Semana On

Sábado 27.nov.2021

Ano X - Nº 469

Coluna Re-existir na diferença

Blvesman

O canto da raça

Postado em 11 de Novembro de 2021 - Túlio Batista Franco

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Baco Exu do Blues é jovem, poeta, compositor, negro que emerge do interior da Bahia com o corpo banhado em prata: “nossa pele é de prata, ela reflete luz” anuncia o ator Hilton Cobra no início do curta metragem de 8 minutos, criado em cima de três músicas do álbum BLVESMAN de 2018, produzido em parceria com a Stink Films e dirigido por Douglas Bernadt.

Kelson Succi é o outro protagonista. Jovem negro, flutua em uma corrida intensa por vielas obscurecidas pela atmosfera noturna de uma zona boêmia de uma grande cidade. A voz possante de Baco se solta para o mundo. Passa a mensagem de uma arte vibrante, antirracista. A música o faz movimento, dá expressão ao corpo resiliente, de criança que foi, e resistiu às intempéries afetivas por crescer na sua família branca. Entre amor consanguíneo se misturam afetos raciais, que resultam em uma poderosa energia criativa. Aos 20 anos Baco é um corpo que se constituiu como potência de vida, que se expressa em uma bela e forte estética preta musical.  O Blues é o maior agenciamento de afetos musicais e mundanos de BLVESMAN:

Eu sou o primeiro ritmo a formar pretos ricos
O primeiro ritmo que tornou pretos livres
Anel no dedo em cada um dos cinco
Vento na minha cara, eu me sinto vivo
A partir de agora considero tudo blues
O samba é blues, o rock é blues, o jazz é blues
O funk é blues, o soul é blues, eu sou Exu do Blues
Tudo que quando era preto era do demônio
E depois virou branco e foi aceito, eu vou chamar de blues
É isso, entenda
Jesus é blues
Falei mermo”

A música é o lugar de expressão de si, afirmação da sua essência, visualização da sua negritude. Depois de alguns anos na estrada, Bluesman marca um tempo, o da luta antirracista, expressa nos seus versos. O Blues é eleito o ponto de partida, eixo da obra, pela sua força fundante da expressão musical negra.

Na ficha técnica do curta o sentido para a obra: "O que é ser “Bluesman"? É ser o inverso do que os "outros" pensam. É ser contracorrente, ser a própria força, a sua própria raiz. É saber que nunca fomos uma reprodução automática da imagem submissa que foi criada por eles."

“Eles querem um preto com arma pra cima
Num clipe na favela gritando: Cocaína
Querem que nossa pele seja a pele do crime
Que Pantera Negra só seja um filme
Eu sou a porra do Mississipi em chama”

Viva o Novembro Negro!!!

Vale a pena ver o curta, disponível no link BLUESMAN (Filme Oficial).


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