.

"Today, one cannot be a leftist if one does not unequivocally stand behind Ukraine. To be a leftist who “shows understanding” for Russia is like to be one of those leftists who, before Germany attacked the Soviet Union, took seriously German “anti-imperialist” rhetoric directed at the UK and advocated neutrality in the war of Germany against France and the UK."

E tome porrada da esquerda naive. Mas ainda pega leve, meio que acredita na inocência ("desorientation"), quando na real o que não falta é canalha apoiando Putin abertamente.

"The disorientation caused by the Ukrainian war is producing strange bedfellows like Henry Kissinger and Noam Chomsky who “come from opposing ends of the political spectrum – Kissinger serving as secretary of state under Republican presidents and Chomsky one of the leading leftwing intellectuals in the United States – and have frequently clashed. But when it comes to the Russian invasion of Ukraine, both recently advocated for Ukraine to consider a settlement that could see it dropping claim to some land to achieve a quicker peace deal.”

In short, the two stand for the same version of “pacifism” which only works if we neglect the key fact that the war is not about Ukraine but a moment of the brutal attempt to change our entire geopolitical situation. The true target of the war is the dismantlement of the European unity advocated not only by the US conservatives and Russia but also by the European extreme right and left – at this point, in France, Melenchon meets Le Pen."


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Colunista

Raphael Tsavkko Garcia

Raphael Tsavkko Garcia

Raphael Tsavkko Garcia é jornalista e Doutor em Direitos Humanos.


Saiba mais sobre Raphael Tsavkko Garcia...