Semana On

Domingo 23.jan.2022

Ano X - Nº 475

Coluna Re-existir na diferença

Benjamim de Oliveira é tema do Itaú Cultural, em SP: mas você pode assistir pela internet

A vida e a obra de um dos mais importantes artistas circenses do Brasil

Postado em 24 de Novembro de 2021 - Redação Semana On

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A partir deste sábado (27) até o dia 27 de fevereiro de 2022, o piso térreo do prédio do Itaú Cultural, na avenida Paulista, abriga uma nova Ocupação com cenografia inspirada em uma lona de circo. Ela é dedicada exclusivamente à vida, obra e carreira do palhaço e empreendedor circense Benjamim de Oliveira (1870-1954).

Nascido em Pará de Minas (MG), filho de uma mulher escravizada com o capataz da fazenda, ele tinha 12 anos quando, encantado pelo circo que havia visitado a cidade, fugiu com a trupe. Fez um pouco de tudo até se tornar palhaço, sete anos mais tarde. Por fim, um dos homens mais importantes para o desenvolvimento e a modernização do circo brasileiro. Ao acompanhar essa trajetória, a mostra resulta, ainda, em uma representação deste universo no Brasil, do final do século XIX ao começo do XX.

Entre cerca de 120 peças, a Ocupação Benjamim de Oliveira leva os adultos à infância e as crianças à diversão, entre jornais da época, muitas fotografias, audiovisuais, objetos circenses originais, livros, documentos e fonogramas de músicas interpretadas por ele e por seus companheiros de composição, como Mário Pinheiro, Eduardo das Neves, Catulo da Paixão Cearense, Chiquinha Gonzaga e Paulina Sacramento.

A curadoria é dos Núcleos de Artes Cênicas e do Observatório do Itaú Cultural. Erminia Silva, professora doutora em história, pelo núcleo circus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além de autora de obras como ‘Circo-teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil’, assina a cocuradoria. Editado pela Altana, em 2007, o livro ganhou versão revisada e será lançado em fevereiro de 2022 pelo Itaú Cultural e a editora Martins Fontes.

“Benjamim de Oliveira foi um ator negro de grande importância para a cultura brasileira, com uma produção circence repleta de multiplicidade, do que era ser artista dentro do circo. Um artista de grande capilaridade, presente em todas as manifestações culturais e artísticas de sua época, reunindo todas as cores, credos e formas. Dar visibilidade a Benjamim de Oliveira é lembrar que não se pode contar a história da música, do teatro, cinema, rádio, cenografia, figurinismo, arquitetura, dança, instrumentos musicais, das festas populares brasileiras sem falar de circo, sem perceber que o circo estava presente em tudo isso, não como coadjuvante, mas como protagonista”, diz Erminia.

Neste colorido e alegre espaço, toda a iconografia e documentação colhida nos arquivos da família, pesquisadores e instituições dedicadas ao tema, se desenrola em torno de uma arena. As paredes do picadeiro reconstituem este universo, quando o século XIX transitava para o XX, desempenhando um papel que ia além da diversão, risadas, suspense e entretenimento. O período de atuação de Benjamim de Oliveira, ao lado das pessoas com quem conviveu e trabalhou, como João Alves, proprietário do Grande Circo Theatro Guarany, foi um tempo efervescente e de suprema importância para a popularização das artes cênicas, da música e do cinema no ambiente circense.

Assim, a mostra acompanha a trajetória de Benjamim que, além de se tornar palhaço, fortaleceu a introdução da linguagem teatral no circo estreando, em 1904, um texto dele próprio, O Diabo e o Chico. O sucesso foi tamanho que a partir dali a programação circense passou a contemplar as montagens teatrais com muito sucesso de público e crítica.  Credita-se a ele muito do protagonismo no processo de ampliação do circo-teatro.

Alice Viveiros de Castro, pesquisadora e autora do livro O elogio da bobagem – palhaços no Brasil e no mundo, conta, em texto escrito para o hotsite desta Ocupação, que Benjamim vendia doces e cocadas, quando ficou fascinado pelo circo e fugiu com um deles. 

“Tinha 12 anos e não sabia fazer nada. Mas no circo sempre tem trabalho e pouco a pouco foi aprendendo a saltar, andar na corda, balançar no trapézio e nas argolas. Era o Circo Sotero e lá foi começando a ser artista.  Fugiu do circo. O dono tinha ciúmes daquele rapaz bonito que a cada dia ficava mais esperto. Fugiu de um grupo de ciganos que queria trocá-lo por um cavalo. E como não conseguiu fugir de um grupo que queria prendê-lo como um escravo fugido, deu jeito usando sua arte. Fez todas as acrobacias que sabia e conseguiu provar que era um artista!”

De acordo com ela, Benjamim saiu rodando por Minas Gerais e São Paulo, indo de uma companhia circense a outra, até que um dia, quando ele trabalhava na de Albano Pereira, o palhaço ficou doente e ele foi convocado para substituí-lo.

Começou, assim, uma jornada que duraria mais de cinco décadas, durante as quais ele atuou nos palcos-picadeiros e bastidores. Além de palhaço, foi ginasta, acrobata, músico, cantor, dançarino, ator, autor de músicas e peças teatrais e diretor de companhia.

Conteúdo on-line

A Ocupação Benjamim de Oliveira não acontece somente no espaço expositivo. O público pode conferir diversos materiais que aprofundam os feitos do artista tanto no site itaucultural.org.br/ocupacao quanto no nosso canal no YouTube. De entrevistas com pesquisadores, artistas e família do homenageado a fotos e documentos históricos, além de textos exclusivos sobre Benjamim e o circo, o site também aborda o circo-teatro, a música, o palhaço, a ancestralidade e o legado.

Pra quem está em sampa

Ocupação Benjamim de Oliveira
abertura 27 de novembro de 2021
às 11h

Visitação até 27 de fevereiro de 2022
terça a domingo 11h às 19h
piso térreo

Entrada gratuita
Itaú Cultural – Av. Paulista, 149, São Paulo


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