Semana On

Sexta-Feira 22.out.2021

Ano X - Nº 463

Coluna Ponte Aérea

Sobre coerência

Raphael Tsavkko Garcia fala sobre Glauber Braga e Flordelis, sobre identitarismo e lacração

Postado em 12 de Agosto de 2021 - Raphael Tsavkko Garcia

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O deputado e presidenciável (risos) do PSOL, Glauber Braga, votou contra a cassação da deputada e (supostamente) assassina Flordelis.

"Glauber Braga (PSOL-RJ) defendeu que fosse votado a suspensão do mandato parlamentar de Flordelis (PSD-RJ) e não a sua cassação, pois entendia que os deputados deviam aguardar o julgamento da agora ex-deputada."

Junto a Braga, outros 7 deputados votaram a favor da (suposta) assassina de maridos - um deles de quebra ainda citou a "filósofa" Djamila Ribeiro para denunciar o terrível racismo ao qual Flordelis estava sendo submetida. Mais sobre a "filósofa" favorita da Prada: https://is.gd/V4mqfA

Por mais que eu ache o voto do Braga grotesco, até faz sentido (não muito, mas vamos dar o benefício da dúvida aqui).

Flordelis é, ainda, suspeita. Ela não foi condenada. Só que a decisão dos deputados não é criminal, ela é política e a mera suspeita (e forte), além de toda a história que envolve o caso são (ou foram) suficiente(s) para que a maioria esmagadora votasse pela cassação.

E é aí que a coisa pega.

Oras, Flordelis não é até o momento uma criminosa condenada, ela é uma suspeita. Ela não cometeu nenhum crime aos olhos da justiça. A Câmara, dessa forma, cassou uma mulher que é inocente dos crimes que é acusada, afinal somos todos inocentes até prova em contrário e trânsito em julgado.

Mas a decisão da Câmara é eminentemente política. É um cálculo político que leva em conta a imagem da Câmara, o peso das acusações, a capacidade do político permanecer entre os pares, etc. Se ela é ou não culpada é um mero detalhe. Em outras palavras, ela ter cometido o crime ou não pouco importa para a decisão POLÍTICA dos deputados.

Flordelis perdeu a capacidade de se manter deputada. Não tinha mais apoio, sustentação, se tornou um problema para os demais.

O que me leva ao impeachment da Dilma, que nada mais é que uma forma chique de falar em cassação.

Curioso como todos os deputados do PT votaram a favor da cassação de uma mulher que é aos olhos da lei inocente, mas gritam em desespero chamando de GOLPE o impeachment (ou cassação chique, hype) da Dilma, uma decisão, como com a Flordelis, eminentemente política.

Enfim, questões de coerência e tal...

VAZOU

Vazou áudio do Ivan Valente reclamando da apatia do PT em relação ao distritão.

Silêncio do PT é tudo, menos apatia.

2021 e ainda tem gente - como o próprio PSOL - que acredita que o PT é real alternativa a alguma coisa. Sério, dá desespero!

IDENTITARISMO E LACRAÇÃO

Como eu tenho repetido há anos, identitarismo e lacração são só um trampolim pra galera ganhar dinheiro, fama, patrocínio, cargos, etc em cima da destruição da vida alheia, de apontar dedo, se fazer de puros e virtuosos e de se vender como arautos do progresso.

É só enganação.

Quando você se coloca no pedestal da moral, da pureza, exigindo que todo o mundo se comporte como você dita - sob pena de cancelamento, de ostracismo, de ter sua vida destruída -, você tem invariavelmente que viver de acordo com o que prega, tem que ter "higher moral ground". Mas o que a gente vê é só hipocrisia.

"Tenho repetido há anos..." Aqui, por exemplo: Texto de 2016, que republiquei ano passado em que explico as origens dos identitários no Brasil e o dano imenso que causam a todas as pautas que dizem defender. https://is.gd/gJL83o

E no começo desse ano dei uma longa entrevista à Revista Semana Online : "Identitarismo, lacração, justiceiros sociais e cultura Woke: como estas práticas estão desvirtuando o debate racional da esquerda." https://is.gd/mLzp5L

E me lembro agora do caso na Bahia em que as Baianas do Acarajé foram tremendament eprejudicadas porque um bando de lacradoras resolveu defendê-las de um racismo imaginário. O único objetivo era cavar algumas vagas em editora pra poder impor o duplipensar identitário, nunca foi sobre racismo ou defender supostas vítimas - que não eram vítimas, mas acabarma sofrendo as consequências. https://is.gd/1Kaq2f

E caso não tenha ficado claro, esse pessoal lacrador PREJUDICA lutas sociais. No fim é trampolim pra meia dúzia lucrar, pra uma cambada mais ampla exercer seu autoritarismo latente e o resto ficar silenciado - e absolutamente NADA mudar pra quem realmente sofre opressão.

Claro, é o lacra-washing, versão lacradora do pink-washing, uma forma de legitimar marcas sem preocupação social e fazê-las parecer bem. Só hipocrisia e, claro, gente buscando lucro com lacração.

MATA, LOGO

Tem mesmo que matar: senão de Covid, de fome. Janaína é coerente com o culto de morte Bolsonarista (logo, fascista) que ela defende.

Nenhuma novidade ou surpresa. O desprezo pela vida e pelos direitos humanos é a marca mais visível do Bolsonarismo.

E o padre Julio segue sendo uma das figuras mais humanas e admiráveis do país.

Não que não se deva pensar em soluções pra Cracolândia, pelo contrário, mas isso passa por uma série de políticas públicas e não pela defesa aberta da morte por inanição de quem não tem nada.

O que ajuda o crime é o Bolsonarismo que, aliás, é a ideologia de uma gangue de criminosos genocidas.


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Colunista

Raphael Tsavkko Garcia

Raphael Tsavkko Garcia

Raphael Tsavkko Garcia é jornalista e Doutor em Direitos Humanos.


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