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Sexta-Feira 03.dez.2021

Ano X - Nº 469

Coluna Cine Drops

Die Chappie

Ficção científica hollywoodiana rodada na África do Sul estreia em todo Brasil.

Postado em 17 de Abril de 2015 - Danilo Custódio

Chappie é o terceiro longa escrito e dirigido por Neill Blomkamp. Chappie é o terceiro longa escrito e dirigido por Neill Blomkamp.

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Uma co-produção entre EUA, México e África do Sul deu origem a Chappie, terceiro longa escrito e dirigido por Neill Blomkamp, que também escreveu e dirigiu os excepcionais Distrito 9 (2009) e Elysium (2013). Apesar de estar no início da carreira como diretor, Blomkamp já é velho conhecido do mercado audiovisual americano, onde atua como animador de efeitos especiais desde a década de noventa, assinando obras importantes como as séries Stargate e Smallville, além do longa 3000 milhas para o inferno. E porque estou falando do currículo do cara ao invés do seu novo filme? Porque Chappie é uma grande decepção. Quase 50 milhões de dólares desperdiçados em um roteiro que nem merecia virar filme. Nem as músicas do mestre samurai Hans Zimmer conseguiram salvar essa historinha ridícula. E o pior é que havia ali a chance de problematizar a automatização da prestação serviços. Havia também um cenário incrível, cheio de texturas, que foi magnificamente fotografado. Havia ainda a incrível presença do Ninja Die Antwoord e de Yo-Landi, com suas músicas, cores, trejeitos e pichações. Mas nada disso foi aproveitado de forma inteligente. Decepcionante!

 

Cinema Brasileiro

Você está por dentro do que nosso cinema anda produzindo? Sabia que esse ano o Brasil já emplacou um filme em Sundance, festival que é considerado o mais importante evento do mundo para filmes independentes, além de levar 14 títulos para o Festival de Berlim e outros 18 com produção ou coprodução brasileira para o Festival de Roterdã? E essa história de que a Globo filmes só faz porcarias enlatadas é coisa do passado. Parece que eles enfim perceberam que existem tantos talentos em nosso cinema, que decidiram colocar dinheiro em produtos com mais profundidade estética e de conteúdo, como é o caso do Que horas ela volta?, de Anna Muylaert, que recebeu um prêmio especial do Júri em Sundance. O espectador do tal “cinema arte” precisa deixar de lado esse preconceito contra o cinema comercial feito por aqui. E é necessário também que o espectador médio brasileiro saia dessa bolha hollywoodiana e conheça o cinema nacional. Convido todos vocês a criarem uma rotina para prestigiar nosso cinema. Garanto que será uma boa surpresa.

 

Sangue Latino

“Um homem do povoado de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir no alto do céu e na volta disse que havia contemplado, lá de cima, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueiras. O mundo é isso, revelou. Um montão de gente, um mar de fogueirinhas. E não existem dois fogos iguais. Cada pessoa brilha com luz própria, entre todas as outras. Existem fogos grandes e pequenos. E fogos de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem fica sabendo do vento. E existe gente de fogo louco, que enche o ar de faíscas. Alguns fogos, fogos bobos, não iluminam nem queimam. Mas outros ardem a vida com tanta vontade, que não se pode olhá-los sem fechar os olhos e quem se aproxima, se incendeia.” O escritor uruguaio Eduardo Galeano morreu aos 74 anos no dia 13. Diferente de muitos ícones da literatura mundial da geração beat, que discorriam a respeito de questões mais subjetivas da vida, Galeano fazia reverberar a realidade social da América Latina. No programa Sangue Latino, do Canal Brasil, gravado em 2009, ele fala sobre sua relação com a vida e sobre a cidade de Montevidéu, onde viveu e morreu.

 

Cannes

A edição desse ano da mais importante premiação do cinema mundial escolheu alguns filmes de diretores bem populares, como é o caso do The Sea of Trees, do americano Gus Van Sant, que concorre na competitiva internacional; do Irrational Man, do também americano Woody Allen e Mad Max: Fury Road, do australiano George Miller, selecionados para a mostra não competitiva; e do primeiro longa de Natalie Portman, intitulado A tale of love and darkness. Veja a relação completa aqui.


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Colunista

Danilo Custódio

Danilo Custódio

Cinéfilo desde criancinha. Coordenador e professor na escola de artes visuais e cinema Espaço de Arte.


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