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Sexta-Feira 22.out.2021

Ano X - Nº 463

Coluna Ponte Aérea

Sobre Eduardo

Raphael Tsavkko Garcia fala sobre saídas do armário, patrulhamento e corrupção

Postado em 30 de Junho de 2021 - Raphael Tsavkko Garcia

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Eu não tenho opinião sobre o governador Eduardo Leite. Sei que apoiou Bolsonaro, mas parece ter mudado de lado (se é honesto na mudança eu não sei, mas pra mim o apoio ao bolsonaro, pela razão uqe seja, é motivo pra ter nojo).

A saída de armário dele, porém, é importantíssima. São raros os políticos com coragem de sair do armário - e no caso dele, em um estado relativamente conservador.

Já a declaração de que não é um gay governador e sim um governador gay não é um problema, é ser inteligente.

É dizer ao eleitor que ele ser gay não significa que ele vá implantar uma "ditadura gay", que quem ele é não resume sua forma de governar. Ele tenta dialogar com todo mundo. E também não se resume à sexualidade dele, ele não é só um gay governando, ele é governador e é gay, além de muito mais.

Claro que ele meramente se assumir é usar o cargo pra fazer militância - exatamente o que torna a fala dele ok, calculada, inteligente. Um governador sair do armário é algo poderoso em si.

Aliás, a fala dele é necessária exatamente pra não alienar quem ficou surpreso ou não é exatamente pro-LGBT, mas pode acabar sendo convencido de que gays são "normais" porque, bem, o governador que eles elegeram é. E sim, é preciso convencer quem não é (ainda) aliado.

Militantes muitas vezes precisam entender que jogar as coisas na cara das pessoas não é exatamente a única ou a melhor forma de convencer. Às vezes é um caminho, sem dúvida, mas nem sempre.

Em tempo, o Leite pode estar só querendo se promover e não exatamente fazendo militância pró-LGBT? Sem dúvida, É provável até. Mas não muda o fato de que acaba sendo militância pró-LGBT, dá visibilidade, dá um passo no caminho de, ao menos, tolerância.

É um avanço.

LIBERALISMO? TRABALHISMO? GETULISMO? FASCISMO?

Nada disso!

A ideologia mais fortemente enraizada no Brasil é a do Malufismo.

O Bolsonarismo e o Lulismo são filhos bastardos do Malufismo. O PT roubava, mas era pelo bem do povo, tinha um projeto - petistas diziam isso sem corar, aliás, seguem dizendo isso. Denunciar corrupção é moralismo porque o PT fazia o necessário, o bem, estava do lado certo da história.

Bolsonaro rouba, mas é pouco, menos que o PT, na verdade é para evitar a volta do PT. Então está tudo certo.

Não à toa Bolsonaro foi do PP de Maluf e o PT foi por anos aliado do PP e do Maluf.

O problema só existe quando o outro rouba. Mas o roubo próprio é sempre justificável, belo e moral.

CORRUPÇÃO

O segundo caso de corrupção envolvendo Bolsonaro e vacinas é interessante.

Segundo vários colegas, a empresa Davati é, com boa vontade, shady. E a AstraZeneca, vacina que a Davati dizia vender, é negociada diretamente pelo laboratório e não por intermediários.

Aparentemente a empresa queria dar um golpe no governo e os Bolsominions não só caíram no golpe como tentaram dar um golpe nos golpistas - mas o valor era tão alto que os golpistas denunciaram os golpistas do governo. Isso dá um filme - pornochanchada pelo menos.


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Raphael Tsavkko Garcia

Raphael Tsavkko Garcia

Raphael Tsavkko Garcia é jornalista e Doutor em Direitos Humanos.


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