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Segunda-Feira 14.jun.2021

Ano IX - Nº 447

Coluna Crônicas de Theresa

Um estranho retorno ao convívio sem abraços e apertos de mãos

Em março de 2020 os humanos, a exemplo de alguns animais, foram obrigados a fazer uma espécie de hibernação

Postado em 02 de Junho de 2021 - Theresa Hilcar

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Em março de 2020 os humanos, a exemplo de alguns animais, foram obrigados a fazer uma espécie de hibernação. Na natureza, ursos, marmotas, morcegos e ouriços por exemplo, usam deste artifício todo o inverno quando os alimentos são escassos e precisam ficam inativos para economizar energia.

Ao contrário dos bichinhos, nós não precisamos estocar comida – embora no início da nossa hibernação, digamos assim, houve corrida louca aos supermercados. Mas depois tudo voltou ao normal e os mais medrosos viram que a comida, assim como a bebida, estava garantida.

E ao invés de dormir o tempo todo, ficamos mais acordados do que nunca. Muitos trocaram o dia pela noite e passaram a almoçar de manhã, lanchar a noite, trabalhar de madrugada, domingos e feriados. A isto chamou-se home office. Sem horário comercial.

Sim, muitos de nós ficamos em casa. Homens e mulheres, velhos ou novos, passaram a trabalhar no escritório improvisado. Para reuniões ou aparições online (ou in live, que virou moda) todo mundo deu um jeitinho de improvisar um canto com livros, um vaso de flor ou um quadro interessante.  

Quem teve o privilégio de produzir em casa, enquanto lá fora o vírus corria solto (e ainda corre), pudemos contar com mais uma vantagem: não precisávamos sequer trocar o pijama. Foram meses e meses usando variações sobre o mesmo tema, a velha e boa camiseta surrada.

Porque, é claro, muitos de nós deixamos de lado a vaidade para focar na saúde. Trocamos o batom pela máscara e o rímel pelo álcool em gel. Não sei do tempo que não uso uma só gota de perfume. Que, constatei, não me faz falta. Mas o cabelo branco já chamou a atenção do neto de 3 anos.  

Outro dia ele puxou uma mecha e disse que o cabelo da vovó está feio. “Precisa cortar”, sugeriu, como se a tesoura pudesse arrancar as nuvens brancas que coroam a cabeça. Mas o cabelo vai ter que entrar na fila das prioridades.

Depois de tanto tempo isolada para proteger a minha vida e a vida dos que vivem ao meu redor, a volta ao trabalho presencial talvez seja um pouco estranha. Mesmo com a vacina no braço, sabemos que todos os cuidados ainda são necessários. Portanto, será um retorno discreto, sem abraços nem apertos de mãos.  Mesmo assim, confesso: estou tão ansiosa para retomar o convívio com os colegas, que pareço criança de volta às aulas.

Principalmente depois que constatei que a maioria das roupas não me cabem mais. Um dos efeitos do isolamento foram cinco quilos acima da tabela e um número a mais no manequim. Tudo culpa do metabolismo baixo provocado pela “hibernação”, e da ansiedade. Não há calça, saia ou vestido que seja capaz de esconder as dobras de tudo que comi demais.  

A solução será improvisar o figurino com o que restou no armário. Mas as máscaras já estão prontas e enfileiradas para uso. Aliás, o que mais fiz nesta Pandemia foi comprar, na Internet, vários tipos de máscaras eficientes. E comprei muito gato por lebre até acertar.  

Portanto, o figurino adequado e a maquiagem terão que esperar. Se existe algo que a maioria de nós aprendeu nestes tempos pandêmicos, é que tudo que importa é se manter vivo e saudável – de corpo e alma. 


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Colunista

Theresa Hilcar

Theresa Hilcar

Mineira de Lagoa da Prata, é jornalista.


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