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Domingo 28.nov.2021

Ano X - Nº 469

Coluna Ponte Aérea

Três notícias que descrevem o lulismo de forma impecável

Raphael Tsavkko Garcia fala disso, de cultura woke e do País Basco

Postado em 28 de Outubro de 2021 - Raphael Tsavkko Garcia

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O LULISMO

Três notícias que descrevem o lulismo de forma impecável - e o gadismo do resto da esquerda.

Lula quer o poder e o PT faz e fará de tudo para contentar seu mestre. E isso inclui o apoio ao bolsonarismo (ou seja, a Claudio Castro, governador do Rio).

A prioridade é Lula, sempre foi Lula e é apenas Lula. O papo do mal estar por causa da PEC envolvendo Freixo é só o pano de fundo pra tentar cavar uma justificativa pro PT apoiar o Bolsonarismo e a militância ficar contente achando que Bolsonaro é o mal menor diante do Freixo e seu "lava-jatismo" (lembrando que não são poucos os petistas que passaram a defender abertamente a corrupção como política pública depois da Lava Jato).

A tática não é nova, pelo contrário. A ideia do PT é extremamente simples: Encontrar uma desculpa para justificar apoio ao bolsonarismo enquanto finge se opor ao bolsinarismo.

O pior disso tudo é o Freixo ter saído do PSOL pra continuar a agir como o PSOL, acreditando que o PT é confiável e um potencial aliado.

Vejam também em São Paulo, onde Boulos achava (risos) que iria receber o apoio do PT para sua candidatura, mas não só tomou um pé na bunda como de quebra ainda foi acusado de nunca apoiar o PT.

Sim, o PSOL e o Boulos acusados de nunca apoiar o PT. Mais gado impossível. Vão estar todos abraçados - de graça - ao Lula. Aliás, o PSOL, o Boulos e o Freixo são tratados como lixo pelo PT exatamente porque o PT e Lula sabem que no fim do dia estarão todos de mão dadas, aliás, de mão dadas não, é Lula com chicotinho e o rest de quatro esperando as ordens com um imenso sorriso no rosto e felizes em obedecer ao mestre.

CULTURA WOKE

Excelente texto do Coutinho tocando um ponto nevrálgico da cultura pós-moderna woke - negação da biologia e autoritarismo top down na tentativa de moldar a sociedade no melhor (sic) estilo 1984.

O conceito de "unfuckability" que usa a autora analisada pelo Coutinho, o nosso "incarcável" ou "incomível" em bom português, é apenas um recurso vazio. O ponto parece ser "eu quero transar com a pessoa A, mas só consigo a B, logo o problema está nas relações de poder, preconceito, etc".

É um argumento muito fraco. Na verdade reducionista. E autoritário com base em claro ressentimento. Aliás, não à toa a ideologia woke, quando revestida de "academês" tem sido chamada de grievances studies. Sua base é puro ressentimento.

"Com a devida vênia à filósofa, digo eu: a ideia de que, pela força da vontade, é possível forçar o desejo por caminhos alternativos (e socialmente menos injustos) é não entender a natureza visceral e instintiva do desejo.

O coração deseja o que o coração deseja, para citar o velho adágio, e não o que os engenheiros sociais gostariam que ele desejasse.

Claro que nessa dança os mais belos têm vantagem. Mas isso não decorre de estruturas de poder que conscientemente marginalizam os feios."

Um dos grandes problemas com essas teorias pós-modernas, e o neofeminismo pós-moderno, é a negação da biologia, de que a sociedade passa por um processo de evolução que TAMBÉM molda nossos desejos, nossa sexualidade.

Mesmo quando falamos na cultura, que tem sua grande importância no processo, não podemos falar em um processo consciente: "Vamos excluir os feios porque não gostamos deles".

Não é que não existam relações de poder, racismo, preconceito, etc, mas não só - está longe de ser a base. Nosso conceito de belo não foi moldado por alguém malvado na semana passada para excluir certos tipos de pessoas.

E não existe possibilidade de moldar desejos na marra. Não vai ser um livro ou um movimento que vai simplesmente impor uma visão nova ou alternativa sobre o que é ou deixa de ser belo. Podemos até fingir, mas não passa disso.

Estamos falando de centenas, talvez milhares de anos de construção do que é belo - e que, sem dúvida, mudou ao longo do tempo - e que em nada se baseia em "vamos ferrar os feios".

Sem dúvida o padrão do que é belo hoje vai mudar, e muda sempre - oras, olhem para os cabelos dos anos 70! Mas não vão ser acadêmicos ou militantes gritando que vão realizar a mudança.

Sem falar que beleza não é o único elemento que nos leva a escolher parceiros sexuais. Concordo que com apps como Tinder e afins a beleza acaba tendo um papel mais relevante nessa escolha, ao menos no primeiro momento, mas pessoas escolhem parceiros até pelo tamanho da unha do pé.

Somos mais diversos do que quer crê a vã filosofia neofeminista - e com novos nichos e possibilidades de conhecer esses novos nichos e maior diversidade a cada dia.

Como disse um amigo, "Eu acho que esse papo de unfuckability vem de uma forma simplificada de gente que não sabe negociar, não acerta preço e depois reclama que não fez negócio."

PAZ NO PAÍS BASCO

Fui entrevistado pelo Sputnik Brasil sobre os 10 anos do processo de paz no País Basco e o cessar fogo seguido da dissolução do grupo ETA (com menções à Catalunha e atual repressão espanhola).

"É útil para governo da Espanha que existam grupos como ETA para justificar repressão"

In Portuguese, my interview on the 10th anniversary of the peace process in the Basque Country (with mentions to Catalonia and current Spanish repression) for Sputnik Brasil

"It is useful for the government of Spain that groups like ETA exist to justify repression"


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Colunista

Raphael Tsavkko Garcia

Raphael Tsavkko Garcia

Raphael Tsavkko Garcia é jornalista e Doutor em Direitos Humanos.


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